Copenhagen 2

Não é sem razão que, num desenho sobre Copenhagen, apareça no primeiro plano um de seus canais. Compõem, ainda, a imagem embarcações, prédios coloridose torres. Temos aí os elementos principais de sua paisagem urbana.

As torres e cúpulas são muitas e de vários estilos e idades. Algumas são de igrejas, outras são de prédios públicos. Como, na parte mais antiga da cidade, as edificações não são muito altas, elas se destacam e acabam sendo ponto de referência para nos deslocarmos numa cidade cujo plano urbano guarda traços do período medieval e se entrelaça com os canais. Quem cresceu em cidades de plano urbano ortogonal precisa de estratégias para se movimentar em cidades cujo arruamento tem séculos e séculos e não foi necessariamente desenhada antes de ser inscrita no espaço.

As torres do prédio da City Hall (prefeitura) e do Centro de Arte Contemporânea destacam-se, a primeira por se encontrar numa das praças principais da cidade – “Rådhuspladsen” -, a segunda porque ocupa o que sobrou da Igreja de San Nicolás após o incêndio de 1795.

Na área antiga da cidade – Oresund – está o Observatório astronômico na torre redonda Rundetarn.  Uma das mais atrativas da cidade é a da Vor Frelsers Kirke, que está na Igreja de San Salvador, de 1680, no bairro Cristiânia (Christianshavn). Sua escada em espiral tem 398 degraus, entre os quais cerca de 150 são externos e levam ao topo da torre que está a 90 m de altura, onde a escada simplesmente termina, não levando a mais lugar nenhum. Nem contei os degraus, nem os subi, mas meu marido fez isso e de lá realizou registros fotográficos lindos, os quais reproduzo.

Entre as duas que se seguem, a torre da direita é do Palácio de Christiansborg. Quem assistiu a série da Netflix denominada Borgen, já conhece essa construção que reúne os poderes legislativo (Parlamento), executivo (Gabinete do Primeiro-Ministro) e judiciário (Supremo Tribunal). Aos que não assistiram a série, recomendo, porque ela diz muito sobre o modo de vida na Dinamarca e tem algum paralelo com sua ex-primeira ministra Mette Frederiksen, que assumiu esse cargo aos 41 anos de idade, em 2011.

As mais bonitas são douradas, como a desta igreja cristã que, à primeira vista, parecia otomana.

A grande cúpula circular localizada ao lado do Palácio Amalienborg, onde reside a família real, é da chamada Igreja de Mármore (Marmorkirke), cuja construção é inspirada na Basílica de São Pedro do Vaticano.

Foram quase dois séculos para sua construção.

Tem as torres muito diferentes, como a do prédio chamado Borsen. É composta por quatro dragões, cujas caudas estão entrelaçadas. Nossa representação de dragões não inclui animais tão alongados, por isso parece bastante engraçado que alguém tenha tido essa ideia.

O prédio foi construído em 1619, por Christian IV, o rei construtor. Trata-se de um bom exemplo do estilo renascentista dinamarquês e abrigava a antiga Bolsa de Valores da Dinamarca que, segunda consta, é a mais antiga do mundo. Os quatro dragões representam quatro países que Christian queria unir sob liderança do seu – Dinamarca, Suécia, Noruega e Finlândia.

Com tantas torres não foi sem surpresa que, na loja da Lego, no país de sua origem, a vitrine principal seja a que está na foto.

A história da empresa dos brinquedos LEGO está associada a uma origem humilde, na oficina de Ole Kirk Christiansen, um mestre carpinteiro da Dinamarca.

A inovação que trouxe à sua pequena empresa familiar prosperaria e se tornaria uma das mais respeitadas empresas do segmento de brinquedos no mundo. […]

Em 1947, Ole Kirk e seu filho Godtfred obtiveram amostras de tijolos plásticos que se encaixavam, produzidos pela empresa inglesa Kiddicraft.

Os chamados Kiddicraft Self-Locking Building Bricks foram projetados e patenteados por Hilary Harry Fisher Page, um cidadão britânico (Wikipédia)

Uma visão de conjunto do core da cidade mostra a imponência de três de suas principais torres – a do Borgen, a da Bolsa e da antiga igreja de San Nicolás, hoje museu.

https://www.hisour.com/pt/architecture-in-copenhagen-31373/

Ah, os canais de Copenhagen! Além da beleza que a mescla entre terra firme e água proporciona, encanta ver como os canais são apropriados por todos nesta cidade. Há o mais largo por onde é possível chegar um transatlântico, há os super estreitos, que se inserem mais no conjunto construído da cidade e em sua vida cotidiana.

As embarcações são de todo tipo: antigas e modernas, maiores e menores, a remo, a vela e motorizadas; há as que são casas, outras são bares e cafés. Tem para todo gosto. As chatas e largas, para poderem passar sob as pontes mais baixas que ligam as duas margens dos pequenos canais, são as que mais navegam levando, cada uma, mais de 200 turistas para passeios que duram uma hora e pouco. Em qualquer ponto das laterais dos canais, há pequenos pilares de ferro fundido aos quais qualquer um pode amarrar os barcos.

Se você, leitor, for bem relacionado poderá ser convidado a aproveitar as águas que banham Copenhagen a bordo do KDM, o iate real dinamarquês, que é de 1931 e serve como residência oficial e privada da família real.

Tanto tem sido usado para visitas oficiais a outros países, como para passeios mais próximos. Ele tem um porto que é servido por dois lindos gazebos brancos, onde se acomodam a família real e seus convidados à espera do embarque. Repare que o gazebo da direita tem na ponta do telhado a coroa, nele se acomoda a família real, enquanto no da esquerda, seus convidados aguardam a chegada do grande navio. 

Embora seja um porto particular e exclusivo da família real, ele está acessível a qualquer um e, pelo cais lindeiro, as pessoas passeiam e se apropriam de um espaço que é efetivamente público.

Se o dia estiver lindo, sugiro que você termine o passeio tomando uma Carlsberg, que também é um produto original da Dinamarca, no Christianshavns Café, que foi fundado em 1989, e que serve de tudo um pouco, tanto para os que vêm por terra, como para os que param seus barcos para encomendar um frisante tinindo de gelado.

Carminha Beltrão

Maio de 2022

Deixe um comentário