L’Occitanie 2 – La métropole de Toulouse

Fonte da foto: https://visiterlafrance.fr/visiter-toulouse/

Há muitos modos de se fazer turismo e isto todo mundo sabe. Vamos fazendo escolhas que variam segundo várias condições: o país ou região que visitamos, o orçamento de que dispomos, o tempo livre para viajar, nossa idade e interesses culturais. Também colocamos na balança experiências vividas em outras viagens, oportunidades que aparecem e que abraçamos ou não.

Sou considerada uma pessoa organizada, que gosta de planejar o que vai fazer e isso é verdade. No entanto, no que se refere às viagens mais recentes, ainda que haja sempre um conjunto de ações que a antecedem – escolher a região e o trajeto; decidir se vamos nos hospedar em hotéis, AirBnB ou B&B; avaliar se é melhor ir de avião, trem, ônibus ou carro; ponderar se é uma viagem a dois ou com mais amigos etc. – tenho preferido apostar no inusitado o que, algumas vezes, pode ser também o incomum.

Essa busca do incomum tem a ver com, ao menos, duas constatações: – tenho que fazer escolhas muito especiais, porque o tempo que tenho adiante, em termos de vida, é menor do que aquele que já vivi e isso significa que é preciso selecionar, valorizar, intensificar a experiência, ao invés de multiplicá-la; – não é possível reter na memória tudo o que vivemos numa viagem, por isso a ideia de fazer o máximo de coisas num dia está completamente descartada, em favor da opção de se fazer algumas coisas interessantes, parar para tomar um café, apreciar a decoração de uma vitrine, curtir um céu azul, ficar por longos minutos olhando uma praça ou uma criança que se diverte sob o sol.

Como sou professora e pesquisadora no campo da Geografia Urbana tenho um interesse especial pelas cidades, de todos os tipos, tamanhos e funções, mas, ao mesmo tempo, eu me esforço para me despir de qualquer conhecimento científico que tenho sobre elas, o que é, evidentemente impossível, mas não custa tentar, não é mesmo? Assim, desculpem-me se, muitas vezes, estou escrevendo num tom professoral…

A Occitanie tem como cidade principal Toulouse, chamada na língua occitana de Tolosa. É considerada uma metrópole na hierarquia urbana francesa, embora seja um pouco menor do que aquelas áreas urbanas que definimos como tal no Brasil. Tudo é relativo, como bem sabemos. Tem pouco mais de um milhão de habitantes e ocupa a quinta posição no ranking francês.

Principais áreas urbanas francesasPopulação
Paris11.142.000
Lyon1.748.000
Marseille-Aix-en-Provence1.620.000
Lille1.073.000
Toulouse1.049.000
Bordeaux991.000
https://www.macrotrends.net/cities/20997/toulouse/population

Os dados mostram a onipresença parisiense na rede urbana francesa, ainda que, nos anos de 1960, tenha havido um grande programa governamental para promover descentralização, por meio da eleição de “métropoles de développement” com base na Teoria de François Perroux que visava investimentos públicos maciços em algumas cidades estrategicamente situadas, de modo a que elas atraíssem outros investimentos privados e, assim, pudesse se promover a desconcentração metropolitana da capital. Pois é, Toulouse foi uma das cidades escolhidas e a ela foram destinados investimentos para o desenvolvimento de um polo aeroespacial. Deu certo? Em parte, sim, porque as universidades e o institutos de pesquisa sediados em Toulouse vêm tendo resultados positivos nessa direção, ainda que Paris não tenha perdido, proporcionalmente, sua posição macrocefálica. No entanto, isso pouco interessa para o que eu quero contar aqui.

Toulouse é uma cidade en bric, como se faz referência, em francês, à sua arquitetura na área central fortemente caracterizada pelo tijolo à vista. O Capitolium, sua edificação mais importante, sede do governo regional, é marcante na paisagem urbana central, cuja grande praça é complementada por largas fachadas de outras edificações também em tijolo. Tal como a conhecemos hoje, essa construção teve início no século XVII, mas a história da cidade, bem como da própria praça, começa muito antes. Já no século II a.C., tornou-se um posto militar importante do Império Romano, Gallia Narbonensis. Com a queda o império, ficou sob o domínio do Reino Visigótico e mais tarde sob o poder dos francos. Muitos séculos depois, tornou-se capital do Condado de Toulouse e, em 1271, foi incorporada ao Reino da França.

Na face oposta à sede do governo, a fachada fica divertida com os bares e restaurantes que, no verão, abrem seus imensos guarda-sóis. Que línguas dominam o ambiente? O espanhol e o inglês.

Enquanto os franceses adoram a Provence, à leste da Occitanie, os espanhóis aproveitam a proximidade para curtir esta região, e os ingleses, para fugir do céu nublado que predomina na Ilha da Grã-Bretanha. 

Daria para escrever páginas sobre essa praça tão linda que, do ponto de vista do urbanismo, lembra muito as plazas mayores espanholas, pela harmonia arquitetônica que resulta da composição das suas quatro faces, pelo amplo espaço vazio central e pela vida social que nela se observa.

De fato, todo o centro histórico de Toulouse é caracterizado pelo bric, por isso ela é chamada de“Cidade rosada” (embora ficasse melhor o adjetivo ocre ou marron).Esta área pode ser circunscrita entre essa praça central, La Place du Capitole, onde também está o Thêatre du Capitole; a Basílica de Saint Sernin de Toulouse, com sua torre tão especial; e o Rio Garonne. Neste polígono, também estão as edificações mais antigas da Université de Toulouse e o patrimônio arquitetônico do Convento dos Jacobinos. Hoje grande parte deste espaço histórico ainda tem moradias, mas os térreos são ocupados por atividades comerciais e de serviços, com destaque para as culturais e as voltadas à restauração, principalmente de turistas – cafés, pequenos restaurantes, lojas de lembranças etc. O centro comercial principal, com as grandes redes – Zara, Fnac, Lafayette, C&A etc. etc. está a leste deste setor e, também, tem muitas edificações em tijolos à vista.

Google Maps

Da visita à basílica, ficam na memória, além da torre, o lindo portal lateral, com altos relevos muito bem esculpidos e a longa e elevada nave principal que, pela claridade, contrasta com os tons terrosos externos.

Não deu tempo de conhecer a Cité de L’Espace. Eu avisei, desde o começo, que a ideia era selecionar, mas fica o registro: ela foi construída em 1997 para democratizar os conhecimentos ligados à fabricação do Airbus que se associam à astronomia e à astronáutica.  

Carminha Beltrão

Julho de 2022

 

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