
Fonte: https://pt.vecteezy.com/bundle/4288116-modern-canvas-style-presentation-mockup-bundle
Durante esta viagem à Grécia, um ponto alto têm sido as visitas aos museus. Em todas as situações, primeiramente conhecemos os sítios arqueológicos e depois é que visitamos os museus correspondentes a eles. Fiquei pensando se não teria sido melhor o oposto, mas não cheguei a qualquer conclusão.
Efetivamente os museus gregos estão bem preparados. Não se equiparariam aos grandes museus da Europa Ocidental, nem em acervo, nem em técnicas museológicas, mas se nota que os avanços recentes são importantes, porque a maioria deles, pela idade das construções parecem ser relativamente recentes. Veja uma foto da fachada do Museu Arqueológico de Delfos. Aproveito para contar, leitor, que a Grécia é o país dos gatos, pois eles estão por todos os lugares. Vejam que no registro fotográfico abaixo lá estão eles. Essa foto foi feita por uma brasileira na Grécia, como informa o nome do seu blog, mas eu sou outra brasileira na Grécia, ainda que também tenha um blog [risos].

Fonte: https://umabrasileiranagrecia.com/2015/07/museu-arqueologico-de-delfos.html
Neste museu, havia muitos fragmentos de esculturas, estátuas completas, peças cerâmicas e de ouro, além de objetos e ferramentas que foram achados pelos pesquisadores naquele espaço.
O calor era estonteante, de modo que entrar no museu com ar-condicionado é sempre uma maravilha, após a caminhada longa pelo sítio. Acho que o fresquinho animava ainda mais nossa guia, que se delongava em explicações caprichadas, sempre destacando a habilidade artística dos gregos e nos convencendo, ao fazer a comparação, que as obras de arte do período romano, que também foram encontradas no sítio, eram muito menos refinadas. E eram, por isso só vou postar as fotos das gregas ok?
Foi neste museu que fui entender melhor que, no santuário de Delfos tinham capelas que foram sendo construídas em diferentes situações e cujos frontais das fachadas estão sendo aos poucos recompostos pelos pesquisadores. A Grécia, ao contrário do Império Romano que tinha uma estrutura hierarquizada e governada por um único imperador, era composta de Cidades-estados que tinham certa autonomia de gestão e governo. Em muitas circunstâncias elas lutavam entre si, como ocorreu entre Atenas e Esparta, por exemplo. De outros pontos de vista, como a civilização e sua cultura, tanto quanto a constituição de imaginários, crenças e lendas, a Grécia tinha maior unidade. Por isso, santuários como o de Delfos eram visitados por gregos de várias Cidades-estado. As capelas, pelo que pude entender, eram edificadas quando uma Cidade-estado vencia alguma guerra e tinha sido orientada pelos deuses neste santuário. Assim, a forma de agradecer, sobretudo a Apolo, era erguer um “tesouro” em homenagem a ele.
O museu estava sendo visitado por muita gente ao mesmo tempo, de modo que foi impossível fotografar um dos frontais superiores da fachada de capelas, sem haver gente por todo lado. Assim reproduzo aqui uma foto da web.

Diante justamente deste frontal, nossa guia explicava a interpretação dada por arqueólogos e historiadores a cada uma das imagens que lhes são constitutivas. Se eu memorizei esses detalhes? Claro que não e pensei num primeiro momento que não valia a pena a visita guiada, pelo excesso de informações, mas depois me convenci que, mesmo sem memorizar quase nada, esse conjunto de interpretações que vão sendo relatadas por ela mostram a riqueza da civilização que estamos conhecendo e, sobretudo, a importância da pesquisa para se compreender o passado e iluminar o presente, neste vai e vem do pensamento que nos possibilita posicionar o nosso tempo em relação aos outros, a nossa cultura diante das outras, os modos como vivemos em cotejo aos demais. Acho que sempre mudamos durante as viagens por essa possibilidade de pensar que elas nos oferecem.
A escultura da esfinge era uma das mais apreciadas do museu. Ela estava dentro da capela erguida pela cidade de Sifnos em agradecimento a Apolo.
Também eram muito apreciadas as duas esculturas que representam provavelmente Kleobis e Biton e compunham o tesouro dedicado a Apolo pela Cidade-estado Atenas.
….eram dois jovens heróis, gémeos, filhos de Cídipe, que se sacrificaram pela deusa Hera. No primeiro livro de Histórias de Heródoto (1.31) reporta o conto de Sólon ao rei Creso relativo à história mítica de Cleobis e Bitão em que a sua história foi divulgada como um exemplo da moral, da vida virtuosa e plena, apesar da sua morte prematura, não foi, contudo, encarada como um facto negativo, mas como o maior presente que os deuses poderiam conceder. Heródoto conta que “os argivos teriam erguido as suas estátuas e as teriam consagrado em Delfos, como é feito com os homens realmente distintos. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Cleobis_e_Bit%C3%A3o
A guia explicou que somente os homens eram representados nus e as mulheres sempre vestidas (até fez referência a uma única exceção, mas sinceramente me esqueci). Ela também frisou, no decorrer dos quatro dias que nos acompanhou, que todos os gregos eram esportistas e que havia muita relação entre a prática de esportes, a vida religiosa e as artes, como aliás vimos no sítio arqueológico de Delfos, que era simultaneamente um lugar de esportes, adoração e cultura. Essa perspectiva holística dos gregos parece ser uma marca importante de sua civilização. As duas esculturas mostram que esses jovens devem ter sido atléticos, mas também é bom relativizar um pouco, porque as estátuas são sempre representações e, como tal, podem ser mais bonitas do que os modelos que as inspiravam.
As peças em ouro do museu impressionam muito, pelo grau de preservação e pelo brilho que ainda têm, comprovando que este é mesmo um metal nobre e precioso. Vejam que as peças eram fininhas mostrando que os gregos já manipulavam o metal com destreza. Lembrei que vi filigranas parecidas no Museu de Sucre na Bolívia.

A cerâmica da próxima foto é outra peça maravilhosa do museu. É pequenininha, mas o grau de preservação e a maravilha dos detalhes da pintura encantam. A representação corresponde à Apolo e o corvo. Fiquei curiosa sobre a presença do corvo na representação deste deus do Olimpo e encontrei, depois, explicações para isso (é provável que durante a visita, nossa guia tenha explicado, mas na hora não prestei atenção). Procurando na web, fiquei sabendo que, na mitologia grega, são estas aves que para desempenhavam o papel de serem mensageiros dos deuses e, por isso, possuíam funções proféticas, inclusive a de conjurar a má sorte. Nesta cerâmica estão, portanto, representados Apolo e um de seus corvos.
O tamanho da escultura que estava sobre uma das colunas dispostas no santuário e agora está no museu também impressionou. Sobre a foto subsequente nada sei dizer, a não ser que é realmente o registro de uma obra de arte.
Postada solenemente ao final do percurso no museu, estava a estátua “Auriga de Delfos”, toda em bronze, e que representa um condutor de carruagens. Pelo grau de preservação e completude, é considerada uma obra-prima e a guia aproveitou para mais uma vez frisar que é das poucas que não foram ou destruídas por romanos, assim que estes dominaram os gregos, ou roubadas, nos séculos mais recentes, por seus vizinhos da União Europeia, entre os quais predominantemente ela dava estacava os ingleses.
Foi um dia e tanto este da visita a Delfos, seguido pela estrada até Kalábaka, que fica para o próximo capítulo.

Carminha Beltrão
Junho de 2024









Adorei. Não li os anteriores. Mas adorei este. Beijo.
oi Ricardo, a viagem está sendo bem legal. Obrigada pela leitura.