Grécia 7 – Metéora e o cristianismo ortodoxo

Fonte: https://www.google.com/search?client=firefox-b-d&q=kalabaka

Em nossa última noite do percurso pela chamada Grécia Continental, pernoitamos em Kalabáka, que também vi grafada como Kalambaka. A cidade onde moram pouco mais de 10 mil habitantes não é propriamente bonita, mas dá apoio à visita a Metéora.

Vindo de Delfos, pulamos séculos para falar de Metéora, que não tem nada a ver com os Deuses do Olimpo, mas sim com o Cristianismo Oriental, que nós, no Ocidente, chamamos de Ortodoxo.

É provável que os primeiros eremitas tenham se estabelecido nessa região, no século XI, isso significa, segundo a contagem que fazemos no Ocidente, que era Idade Média: nada mais de domínio político dos gregos.

Metéora, em grego, significa “meio do céu”. Outras interpretações sobre o significado etimológico desta palavra referem-se a “suspensos no ar”. Por quê? Ali estão mosteiros erguidos sobre pilares de rocha granítica que, hoje, compõem uma atração turística “enigmática”, como li em algum lugar.

Estão situados na Grécia Central, próximos da planície de Tessália e do Rio Peneu.  O maior pico tem quase 550 metros e o menor tem pouco mais de 300 metros. O vale agricultado que avistamos de Metéora é espetacular, depois de alguns dias passando por paisagens predominantemente ocres.

Chegaram a ser 20 mosteiros e hoje são seis: Megálos Metéoros (Grande Meteoro ou Mosteiro da Transfiguração), Varlaam, Ágios Stéphanos (Santo Estevão), Ágia Tríada (Santíssima Trindade), São Nicolau Anapausas e Roussanou.  Cinco dentre estes são masculinos e apenas um feminino.

Visitamos dois deles: o de Santos Estevão e o outro cujo nome não memorizei (como sempre falo aos meus alunos, anotar é importante).

Por que os monges ergueram seus mosteiros nestes picos? Fugiam da ocupação otomana e queriam ficar num sítio inacessível aos invasores. Pelo que explicou a guia e vimos em algumas ilustrações que lá estavam, no início, tanto o material para fazer as construções, como as pessoas, eram erguidas por guindastes (não destes controlados por computador que vemos hoje nos portos, mas aqueles antigos com roldanas e cordas puxadas por força humana). Depois foram esculpidas escadas nas rochas. Hoje já há teleférico para um deles e pontes para outros.

Numa das visitas, lá estava uma freira varrendo o pequeno pátio em frente à capela. Imaginei a vida neste isolamento e pensei que não quereria viver neste lugar.

Dentro das construções seculares não se podia fazer fotos, o que era uma pena, porque paredes e tetos eram adornados por pinturas muito bonitas, algumas delas acabadas com ouro, mas pude fazer um registro de um quadro na varanda de acesso a uma das capelas.

A visita me fez lembrar muito as edificações e pinturas que vimos em Suzdal, que foi o centro da vida religiosa cristã ortodoxa, na Rússia, antes da Revolução Bolchevique, que passou a “desaconselhar” as práticas religiosas, mas o patrimônio permaneceu e esta cidade tem igrejas lindas.

Nos templos cristãos ortodoxos não é permitido representações das santidades em três dimensões, ou seja, não há nem estátuas, nem sobre relevos. Para compensar, a vivacidade das cores e o folheado a outro iluminam as obras de arte e as deixam mais vivas do que as madonas, os Pedros e os Paulos que vemos representados nas igrejas cristãs do Ocidente, onde os azuis muito pálidos, os acinzentados e tons de ocre geralmente predominam.

Zapeando pela WEB encontrei fotos bonitas, mas em sites pagos. Reproduzo algumas que devem ter sido registros feitos sem autorização porque a iluminação não está grande coisa e, como os ambientes eram escuros, o flash era imprescindível.

Os Metéoros são, desde 1988, Patrimônio Mundial pela Unesco e não apenas as construções religiosas, mas os montes e vales cobertos de florestas, onde ainda vivem lobos.

Essas três hastes que encontrei na saída de uma das visitas representam para mim, a articulação entre a construção de Estados-nações modernos e a Igreja.

Não terei capacidade de contar a vocês como estava o azul do céu neste dia, porque para descrever os tons de uma cor, nem mesmo a paleta da Suvinil é suficiente, mas deixo aqui uma foto em que vocês poderão apreciar essa belezura de firmamento.

Terminada a visita a Metéora, partimos para Atenas concluindo o trajeto continental da nossa viagem à Grécia. Foi cansativo – quatro noites em quatro cidades diferentes, vários sítios arqueológicos, museus, mosteiros etc. – mas valeu demais. Voltamos ao passado e compreendemos um pouco melhor, de algum modo, o significado de valores e representações que orientam o mundo em que vivemos.

Carminha Beltrão

Junho de 2024

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