Fonte: https://minionupucmg.wordpress.com/2017/07/18/a-evolucao-dos-tipos-de-navios/
Acordar um pouco antes das 5h não é nada bom. Estar na Grécia e viver a expectativa de conhecer Mikonos é ótimo!
Antes de fazer essa viagem escutei a opinião de alguns amigos, que já viajaram para cá, e olhei reportagens na WEB sobre os melhores roteiros e formas de locomoção. Tem opiniões de todo tipo: “Faça os percursos entre o continente e as ilhas, e entre elas de avião”. “A travessia pelas embarcações de linha são uma experiência legal”. “Não perca de tempo de ir de navio, prefira gastá-lo nas ilhas”. “O melhor é fazer a viagem de transatlântico, que vai parando nas ilhas e você desce sem se preocupar com nada”.
Enfim, o que seguir? Acabamos ficando com a opção de utilizar as embarcações de linha porque as opções de horário são muitas, a relação custo x benefício é razoável e foi também a escolha sugerida pela agência para atender nosso desejo de conhecer ao menos quatro entre as muitas ilhas que mereceriam ser visitadas.
Depois de tanto ponderar, ainda assim não sei se fizemos a melhor opção, pois ficamos reféns de horários que não seriam os que desejaríamos e de características e condições do modal de transporte que nem sempre são as melhores. Ok, escolha certa ou errada, vamos acordar cedo e curtir ao máximo a experiência.

Os navios da Blue Star Ferries são enormes. Em algum site, li que cabem 2400 passageiros e mais de 400 veículos – carros, vans, caminhões, motos, ônibus – sendo tudo isso junto e ao mesmo tempo, o que faz do embarque uma loucura. Assim que a embarcação atraca, desce uma mega plataforma de acesso por onde, rapidamente, sobem os veículos e depois dezenas e dezenas de pessoas puxando suas malinhas ou malonas de rodinha e carregando de tudo, desde sacolinha com o lanche até equipamentos de mergulho e carrinho de bebê.
Assim que você entra, num dos níveis em que ficam os veículos, deixa as malas junto com outras dezenas delas, sem receber comprovante ou coisa do tipo (o que nos deixa preocupados) e sobe para os níveis onde estão as poltronas, que são bem confortáveis.
Na travessia entre Atenas e Mikonos, o vento era grande, mas a sensação de, no convés, assistir o navio se afastar é muito boa. Fiquei pensando nos navegadores antigos, em caravelas, em direção ao mar distante e deixando suas vidas no continente, sem saber por quanto tempo ou se para sempre, porque as condições técnicas e os motivos da viagem não eram as de hoje.
No convés, dei-me conta de que nossa embarcação era das maiores, porque olhava para as demais por cima. O dia estava amanhecendo e ia passando o mal-estar (ou mal humor) de acordar tão cedo porque o sol estava divinamente aparecendo no horizonte com a cidade e o mar esperando por ele.



Em função das dimensões da embarcação, havia muitas possibilidades de admirar as paisagens: uma grande varanda no último piso, varandas de diversos lados nos pisos intermediários e uma coberta onde havia mesas para nos acomodarmos e que, em poucos minutos, ficou cheia de gente, até que os ventos fortes nos levassem a entrar.
A luz solar que incidia sobre o mar combinada com o finalzinho do cair da noite deixava a água prateada.
O sol rompeu a escuridão da noite e o navio zarpou deixando Atenas cada vez mais longe e cortando as águas do Egeu, com seu motor barulhento.

A ilha de Mikonos fica a menos de 200 km de Atenas e o Google Maps indique 7h para o transcurso de navio, mas levamos apenas 4h30 para chegar. Deu tempo para apreciar o mar, escrever uma boa parte de um capítulo anterior deste Diário de Viagem, conversar e descansar um pouco, afinal acordar cedo demais deixa a gente desanimado depois de algumas horas.
E aí está Mikonos, essa pequena e maravilhosa ilha que faz parte do Arquipélago de Cíclades, no Mar Egeu e tem apenas 86 km2. Para o leitor ter uma ideia dessa extensão, a Ilha do Marajó tem 40 mil km2. Sua população é pequena – 6200 habitantes – mas recebe milhares de turistas ao ano, porque hoje é um ponto de encontro do jet set internacional.
Sua formação rochosa em granito e o fato de que sua elevação máxima alcança os 360 metros faz dessa paisagem uma lindeza: relevo movimentado, tons múltiplos de cinza ao ocre, todas as edificações pintadas de branco e, em volta, um mar azul de morrer de tão lindo.
No começo do século XI a.C., já havia aí habitantes da civilização jônica, que precedeu os gregos. Na mitologia, a ilha é conhecida como o local da luta entre Zeus e os gigantes. O nome dado a ela é o do filho de Apolo (aquele cujo santuário visitamos em Delfos).



Mal chegamos, a funcionária da empresa de turismo contratada pela agência brasileira, explicou-nos dezenas de coisas ao mesmo tempo e rapidamente, entre elas passou a informação que nosso motorista para o traslado se chamava Antônio. Mal entramos na van, puxamos conversa com ele que não ficou nada contente de termos trocado o nome dele e repetiu várias vezes num inglês bastante precário: “Eu me chamo Adônis”. Ok, isso é bem mais grego do que Antônio, mas ou entendemos mal ou a guia que estava cuidando de vários receptivos ao mesmo tempo, trocou o nome dele.
Antônio de cá, Adônis de lá, neste diário importa menos o nome dele, mas sim que nos levou pela ilha do porto até o Petinaros Hotel que fica no nível topográfico mais alto e este pequeno percurso cheio de curvas possibilitou que apreciássemos o contraste entre as rochas e as construções brancas. Estava um dia lindo!

Sobre o hotel e Mikonos, escrevo um pouco mais no próximo capítulo.
Carminha Beltrão
Junho de 2024










