A distância entre Creta e Rodes – 480 km – é maior do que aquelas que percorremos entre Atenas e Mikonos, Mikonos e Santorini, Santorini e Creta. Rodes, embora pertença político-administrativamente à Grécia, está mais próxima da Turquia, como vocês podem observar no mapa.
A opção da Agência Terra Mundi foi, então, propor o percurso por avião. Ok, de acordo, mas com o inconveniente de ter que acordar às 4h da manhã para começar a voar perto de 6h.
Já era nossa última etapa de viagem e, nestas horas, vivemos sensações dúbias: vale tudo e, ao mesmo tempo, já estamos quase no ponto de não aguentar mais. Abre mala, fecha mala, confere se não esqueceu nada, organiza os vouchers, será que o traslado vai funcionar? Isso cansa, a certa altura.
Pelo vidro da sala de embarque do aeroporto, que estava sujo, pudemos ver o sol nascer atrás do avião que nos levaria a Rodes.
Chegamos bem. É digno de conta o motorista da van, quase um microônibus, que nos levou do aeroporto ao hotel. Eficiente e muito simpático. Nasceu na ilha, morou um tempo de sua vida na Bélgica e em outros países, e depois voltou à terra natal.
Conversou conosco em francês, já que, para os quatro do grupo, essa língua é melhor do que o inglês. Ele é um verdadeiro entusiasta da ilha. Ia dirigindo e desfilando os elogios para o que ele considerava un paradis (um paraíso).
Mais de uma vez, ele destacou que a distância da Grécia continental e certo isolamento da ilha eram suas qualidades maiores, embora fosse preciso melhorar muita coisa para ampliar os turistas que, segundo ele, eram, sobretudo ingleses, alemães e europeus nórdicos. Para fazer um afago, completou que tem aumentado o interesse dos brasileiros.
Assim que chegamos, gostamos do Hotel Aquamare, que está a 150 metros da praia e não tão distante do centro histórico, que não pudéssemos ir a pé.
Em grego, Rodes é Ρόδος. Trata-se da maior ilha do conjunto chamado Dodecaneso. Ficou famosa no mundo, porque, no passado, ali estava o Colosso de Rodes. Hoje o turismo está muito apoiado no centro histórico da cidade principal, o qual é Patrimônio Histórico da Humanidade, segundo a Unesco, bem como em outros núcleos urbanos antigos e, principalmente, nas praias que estão sendo apropriadas pelos resorts, ainda que haja muito litoral que não foi ainda ocupado.
Rodes é uma ilha relativamente pequena – um pouco menos de 1400 km2 (lembram que a de Creta tinha mais de 8000 km2?) – e nela habitam cerca de 80 mil habitantes. A capital é homônima à ilha e se situa no seu extremo norte.
Como chegamos muito cedo, apenas tomamos café da manhã no hotel, porque ainda não era possível aceder ao apartamento. Saímos logo para conhecer o centro principal, percorrendo pouco mais de um quilômetro até chegarmos lá.
Pelo caminho, encontramos várias edificações que devem ser do final do século XIX e primeira metade do século XX, ocupadas por órgãos públicos. Elas estavam bem preservadas e, embora fossem arquitetonicamente muito diferentes, compunham um conjunto agradável.
Na praça, próxima ao pequeno porto, as pombas dominavam o território, sob o sol da manhã, e não deixavam, sequer, a estátua ficar em paz.
Era pouco mais de 10h da manhã e o sol já estava forte. Nosso grupinho se preparava para conhecer a cidade, enquanto outros remavam na baía. Nos pequenos iates, os tripulantes ainda deviam estar dormindo.
Não se trata de qualquer baía… Em sua entrada, no passado, estava a enorme escultura de 30 metros de altura, chamada o Colosso de Rodes, que foi destruída por um terremoto em 226 a.C. Tratava-se de uma representação de Hélio, o deus grego do sol.
De volta ao Brasil, lendo um pouco mais para completar o que vimos na viagem, fiquei sabendo que há o projeto de fazer uma nova estátua. A ideia foi de um grupo de arquitetos, engenheiros e arqueólogos, que propuseram uma nova versão com 120 metros, erigida com uma estrutura antiterremoto, dentro da qual haveria um museu e no topo, na cabeça do gigante, um farol com o formato de uma coroa.
Como Hélio é o deus o sol, os idealizadores preveem que a nova estátua será coberta de painéis solares dourados, o que a tornaria autossuficiente em termos de energia. O custo é 286 milhões de dólares. Será que eles vão conseguir? Se você, leitor, quiser contribuir com este projeto, terá seu nome cravado na estátua. É um baita custo e, a bem da verdade, não achei o protótipo bonito.
Fonte das informações e da imagem: https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2015/11/novo-colosso-de-rodes-quer-ser-o-marco-megalomaniaco-da-grecia-pos-crise.html
Antes mesmo de chegarmos ao centro antigo, visitamos uma igreja e, como em Meteora, pudemos apreciar a decoração do cristianismo ortodoxo, sempre muito colorida para compensar a falta de estátuas. Os lustres pareceram fora de lugar ou da época, como se não combinassem com seu entorno e com o tempo em que a igreja deve ter sido erguida. Eram grandes e imperavam dominando o corredor principal.
A entrada do mercado municipal lembrou-me um pouco as construções congêneres no mundo árabe. Ele está todo ocupado, atualmente, por boxes, onde se vende de tudo para os turistas. Alguns são bares e pequenos restaurantes. Nesses espaços, quase nada mais se escreve no alfabeto e na língua grega – tudo já está sendo passado para o alfabeto latino e para o inglês, havendo aqui ou ali os afrancesamentos – toilets.

Já comentei em algum outro capítulo que os gatos dominam na Grécia. Quase não vimos cachorros pelas ruas. Olha mais um aí.

Finalmente, chegamos às portas da old town. Fake! Mal entramos, vimos que após a passagem pelo portal, só encontramos um trailer que vendia uns sanduíches, à esquerda, escondido pelo muro. Achei um disparate, sobretudo porque caímos na mentira. Pela fotografia, dá para ver que não fomos os únicos, ou seja, outros entraram por este portal e tiveram que sair depois.
Ainda ladeamos mais um pouco a muralha, na qual as primaveras nos saudavam, até chegar à verdadeira entrada da old town.
Passando pelo primeiro portal, voltei os olhos para trás e me deparei com a visão do mar emoldurada pela muralha. Fiquei imaginando o que pensavam os moradores de Rodes, nos séculos passados, os quais em sua maioria, suponho que nunca ou pouco deixavam o perímetro da muralha. O que pensavam sobre aquele mar e onde ele levaria?
Fiquei contente de ter nascido na segunda metade do século XX, de viver num mundo e num período da história em que as viagens internacionais são mais fáceis e possíveis. Por fim, lembrei-me de que isso é possível para alguns, mas não para a maior parte das mulheres e homens do mundo contemporâneo pela desigualdade que o marca…
Rodes deve ter tido importância como cidade, no passado, uma vez que chegou a ter duas muralhas. Entrando no núcleo principal, chamou atenção o comércio elegante – joalherias, lojas de roupas de grife e restaurantes muito simpáticos – as primaveras também dominavam no paisagismo criado nesses ambientes.
Os toldos estavam por toda parte, porque o calor era realmente enorme. Qual a solução? Sentar para um almoço à sobra das árvores e se refrescar dando um brinde entre amigos. Com chopp, vinho rosé ou coca-cola – tim tim!!!
Adorei a minha salada de rúcula, tomate e o queijo grego feta, temperada com aceto e mel.
Carminha Beltrão
Julho de 2024




























O texto é ótimo! Amei as fotos!
muito obrigado
Grato pela partilha! Boas viagens.