Cáceres: Um Passeio pelo Patrimônio da Extremadura

Fonte: https://www.minube.com/rincon/casco-antiguo-de-caceres-a85128

Situada na porção oeste da Espanha, na fronteira com Portugal, a Extremadura combina com o nome que tem. Parece mesmo uma região das extremidades do país Extrema e a arquitetura das cidades mais antigas, com seus tons cinzas-ocres, passa a ideia de uma paisagem urbana dura, o que se repete na área rural onde as rochas afloram em meio à vegetação pouco verde. No entanto, isso é apenas uma interpretação bobinha que eu fiz.

Fui verificar e constatei que esta nomenclatura começou a ser usada durante a Reconquista da grande porção da Península Ibérica, que havia sido dominada pelos árabes e que levava o nome de Al-Andalus. No século X, durante essa reconquista as terras situadas nas porções mais extremas eram assim chamadas e o vocábulo foi usado, pela primeira vez para nomear a região em torno de Viseu, hoje cidade portuguesa. Achei até um artigo que trata do tema (file:///C:/Users/Cliente/Downloads/3482-Texto%20del%20art%C3%ADculo-6772-1-10-20130206.pdf) em que se explica que a palavra significa os “extremas do Douro”.

À parte a curiosidade sobre o nome, o que interessa, neste diário de viagem, é registrar o passeio por essa região da Espanha que é uma de suas comunidades autônomas, cuja história é partilhada com Portugal, pois este território já foi parte da Província Romana da Lusitânia [Ah, esses romanos, como diria o Asterix. Eles fizeram esse Velho Mundo].

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Nesta região, nasceram muitos que viajaram para explorar a América. Os textos turísticos falam de os “conquistadores do Novo Mundo”. É claro, que do nosso ponto de vista, podemos ter outro conceito, que não de conquista, sobre essa exploração do ouro e da prata de nosso subcontinente.

Parte dessas riquezas extraídas da América ajudou a financiar muitas das construções que estão na região, embora antes disso a situação geográfica desse território já favorecesse o comércio, o que explica por que suas cidades, fundadas ou não pelos romanos, têm um patrimônio arquitetônico muito bonito.

Começamos o passeio por Cáceres, uma das cidades principais da Extremadura, onde estamos hospedados.

Em 1227, ela foi conquistada por Afonso IX e cresceu em função de ser um território de livre comércio que passou a atrair as rotas de mercadores. Mais tarde, aristocratas também se estabeleceram na cidade e construíram palácios luxuosos. Consta que a competição entre essa elite comercial era tão ferrenha que os reis Isabel e Fernando mandaram demolir parte dessas edificações para acabar com a constante briga pelo poder que havia em Cáceres. No final do século XV, novas edificações foram erguidas e é este patrimônio que conhecemos hoje, embora alguns testemunhos dos séculos anteriores ainda remanesçam.

Atualmente, a cidade tem cerca de 80 mil habitantes. O sítio histórico é pouquíssimo habitado pelo que pude observar. Dentro da muralha há imóveis com a indicação “AT” (alojamiento turístico), poucos hotéis, entre eles o da rede “Paradores de Espanha”, alguns restaurantes, igrejas e museus. Não vi sequer uma lojinha de venda de bugigangas, o que torna a paisagem limpa e deixa a adorável impressão de que estamos vivendo um pouco do passado.

Chegamos no começo da noite e a lua, mesmo não sendo cheia, convidava para já perambular pela cidade mesmo sem a luz do sol.

No dia seguinte, começamos pela Plaza Mayor que, no caso desta cidade, fica fora do “casco” histórico. A ela se chega pelas duas vias comerciais mais importantes onde estão tanto as representantes das maiores redes como os comerciantes locais – Calle dos Pintores e Calle Gran Vía.

A Plaza Mayor está em leve declive, acompanhando o relevo, e a extensa área sem árvores ou mobiliário urbano fica disponível para ser apropriada pelos pedestres. Era domingo e havia gente de toda idade por todo lado.

Nesta praça, na lateral oposta à muralha, estão os cafés e restaurantes com suas mesas externas, para que os frequentadores aproveitem da vista maravilhosa.

Como a praça está num plano topográfico inferior ao da porção histórica, o que possibilita uma vista bonita da muralha e das principais edificações, entre elas a Torre do Bujaco, erguida pelos árabes, no século XII, sobre um sítio arqueológico romano. Ela mede 25 metros e é a maior entre as torres que protegem juntamente com a muralha a linda cidade histórica. Seu nome é derivado do califa Abu Ya’aqub (Abu Jacob) que foi seu construtor.

Na mesma face da Plaza Mayor, cem metros abaixo, outra torre testemunha o passado de Cáceres – a da Ermita de La Paz.

No entanto, somente a torre Bujaco está aberta para visitação e a partir dela se pode ver a cidade expandindo-se no horizonte.

Caminhando sobre uma parte da muralha, a que se tem acesso pela torre, chega-se a um sítio arqueológico do período romano.

A partir da mesma torre, entre um pilar e outro, a Plaza Mayor abaixo, dominando a estrutura espacial da cidade atual.

Já ia me esquecendo de voltar à parte “nova” da cidade para registrar a estátua de Leoncia Gómez que está na Plaza San Juan, perto da Gran Vía. Ela foi erguida em 1998 em homenagem a esta senhora que foi a última a vender pelas ruas de Cáceres o periódico Extremadura. Simpático né?

Carminha Beltrão

Fevereiro de 2025

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