De Nevada a Utah: ainda atravessando o Great Basin Desert

Pela Rodovia US 50 continuamos a atravessar o maior deserto dos EUA. Ele é denominado Great Basin Desert (Deserto da Grande Bacia) e compreende territórios dos estados de Oregan, Idaho, Nevada, Utah, Wyoming, Colorado e Califórnia, abrangendo mais de 409 mil km2. É muita terra! Seu solo é arenoso e com muitos cascalhos.

Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Great_Basin#/media/File:Great_Basin_map.gif

Em função dessas características do quadro natural é também um deserto urbano, pois as cidades que têm alguma relevância estão muito distantes entre si. Por exemplo, entre Reno e Salt Lake City são 830 km, entre Reno e Las Vegas, 711 km. Entre elas, os núcleos urbanos que existem são muito pequenos e foi assim que fomos parar em Ely (pronuncia-se Íly), que tem pouco mais de três mil habitantes e muito cassino, é claro, porque ainda estamos em Nevada.

A cidade encontra-se a pouco mais de 1900 m de altitude e está cercada por montanhas e muita aridez. Nossa opção de hospedagem (até parece que havia muitas) foi no Hotel Nevada and Gambling Hall que, para minha surpresa, é destacado na Wikipédia, no verbete sobre a cidade:

Apesar da sua importância histórica, ele não é nenhuma maravilha, mas era o possível.

A partir dele fotografei a main street de Ely, para um lado e para o outro, o que te ajuda, leitor, a constatar que a cidade não é muito grande, pois é possível ver o fim dela em ambas as direções.

No térreo, o hotel mantém parte de sua memória como é o caso da placa indicando o local da cafeteria e, pelo que observei, as máquinas de jogo já estão prontas para ir para o museu.

Adorei as fotos e o desenho do ator e cineasta Clint Eastwood, na coluna logo na entrada do hotel. Quem simbolizaria melhor o velho oeste estadunidense?

Quanto mais quilômetros percorríamos neste dia, maior era a sensação de que estávamos diante de uma mega tela de cinema, a cores e ao vivo. Quantos westerns ou mesmo filmes com enredos mais contemporâneos já assistimos, nos quais víamos paisagens como as que se seguem? Lembrei de Erin Brockovich com Julia Roberts; Bagdad Café com Marianne Sägebrecht e Carol Christine Hilaria Pounder; Thelma & Louise com Geena Davis e Susan Sarandon e, por fim, Paris Texas com Nastassja Kinski, para não entrar na lista dos de far west que é imensa.

Observem o azul do céu, limpo e sem uma única nuvem.

Vez ou outra, cruzávamos com um veículo, para lembrar que a estrada é solitária, como seu codinome anuncia, mas há quem ande por ela.

No sopé das Rochosas encontramos, num dado trecho, muitas torres de energia eólica. Elas pouco se moviam, mas imaginei que, no inverno, o vento deve correr solto ao longo da cadeia montanhosa.

Um ponto alto do percurso, entre Nevada e Utah, ainda bem próximo a Ely, foi a visita ao Great Basin Visitor Center, cuja recepção principal está na próxima foto e as imagens que registrei logo, na sequência. Em algumas delas, vemos que, mesmo com clima desértico, há vegetação, inclusive, arbórea, habitando o parque.

O parque é enorme. Percorremos de carro apenas um trajeto entre os muito indicados para serem feitos, alguns em veículos comuns, outros em 4 x 4, outros ainda a pé e, por fim, os que exigem habilidades para escalar. Vejam no mapa o percurso assinalado em vermelho na porção norte: foi este que realizamos parcialmente.

Fonte: https://www.parkrangerjohn.com/great-basin-national-park/

O que mais ocorreu neste dia? Fizemos um rápido pic nic de almoço em Hinckley, cuja população está acima dos 600 habitantes, mas sempre abaixo dos 700, desde 1990. Por que paramos neste lugar? Porque não havia outro por quilômetros e quilômetros, mas foi interessante observar suas casas e um pouco do cotidiano daquele pequeno povoado.

Quem não viu um filme em que os personagens namoram ou espiam a rua a partir de uma varanda como esta? Olhem o detalhe das cadeiras de balanço.

Era o sábado, 31 de maio de 2025, e parte importante da população estava saindo do culto na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Estamos em Utah.

Vejam o que a IA do Google informa sobre essa religião:

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, frequentemente chamada de Igreja Mórmon, tem uma forte presença em Utah devido à sua história e à sua sede global em Salt Lake City. Muitos membros da igreja residem no estado, e Utah possui um grande número de templos mórmons. A igreja tem uma grande influência na cultura e na vida política de Utah.

Segundo a BBC News Brasil, em 1947:

…o religioso e historiador Brigham Young (1801-1877) chegou, com um grupo de adeptos da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, na região do Vale do Lago Salgado. Ali fundaria Salt Lake City. Era uma terra árida, com feições nada atraentes nem convidativas. Os integrantes da caravana, contudo, estavam exaustos. A viagem, com paradas em assentamentos, principalmente onde hoje é a cidade de Omaha, Nebraska, já levava mais de um ano (fonte: https://www.bbc.com/portuguese/geral-62255091)

De Hinckley, após o lanche, sem nada gelado para beber porque não encontramos um café, bar ou mercadinho na cidade, seguimos para Green River, onde iríamos dormir, percorrendo 530 km pelo deserto. A partir de Salina deixamos a US 50 e tomamos a autopista US 70. Vejam que passamos por vales, onde observamos o desenvolvimento da agricultura com irrigação. Aliás, já tínhamos notícia de que os mórmons vêm se dedicando, desde que chegaram à região, ao desenvolvimento de técnicas e equipamentos para irrigação, afinal, tinham que transformar solo pedregoso e terra fértil.

À medida que nos aproximávamos do nosso destino, os tons acinzentados que tínhamos visto na maior parte do deserto foram substituídos por formas de relevo impressionantes, e por tons terra ocre, que nos fizeram lembrar do Grand Cannyon. Não vou escrever nada, porque as fotos mostram (em parte, porque ficam aquém do que os olhos viram) a belezura que apreciamos.
 

O brilho do sol é maravilhoso para tornar as paisagens exuberantes, mas após um dia de viagem, nossos olhos estavam cansados de tanta luminosidade. Chegar ao hotel em Green River foi ótimo. Quando saímos do carro às 17h30, o calor era ainda intenso.

Estou acabando de escrever esse capítulo do meu diário de viagem no começo do dia 1 de junho e a previsão para hoje é de temperaturas entre 62 e 95 graus fahrenheit, ou seja, entre 16 e 35 graus centígrados. Seguimos para Denver.

Carminha Beltrão

Maio de 2025

2 comentários em “De Nevada a Utah: ainda atravessando o Great Basin Desert

  1. Olá Carminha

    Ótimo!!! Muito obrigado pelo texto…, e pelas ótimas fotografias!!!

    Boa viagem!!!!!!!!

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