Embora a maior cidade do Texas seja Houston e a capital do estado seja Austin, Dallas é a mais famosa.
Talvez esse fato seja explicado pela série televisiva Dallas que teve muito sucesso entre 1978 e 1991; pode ser que seja pelo assassinato de John Kennedy em novembro de 1963, o que marcou a história da cidade. Os dois acontecimentos notabilizaram-na nacional e internacionalmente.
No caso da série, que eu não assisti, mas sobre a qual vi muita publicidade, há evidências de que ela é verossímil e, talvez, represente bem o que é a elite do Texas.
Fonte: https://www.britannica.com/topic/Dallas-American-television-series
Sobre o assassinado de Kennedy, as fotos impressionam muito. Na primeira, o casal sorri enquanto, em carro aberto, passa acenando para os moradores de Dallas; na segunda, o presidente já foi alvejado e Jackie o segura e, de algum modo, encobre-o para o caso de haver mais tiros; por fim, ele já está caído no banco e ela ajuda o guarda costas a entrar no conversível e dar proteção a eles. Os que assistiam o cortejo presidencial já estão ao chão para evitar serem também alvos.
Fonte das duas fotos: https://www.megacurioso.com.br/artes-cultura/120407-17-imagens-raras-e-chocantes-do-dia-do-assassinato-de-john-kennedy.htm
Fonte: https://www.tapaaosal.pt/assassinato-de-john-f-kennedy/
A Dallas que conheci hoje guarda, em seu imaginário, essas duas representações – uma que é ficção e a outra que é fato – mas, ao mesmo tempo, já é outra Dallas, a dos negócios e não apenas os afeitos ao petróleo, como é o caso da família dos Ewings da série, donos da Petróleo Ewing Oil e do rancho Southfork, mas aqueles relativos à inovação tecnológica, especialmente informática que é ramo de destaque no Texas.
A cidade tem mais de 1,3 milhão de habitantes e compreende uma extensão muito impressionante, porque as áreas com construções são entremeadas por áreas verdes compondo um tecido urbano que alcança algumas dezenas de quilômetros, antes de se chegar ao centro da cidade.
Ademais, Dallas está conurbada com Fort Worth que tem quase um milhão de habitantes, embora entre as duas, o percurso demande quase 50 minutos de carro, porque a cidade estendida é parceira do automóvel – quando mais distante se habita, mais se depende deste veículo que é a “alma” do estadunidense. Comparativamente ao modelo de cidade europeu, a dos Estados Unidos notabiliza-se pela pouca presença proporcional do transporte público – todas as classes sociais podem ter acesso ao carro e a grande maioria das pessoas faz essa opção para se deslocar.
A chegada na cidade já impressionou pela quantidade de autopistas e viadutos, compondo um sistema de circulação rápida que, se não fosse o Google Maps para nos orientar direitinho onde converter e quando permanecer na mesma via, a gente ficaria louquinho. Apesar de tantas vias rápidas, havia congestionamentos.
Ficamos nos lembrando quando viajávamos com o mapa impresso, procurando os nomes das vias, entre as letrinhas pequenas, e íamos por ensaio e erro, ou seja, acertando aqui e voltando para tentar outro caminho acolá. Comparando a situação de hoje com aquela de antes nos surpreendemos de lembrar que dava certo. Dava, se a gente não estivesse entrando em Dallas, porque, se estivesse, tenho minhas dúvidas.
Andando de automóvel ou a pé, a todo momento que se olha para a paisagem da área central vemos edifícios modernos. Nosso filho mais novo, não sem razão, perguntou: “O que vocês vão ver em Dallas? Ver arranha-céus?” Parece que sim.






Dedicamos grande parte do dia para passear pelo centro. Assim que estacionamos nosso carro num parking, começamos a escutar vozes em protesto, por meio de um som altíssimo que nos dava a impressão de serem centenas de pessoas. Fomos nos dirigindo ao local: eram no máximo duas dezenas de pessoas, uma mulher que no microfone cantava as palavras de ordem e os demais que repetiam. Eram palestinos, protestavam contra Trump e a Suprema Corte, pelas medidas que levaram a deportação de estrangeiros. Especialmente, gritavam pela volta de uma mulher cujas fotos traziam em cartazes. Três horas depois ao passarmos novamente por perto do local, ainda permaneciam lá e a voz da mulher já estava completamente rouca.
Impressiona a atual política do governo de Trump, sobretudo quando se está no Centro-sul e no Oeste dos Estados Unidos onde a proporção de imigrantes é enorme. Em todos os lugares pelos quais passamos, eles estão realizando trabalho mais pesado – construção civil, reparos nas vias públicas, cuidados com os jardins, atendimento em supermercados, bares e restaurantes, serviços de segurança, limpeza de vidros nas alturas etc. Ademais, estamos na América e retirando os descedentes das nações indígenas nativas, o que estaticamente pouco importante, todos nós somos resultado da imigração. Segundo o software de inteligência artificial disponível no Google: “A população indígena nos Estados Unidos, de acordo com o censo de 2020, representa cerca de 0,9¨% da população total. Se considerarmos os descendentes misturados com outras etnias, esse número aumenta para quase 2,9%”
O passeio pelo centro de Dallas foi muito agradável, por causa das calçadas largas, das ruas sem excesso de trânsito e dos espaços públicos – pequenas praças e cantinhos onde há cadeiras e mesas para se ficar por um tempo.


Essas poltronas brancas, por exemplo, estão ao lado de um grande edifício, num ambiente lateral, que parece compor seu terreno privado, mas que está acessível ao público.
O espaço público de Dalas também tem mobiliário urbano e instalações lúdicas que possibilitam uma relação de brincadeira entre a cidade e o transeunte, como as bolas flutuando na água casa ou o maravilhoso olho, que está no começo deste capítulo de viagem. Ele é de uma boutique com vitrines elegantes e preços altos, que expõe a obra de arte em sua área externa.
Flanamos principalmente pela Main Street, mas também por outras ruas porque fomos e voltamos à procura dos pontos recomendados a serem visitados. Entre eles, é claro, estava o memorial ao Kennedy que, sinceramente, do ponto de vista arquitetônico não nos agradou. A minha foto não ficou boa, por isso reproduzo a do TripAdvisor.

Fonte: https://www.getyourguide.com/john-f-kennedy-memorial-plaza-l133877/
Internamente às colunas de concreto justapostas há apenas uma lápide em granito preto com o nome do presidente.
É um jazigo simbólico, porque ele está enterrado, de fato, em Arlington no estado da Virgínia. Por que foi enterrado aí? Foi essa a pergunta que me fiz e encontrei a seguinte explicação:
O Cemitério Nacional de Arlington, em Arlington, Virgínia, é o mais conhecido e tradicional cemitério militar dos Estados Unidos, fundado no antigo terreno de Arlington House, o palácio da esposa do comandante das forças confederadas da Guerra Civil Americana, General Robert Lee, Mary Anna Lee, descendente da mulher de George Washington, primeiro Presidente dos Estados Unidos (Fonte: Wikipédia)
A área por onde passava o presidente, quando foi alvejado, é marcada por essa construção de estilo bem mais antigo, que é conhecida como Red House. Pelos painéis em granito com explicações sobre o fato, que havia numa pequena praça em frente, fiquei sabendo que o carro passava por uma via lateral a este prédio, já concluindo o cortejo pelo centro principal, quando ocorreu o assassinato.
A cerca de 200 metros da esquina fatídica está o distrito denominado Historic West End, marcado por construções em tijolo à vista do século XIX, quando esta parte da cidade era caracterizada pela presença de atividades industriais e de armazenamento. Hoje, recuperada e refuncionalizada, serve de moradia, pois algumas das construções foram adaptadas para apartamentos, mas tem também pequenas oficinas e escritórios e muitas áreas de estacionamento. Por ali, se mantém os trilhos originais dos bondes por onde hoje corre um trem de superfície que tem muitos vagões e é bastante silencioso.

Visitamos a Tour Reunion, um ícone de Dallas. Gostei das instalações e da visita propiciada pela ascensão ao seu penúltimo andar permitido à visitação (no último, apenas um restaurante).
A esfera metálica que rodeia a abóbada no alto e os cabos de aço que compõem a estrutura atrapalham um pouco os registros fotográficos, mas paciência.
De lá se vislumbram as duas pontes principais da cidade, o complexo de vias e viadutos que está justo ao lado da área central e a presença de verdes entremeando o tecido urbano.




Termino o capítulo, uma foto dessas flores bonitas que estão por todo lado aqui no Texas. Elas se parecem com a russélia, que temos no Brasil, mas é mais bonita porque as hastes são mais firmes e as flores então ficam para cima, mas se mexem com qualquer ventinho.
Carminha Beltrão
Junho de 2025

























Olá Carminha!
Ótimo! Gostei!!! E confesso que estava esperando o seu blog. Chegou, trazendo Dallas!!!
Muito obrigado