Galveston e o Golfo do México

Nada mais especial do que ver o mar. Deixamos o Pacífico para trás ao sair de São Francisco e, agora, chegamos ao Atlântico pelo sul dos Estados Unidos, nessa porção tão especial que se chama Golfo do México. É inacreditável que Trump tenha proposto mudar o nome do golfo, o que parece ter sido admitido pela Google… Procurando mais informações, fiquei sabendo numa matéria na Web, que tal como aparece na imagem abaixo, a Google mudou o nome somente para quem acessar o Google Maps nos EUA. Lamentável! Então, você leitor de outro país, se acessar agora essa plataforma vai encontrar o nome que designa o maior golfo do mundo há 400 anos – Golfo do México – pois mesmo em pequeno interregno que ele foi oficialmente chamado de Golfo da Nova Espanha, continuou a ser mencionado com o nome original.

De todo modo e, apesar do Trump, o que vale é que chegamos ao Golfo do México, pela pitoresca cidade de Galveston, que fica a sudeste de Houston e se situa numa ilha, à qual se acede por meio de uma longa ponte que é muito mais alta no meio, para possibilitar a passagem de navios. Então, a sensação é engraçada, como se a gente subisse e descesse a ponte.

A origem de Galveston associa-se ao pirata Jean Lafitte, pirata francês que navegou pelo Golfo do México e pelo Caribe, no comecinho do século XIX. Era expert em contrabando, por meio do saque de navios britânicos, mas também enriqueceu fazendo tráfico de escravos. Mais tarde, em 1815, atuou na Batalha de Nova Orleans, primeiramente auxiliando os ingleses, mas depois mudou de lado e ajudou os estadunidenses, tendo em troca o perdão por seus crimes.

Pois é, embora operasse comercialmente em Nova Orleans, sobre a qual escreverei no próximo capítulo, Lafitte escondia-se nessa ilha, cuja configuração alongada devia ser valiosa para atracar as embarcações.

Depois dele, em 1890, a cidade já havia se tornado um porto importante e era a maior e a mais rica do Texas, mas passou por um furacão, em 1900, que a devastou e matou 6 mil pessoas.

A ascensão subsequente de Houston e as consequências do furacão deixaram Galveston parada no tempo. Hoje, com cerca de 60 mil habitantes, ela vive do turismo, sobretudo, e seu patrimônio arquitetônico do século XIX tem importância para essa atividade. Imagino que as praias também, não que elas sejam bonitas, porque a água do mar, na porção mais próxima da areia carrega os tons dos desaguadouros dos rios, sempre cheios de raízes e com muita areia.

No geral, o casario em Galveston é modesto para os padrões estadunidenses, pois predominam casas de madeira como as das fotos, o que mostra que não se trata de uma cidade próspera, sendo, neste aspecto, muito diferente de Houston.

O seu porto ainda tem alguma importância (agora não mais para piratas) e é ponto de parada para grandes transatlânticos.

O seu distrito histórico está ao lado do porto e hoje é o espaço principal dos turistas com seus restaurantes, bares, lojas de souvenirs, galerias de arte etc. Chama atenção o quanto há de artesanato africano à venda – roupas, máscaras, pequenas esculturas de madeira – mostrando que alguma herança do período do tráfico de escravos permanece.

Havia muita gente passeando em Galveston neste domingo e deduzi, sem qualquer informação mais adequada, que devem ser moradores de Houston e redondezas, porque sinceramente a cidade não vale um deslocamento de grande distância para conhecê-la.

Sua construção mais famosa é a Ashton Villa, construída em 1859, que foi habitada por Rebecca Ashton e James Moreau Brown. A casa passou por vários períodos e agora está novamente sendo recuperada, mas não pareceu estar aberta à visitação, pelo que o pequeno outdoor em seu jardim indica.

Reforçando o papel turístico de Galveston, lá está instalado o Moody Garden, um complexo turístico composto de hotel, parque aquático, pirâmide florestal e aquário. Fomos até lá, mas não entramos, primeiro porque o sol estava causticante e continuar andando era uma opção bem menos agradável do que procurar um restaurante para o almoço; em segundo lugar, porque o ingresso era absolutamente caro, ou talvez fosse mais adequado para quem fosse passar o dia “brincando” no parque e fazendo as visitas, o que não era no nosso caso. Os jardins são muito bonitos.

Uma delícia, em Galveston, foi conhecer o restaurante Gaido’s. Os pratos solicitados estavam muito bem-feitos (comi camarão com aspargos preparados na chapa), o ar condicionado a todo vapor, a cerveja gelada e o garçom colombiano era uma simpatia. Além de tudo, sem mais nem menos, perguntou se o almoço era uma comemoração especial – aniversário, casamento? Explicamos que Eliseu completaria idade nova em breve e lá veio ele com uma sobremesa de cortesia.

E assim passamos um domingo olhando para o Golfo do MÉXICO, MÉXICO, MÉXICO!

Carminha Beltrão

Junho de 2025

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