O título deste capítulo de meu diário de viagem faz paralelo com o nome de um dos CDs do meu marido [1] – Samba, Bossa Nova e algo mais – porque achei que caia muito bem esse “algo mais”, uma vez que, em New Orleans, vimos bandas de rock rivalizando com o jazz e o blues.
Além disso, no museu, aprendi que a Gospel também pode ser agrupada neste movimento que corresponde à contribuição musical de afrodescendente nos Estados Unidos.
O jazz é resultado de uma ótima mistura de músicas que eram tocadas em bailes, formaturas e funerais. Eram cantos de trabalho, mas também religiosos, originados na África, que se mesclaram a outros populares tanto da Europa como dos EUA.
Resultando de tal miscelânea, a característica principal é a liberdade de expressão, o que é comandado pela improvisação. A explicação dada pela Wikipédia é boa:
Jazz é uma manifestação artístico-musical originária de comunidades de Nova Orleans, nos Estados Unidos. Tal manifestação teria surgido por volta do final do século XIX, tendo origem na cultura popular e na criatividade das comunidades negras que ali viviam, um de seus espaços de desenvolvimento mais importantes. […]
As origens da palavra “jazz” são incertas. A palavra tem suas raízes na gíria norte-americana e várias derivações têm sugerido tal fato. O jazz não foi aplicado como música até por volta de 1915.
O Blues, por sua vez, é mais puramente africano e é anterior ao jazz, sendo caracterizado por uma música mais melancólica e menos sincopada. Nada melhor do que uma pequena aula sobre o tema, para se saber quais são as diferenças: https://www.tiktok.com/@legatopianoexpressivo/video/7249874317108923654.
Dá para imaginar o significado do Jazz e do Blues para New Orleans, berço desses ritmos, quando sabemos que esses hoje são ouvidos no mundo todo.
O prédio do US Old Mint, construído em 1835, funcionou como Casa da Moeda até 1909, foi também prisão e sede da Guarda Costeira, mas na década de 1970 passou a abrigar documentos, instrumentos e outros tipos de testemunhos da história do Jazz.

Fonte da foto: https://www.viator.com/en-CA/New-Orleans-attractions/Old-U-S-Mint/d675-a9794
Logo que chegamos ao museu e passamos pela recepcionista, nada simpática, achávamos que tínhamos entrado numa roubada, porque o acervo do térreo era fraco e não havia informações precisas sobre o que se tratava. Subimos ao segundo andar e, daí em diante, fomos aprendendo muito coisa sobre essa maravilhosa música nata de New Orleans.
Daqui para frente, vou escrever pouco aqui, porque as imagens são bem ilustrativas e ficam como um convite para você, leitor, escutar muito jazz no próximo final de semana.
As fotos dos principais músicos estavam organizadas em paredes vermelhas, o que tem tudo a ver com esse ritmo. Acho que seu eu tivesse que escolher uma cor para representá-lo seria justamente esta, porque o jazz é uma música quente.
Havia fotos também reproduzidas da imprensa e que trazem um clima da época, mostrando que, nos bailes, muitas vezes eram as mulheres que cantavam.
Sempre associamos o jazz ao saxofone, o que é compreensível, mas no museu eles explicam que esse ritmo pode e é tocado com apoio de vários tipos de instrumentos. Vejam que na foto de abertura, há um piano de calda que serviu para muitas apresentações de jazz. A bateria também tem seu lugar, o baixo etc.

Embora a swing do jazz tenha tudo a ver com os afrodescendentes que originaram essa música no decorrer do século XX e, ainda, no XXI mais e mais músicos se encantam com esse ritmo, entre eles homens e mulheres de origem europeia ou estadunidense.
A grande estrela do museu é Louis Armstrong, que viveu até o começo da década de 1920 em New Orleans, onde tocava pelas ruas. Foi depois para Chicago que, aliás, é outra cidade estadunidense onde o jazz é super apreciado. Numa das paredes do museu está uma fala dele que é bem representativa do que era o jazz para ele.
O contrário, o que foi ele para o jazz pode ser atestado pelo número de representações artísticas deste ícone. Que eu tenha observado e registrado, havia duas esculturas em bronze e três telas em estilos diferentes imortalizando Louis Armstrong.




Seu primeiro trompete, com o qual vivia cantando pelas ruas de New Orleans, está neste museu.
Para ter um gostinho da voz que, talvez, tenha sido uma das mais potentes do século XX, escutem Armstrong e seu trompete.
Eu, especialmente, também curto demais Ray Charles que difundiu e atualizou o jazz na segunda metade do século XX. Aliás, se não assistiram, recomendo que assistam o filme Ray de 2004, estrelado por Jamie Foxx.
Voltando ao museu, lá estão algumas vitrolas em que muito jazz foi tocado.
No entanto, gostei muito mais de ver as vestimentas dos principais artistas do jazz do que os instrumentos. Eles curtiam cores fortes, muito brilho e, especialmente, o vermelho.




Por fim, dois pôsteres que ilustram a difusão desses ritmos em festivais.
Saindo do museu, com a alma cheia e o coração quente, pegamos um bonde para ir ao CDB de New Orleans e voltamos a pé para o French Quartier. Aprendi neste trajeto que o apelido da cidade é Nola. Do nada, olho para o chão e vejo que há, em Nola, uma calçada da fama e vejam quem, com toda razão, estava lá.
Carminha Beltrão
Junho de 2025
[1] Quer escutar o CD do meu marido? https://www.youtube.com/watch?v=Au9qfy2cde0&list=OLAK5uy_m72zZssYzkxL7QfAj51ocNoMx5BcAgGKk&index=2














