L’Occitanie 1 – Areia, Ocre e Dourada

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Occitanie não é apenas relativa a uma marca de perfumes, cremes e cosméticos que, com a globalização, está por toda parte. É o nome de uma das regiões da França cuja cidade principal é Toulouse. Havia passado por ela, no verão europeu de 1995, vindo da Espanha, mas muito pouca coisa havia ficado na memória deste território tão cheio de história e cultura.

Agora, a escolha pela hospedagem na área rural e alguns dias para apreciar com calma suas paisagens, me puxaram da memória visual as lindas paisagens da Toscana. Acho que é isso: A Occitanie passa a ficar registrada no meu imaginário como uma região francesa, mas muito italiana.

Fonte: https://br.freepik.com/vetores-premium/mapa-multicolorido-de-franca-com-as-regioes_4935639.htm

Sua bandeira vermelha e amarela tem relação com a da Catalunha. No passado, as duas regiões compunham um mesmo território e os dialetos falados nele tinham a mesma origem linguística. Não sei a que se devem o vermelho e o amarelo, mas para mim, as cores oficiais da Occitanie deveriam ser areia, ocre e dourado. As rochas calcárias das construções, o trigo e os campos de girassóis compõem uma mescla de tons e subtons que encanta.

Não imaginava que fosse um região tão forte, do ponto de vista agrícola, mas acabo de verificar que é a mais importante da França, com suas 60 mil propriedades que compreendem 16% do total da produção do país (https://occitanie.chambre-agriculture.fr/chiffres-cles/agriculture-doccitanie/).

No mês de julho está acabando uma das colheitas anuais do trigo e a palha seca se espalha à medida que os grandes tratores fazem seu trabalho. Tudo mecanizado e se vê muito pouca gente trabalhando. Entremeios, estão os campos de girassóis que são de se apreciar de joelhos de tão lindos. O contraste do azul do céu ajudava a tornar os areias, ocres e dourados ainda mais vibrantes.

O enorme patrimônio arquitetônico que está fora e dentro das cidades impressiona pela diversidade e densidade das construções, pela cor clara das rochas calcárias, enfeitadas com os tons das janelas de madeira, ora pintadas de branco, ora de azul provençal, ora de verde.  Pelo que pude observar, grande parte das construções mais comuns são dos séculos XVII e XVIII. Alguns castelinhos remanescem dos séculos anteriores, e mais antigos ainda são os conventos e abadias edificados no período medieval, mas sobre estes escreverei algo em outro texto. Nota-se que há tanto imóveis ocupados pelo pequeno número de pessoas que ainda mora no campo, como também os que parecem ser segunda moradia, uma vez que estão elegantemente recuperados, com piscinas e vários carros estacionados nos finais de semana. Resta, ainda, um grande número de edificações desocupadas, precisando de recuperação.

Saint Felix Lauragais
Aragon

Na Occitanie, ficamos hospedados entre as villages Les Cassés (300 habitantes) e Saint-Felix-Lauragais (1.270 habitantes), onde Olivia nos recebeu, na sua propriedade “Laborde Pouzaque”. Ela adquiriu um grande galpão que, outrora, funcionava como: casa do proprietário rural; celeiro, onde se armazenava a colheita; e estábulo para os animais.

Ela nos contou que já morou em várias cidades francesas e, ultimamente, em Aix-em-Provence. Residiu também no nordeste dos Estados Unidos. Recentemente resolveu fazer um investimento grande, para recuperar a edificação e se mudar para um lugar tranquilo, de modo a se dedicar às suas pintuas, porque é artista plástica. A maior parte da construção é sua residência e há dois lofts para aluguel. Tudo muito bem refeito internamente, com conforto e, sobretudo, com o desfrute das lindas paisagens desta região, pois a grande edificação fica no topo de uma colina. As três primeiras fotos são do próprio AirBnB, as outras são minhas.

Laborde Pouzaque
Laborde Pouzaque
Laborde Pouzaque
Laborde Pouzaque
Laborde Pouzaque

Outra coisa maravilhosa da Occitanie, como aliás de toda a França, são as pequenas estradas, classificadas como departamentais. Optamos todo o tempo por viajar por elas evitando as autopistas, nas quais não podemos apreciar as paisagens, por causa dos panéis laterais colocados para proteger os moradores lindeiros do barulho. Em várias dessas estradinhas, alamedas formadas por árvores dos dois lados ajudavam a aliviar o calor que está intenso nessa época do ano.

Carminha Beltrão

Julho de 2022

7 comentários em “L’Occitanie 1 – Areia, Ocre e Dourada

  1. Caríssima Carminhs

    Um texto sensível…; paisagens que dizem: “venham me visitar”. Quem sabe? Muito obrigado por compartilhar esse bonito pedaço do território francês…

  2. Carminha, que delícia de leitura. A vontade é estar aí com você!!! Obrigada por mais este artigo. Forte abraço

    1. Querida Cidinha, você sabe bem que quem gosta de escrever, adora que alguém leia, então sou eu que digo obrigada. Vamos planejar uma viagem? Planejando com antecedência, podemos ir juntando o tutu e vamos curtir demais.

  3. Caríssimo Messias,Parabéns pela arqui geo-foto-grafia.”Ler o tempo”. AbraçosYamaki

  4. Oi, pai!  Realmente um livro riquíssimo e que merece ser explorado com calma. Sem dúvida uma fonte primorosa para o conhecimento da região e de altíssimo valor para a Geografia!Parabéns, pai!!  Lucas Passos 

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