Bolívia e Peru 6

Começando a subir os Andes  

Fonte: https://netnature.wordpress.com/2011/08/11/a-origem-e-a-caracterizacao-morfoclimatica-da-cordilheira-dos-andes/

Nós, brasileiros, sempre nos gabamos da extensão do nosso território, de nossa diversidade regional, da fartura de nossas bacias hidrográficas e, sobretudo, da esplêndida Amazônia. No entanto, vamos combinar que faz falta uma cordilheira de verdade.

Entre os maiores países do mundo – Rússia, Canadá, China, Estados Unidos e Brasil – somente nós não temos uma super cordilheira para chamar de nossa.

Daí a admiração que temos pelos Andes. É, em comprimento, a mais vasta do mundo, alcançando oito mil km de extensão, desde a Venezuela até a Patagônia. Em alguns trechos, alcança 160 km de largura de leste a oeste.

Aliás, uma das experiências incríveis de se atravessar os Andes é desconstruir a representação, que vem desde os desenhos que fazemos na escola básica, de que uma cordilheira é uma porção de picos enfileiradinhos.

Fonte: https://br.freepik.com/fotos-vetores-gratis/sol-cartoon/80

Atravessando os Andes na Bolívia, tanto quanto ao atravessá-lo da Argentina para o Chile, percebe-se que se trata de um mar de picos que conformam várias fileiras, muitas vezes separadas por áreas mais planas e elevadas que chamamos de altiplanos.

Essa cordilheira é tão importante, na América do Sul, que a partir dela constituíram-se culturas completas, com etnias, modos de vida e de sobrevivência que são peculiares ao seu território, tanto assim que se cunhou a expressão América Andina, para caracterizar parcelas das terras e da gente no Chile, Argentina, Peru, Bolívia, Equador e Colômbia.

As explicações para seu nome são muitas. Há a relativa à origem Aymara, que designaria “montanha que se ilumina”; há a gênese possível na palavra Quíchua Anti, referindo-se a uma “crista elevada”; pode-se ainda atribuir essa denominação a Antisuyu, relativa a uma parte do Império Inca, por meio da palavra Suyu que indica cadeia montanhosa (fonte: https://historialiteratura.com/2018/05/14/andes-montanhas-pudessem-falar/).

Neste mesmo blog, levanta-se a hipótese sobre o que nos contaria essa cordilheira, berço de tanta história e de culturas diversas:

“Se as montanhas pudessem falar, elas nos contariam uma história…” a frase anterior, adaptada, pertence à letra de If a mountain could talk da banda alemã Helloween.

Já tínhamos feito a travessia dos Andes, entre a Argentina e o Chile em duas passagens da cordilheira:  entre Mendoza e Santiago e entre Salta e San Pedro de Atacama.

Agora cruzamos essa cadeia em duas etapas. A primeira foi a que nos levou da altitude de 400 metros em Santa Cruz de la Sierra aos 2558 em Cochabamba. Vou descrever um pouco esse primeiro percurso (em outro capítulo do diário desta expedição escreverei sobre o segundo).

Saímos de Santa Cruz de la Sierra e ainda percorremos, por muitos quilômetros áreas relativamente planas. Na última terceira parte dos 481 km, começamos a subir a Cordilheira dos Andes e provavelmente chegamos à altitude mais elevada, do que a que se encontra Cochabamba, porque quilômetros antes de entrar na sua área urbana, passamos por declives.

O movimento na estrada era intenso, especialmente na parcela das maiores elevações da cordilheira. Não esperávamos que a rodovia estivesse tão boa, como a encontramos em alguns trechos, com destaque para aqueles que estão já duplicados e compõem uma autopista, que ameniza bastante a subida. Tanto o motor do carro como os nossos pulmões sentiram os aclives.

As paisagens são muito bonitas. No entanto, a combinação entre chuva fina, excesso de veículos na rodovia e falta de acostamento ou de mirantes, que possibilitassem bons registros fotográficos, deixou a sensação de que passamos, mas não degustamos suficientemente a experiência da travessia.

Foi neste trecho da viagem que alcançamos os primeiros 2.000 km desta “expedição” e, pelo velocímetro, podemos ver que não se podia alcançar grande velocidade, principalmente no trecho em que a rodovia não está duplicada, onde um caminhão segura uma fila de vários carros, que demoram para ter oportunidade de ultrapassagem. Foi tenso dirigir neste percurso.

Outra grande surpresa desta experiência de atravessar os Andes na Bolívia foi constatar o grande número de pequenos assentamentos humanos que há ao longo da rodovia. Parecem não ser muito povoados, mas mesmo assim algumas das construções têm três pavimentos.

De todo modo, a grande surpresa para mim, talvez porque estivesse influenciada pela lembrança das duas travessias anteriores, é que, neste trecho a cordilheira está coberta por uma densa vegetação e não se vê, portanto, as rochas afloradas.

Passamos pelo Lago Corani que tem 18 km2 e está a 2.700 metros de altitude.

As nuvens estavam baixas e nos impediam de apreciar o quadro completo composto pelas montanhas elevadas e pelo lago, mas mesmo assim, valeu a pena.

Carminha Beltrão

Janeiro de 2024

2 comentários em “Bolívia e Peru 6

  1. Oá Carminha

    Muito obrigado pelo relato, do qual se pode depreender o seu entusiasmo pela beleza da Cordilheira dos Andes

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