Bolívia e Peru 7

Cochabamba

Fonte: https://www.istockphoto.com/es/vector/paisaje-urbano-edificio-abstracto-forma-simple-y-arte-de-estilo-moderno-dise%C3%B1o-gm1370453446-439999162

A primeira visão de Cochabamba foi surpreendente, porque a cidade está encaixada numa bacia entre as montanhas. Desculpem a falta de enquadramento da foto, mas foi o possível com o carro em movimento. A imagem do Google Maps com o relevo, que vem na sequência, mostra melhor a situação geográfica da cidade e possibilita vislumbrar como ela se acomoda entre as montanhas.

Cochabamba é a capital de um dos nove departamentos que compõem político-administrativamente a Bolívia. Situa-se no centro do território boliviano e, por isso, é o único que não faz fronteira com os países lindeiros.

Fonte: https://www.flickr.com/photos/thejourney1972/3473435847

A cidade tem uma população de cerca de 850 mil habitantes, mas a área urbana aglomerada alcança o 1,5 milhão e se chama Região Metropolitana de Kanata, composta também pelos munícipos de Sacaba, Quillacollo, Colchapirhua, Tiquipaya, Vinto y Sipe Sipe.

Ocupa a terceira posição na hierarquia urbana boliviana, depois das áreas comandadas por Santa Cruz de la Sierra e La Paz. Aliás, as três juntas compõem o que chamam de eixo troncal da economia do país

Essa capital regional é caracterizada como centro agropecuário, comercial e industrial. Foi assim que a encontrei descrita encontrei em mais de um site, ou seja, a economia tem o perfil que se pode qualificar como “de tudo um pouco”.

Achei que é uma cidade bonita, ainda que as características gerais das cidades latino-americanas marcadas por imensas desigualdades também estejam por aqui também.

É bem verticalizada e, quando se trata do centro e dos bairros que ocupam a área urbana mais consolidada, ela se parece com muitas cidades brasileiras do ponto de vista do plano urbano e do conjunto arquitetônico.

No entanto, quando chegamos às áreas mais periféricas, a arquitetura marcada por várias edificações de 3 ou 4 pavimentos é bem estranha para o meu senso estético. Os vidros são coloridos, os telhados cheios de recortes e as cores muito fortes. O difícil é fazer uma foto sem um veículo na frente… Talvez, eles queiram se inspirar na arquitetura de Fredy Mamani, que se notabiliza, aqui na Bolívia e internacionalmente, por inovar buscando valorizar as raízes da cultura de seu povo tanto nas edificações como nas decorações internas. A conferir…

Embora essas edificações, localizadas na periferia, tenham a fachada bem acabada, as laterais geralmente nem sempre estão rebocadas como a maioria das demais construções. Estas seriam as melhores construções na periferia porque a maior parte das habitações são menores e ocupam edificações que não estão rebocadas, fazendo com o anel externo da cidade tenha esse tom de tijolo.

A estrutura urbana da cidade é demarcada não apenas pela circunscrição das serras, mas também pela presença do lago Abalay, que, lamentavelmente, estava praticamente seco neste janeiro de 2024. Imagino que no inverno, com as neves que se acumulam nos Andes e o possível degelo, ele volte a ter água. Será?

A parte central, como a maior parte da área urbana, tem o plano ortogonal. A vida pública e parte da vida político-religiosa-institucional se desenrola em torno da praça central que se chama Plaza Metropolitana 14 de Septiembre. Ali se localizam prédios públicos, com suas varandas e arcadas nas calçadas, e a catedral em ocre, como outras igrejas que já vimos na Bolívia.

Passamos boa parte da manhã em torno desta praça. Havia muita gente por ali e nas ruas circundantes, fazendo comércio de rua, filas para órgãos públicos ou simplesmente não fazendo nada, como nós que nos sentamos no Plaza Café, que se localiza no primeiro piso de um bem conservado prédio colonial, e ficamos observando a vida urbana. É de lá o registro da cúpula da catedral.

Cochabamba é chamada de cidade jardim e acho que merece este codinome, porque está florida por todos os lados.

Os ônibus destinados ao transporte coletivo, na Bolívia, são um número à parte. Lembraram os que vimos em El Salvador e na Guatemala. Pequenos, antigos, nada bem conservados, mas alegres. Além de coloridos, vários deles eram nomeados, por qualitativos que dificilmente nós atribuiríamos a um ônibus – Amor, Passion, Loucura, Plazer, Virgen de Luján, Sexy etc.

Adorei! A partir de agora, vou começar a procurar um nome para o me carro. Pode ficar sossegado, leitor ou leitora, que eu não vou pintá-lo de várias cores, ainda que eu já tenha tido um Ka azul turquesa e um Punto vermelho, mas que ele vai ter nome vai.

A cidade de Cochabamba é “abraçada” por um Cristo. Parecido ao do Rio de Janeiro.

O acesso ao Cerro de San Pedro, onde ele se localiza, pode ser feito por uma escadaria por uma escadaria de 1399 degraus (é claro que nem tentei, mas havia muitos bolivianos que, suponho, pagavam promessas fazendo este percurso). Optamos pela segunda via, a estrada que serpenteia o cerro e lá chegamos, com facilidade.

Deveria ser 12h30, o sol brilhava e a varanda que cerca o pedestal da estrada estava cheia de gente. Desde o estacionamento até o patamar onde se ergue o Cristo, foram cerca de 130 degraus (esses eu não tinha jeito de não percorrer). A visão que se tem da cidade a partir deste ponto é maravilhosa.

Imagino que Cochabamba não seja uma cidade muito visitada por turistas estrangeiros, como parece ser o caso de La Paz, porque os frequentadores deste mirante eram, neste dia, sobretudo bolivianos de origem indígena, que estavam em família. Formavam grupos para fotos em frente à estátua ou se agrupavam num cantinho qualquer para comer alguma coisa. Ao contrário do que seria para nós um lanche – quase sempre um sanduíche – eles comiam em pequenas recipientes de plástico ou ágata onde havia uma refeição completa. Muitos abriam a sombrinha para se proteger do sol. Outros compravam enormes sacos de pipoca doce que eram compartilhados entre duas ou três pessoas.

As vestimentas dos homens são parecidas à da maior parte das que veríamos entre brasileiros. No grupo das mulheres, algumas já estão bem “modernizadas”, mas era grande o número das que se vestiam à moda tradicional. A Coca-Cola acompanhava as refeições da maioria deles.

Se você for um dia a Cochabamba não deixe de visitar o Palácio Portales, mantido pela Fondación Patino, tanto pela beleza da construção e de sua decoração interna, como pelos jardins e pela boa museologia que nos oferece uma visita guiada com muitas informações importantes.

Reproduzo aqui um pouco da história deste espaço tão especial:

Ubicado en la zona denominada Queru Queru, el Palacio Portales fue construido entre 1915 y 1927, actualmente está bajo la custodia de la Fundación Simón I. Patiño con cede en Ginebra y es el edifico que alberga al Centro pedagógico y cultural Simón I. Patiño desde 1968.
El arquitecto francés Eugène Bliault diseñó el proyecto del Palacio, y fue ejecutado empleando mano de obra artesanal y utilizando materiales de construcción traídos de Europa – especialmente mármoles y maderas. El Palacio es un ejemplo de estilo ecléctico, que respondía a comienzos del Siglo XX al gusto de las élites europeas. El eclecticismo se caracteriza por utilizar elementos pertenecientes a diferentes épocas y culturas. En el Palacio Portales los distintos estilos que lo componen se fusionan de tal manera entre ellos que el resultado es un conjunto de gran armonía e integración.

Fonte: https://centropatino.fundacionpatino.org/areas/palacio-portales/

Internamente, do que mais gostei foi da sala de jogos; do lado de fora chama atenção as imensas janelas com venezianas que, segunda a explicação da guia, é que justifica o nome do palácio. Por fim, é particularmente agradável a varanda, que se encontra na porção posterior à grande construção, onde hoje funciona uma casa de chá.

Carminha Beltrão

Janeiro de 2024

5 comentários em “Bolívia e Peru 7

  1. Perguntaram sobre o motivo de tantas casas sem fachadas rebocadas? Quanto estive em La Paz, disseram que era uma forma de manter a casa com “status” de construção e não pagar impostos.

  2. Carminha, adorei os ônibus coloridos e com nomes tão originais! E gosto também quando vc mostra os contrastes de costumes, ex. as roupas tradicionais das mulheres e a coca-cola onipresente!

  3. Muito belo palácio. Como vês, estou ainda na postagem 7, mas embora indisciplinado, “perseguindo” a viagem de vocês. Beijo.

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