Cusco de novo – gente e lugares

Já argumentei, no capítulo anterior, o quanto considero Cusco especial. Não é o caso de repetir argumentos. Por outro lado, penso que sempre podemos nos perguntar por que uma cidade nos agrada mais que as outras. Ou, ainda, por que uma cidade agrada a uns e nem tanto a outros.
Uma primeira resposta rápida seria a de que somos mesmo diferentes e valorizamos aspectos que não são sempre os mesmos. Estou de acordo com ela. No entanto, acho que tem outra resposta possível, que não se opõe à primeira, mas pode complementá-la e que eu, especialmente, valorizo muito.
Tudo depende das circunstâncias: quando a conhecemos, em que etapa da vida, sob que condições de maior ou menor conforto, quem estava conosco, quais experiências vivemos, como passamos o tempo aqui ou ali.
Pois é, para mim, as duas experiências em Cusco foram interessantes, com gente de quem gosto, em lugares agradáveis e em momentos muito bons da minha vida.
Nesta cidade, há muita gente diferente oferecendo ao espectador (o turista é sempre um espectador) uma diversidade de culturas e de tipos, compartilhando o mesmo espaço. Em segundo lugar, aqui tem lugares que são bem especiais.
Adoro ficar sentada num banco da praça e me colocar a imaginar o tipo de negociação que a moça alta e loira, parecendo uma europeia nórdica, estava estabelecendo com a cusquenha que lhe tentava vender alguma bijuteria. Um vendedor, numa loja, me disse que os europeus olham muito e compram pouco. Aproveitou para me adular e dizer que, ao contrário, os brasileiros compram muito. Verdade!? Levei duas mantas bonitas desta loja, uma das quais ilustra o começo deste capítulo.
O que será que ia conversando o casal de peruanos que me deram a impressão de aproveitar o horário de almoço do trabalho para colocar o papo em dia?
A senhora que cuidava do jardim com esmero é funcionária da municipalidade ou apenas alguém que faz esse trabalho de modo voluntário?
Quantos chapéus ela vende num dia ensolarado como este?
Voltando cabisbaixa para casa, por ter vendido pouco, ou a trouxa às costas quase vazia é sinal de bons negócios?
Avó, filha e neto ou mãe e dois filhos? Ou será que a de calça amarela não tem nada a ver com a criança e o menino?
De tudo um pouco – chapéus, gorros, luvas, xales – assim o freguês não escapa.
Nas costas, sempre carregam algo, se são peruanas ou bolivianas, seja um bebê, sejam as mercadorias para vender, sejam os alimentos que vão ser levados para casa. O tecido com o qual fazem esse apoio para carregar de tudo já é vendido no tamanho certo para se ser adaptado a elas e suficiente para dar um nó forte na frente.
Se passarmos horas na Plaza Mayor, dezenas de histórias podem ser imaginadas não importando, nessa situação, se são verossímeis ou não, absurdas ou quase reais, fantásticas ou absolutamente comuns.
O que importa é se deixar levar pelo ócio que nos possibilita imaginar qualquer coisa sem ter compromisso com a verificação dos fatos.
Como sua pesquisadora de profissão, esse direito me é dado quando estou em férias como agora. Viva o ócio!

Fonte: https://mariatrusa.org/blog/sabes-cual-es-la-importancia-del-ocio-y-sus-beneficios/
Termino este capítulo, como comecei: com gente.
Como toda cidade turística, Cusco também tem representações, estereotipadas ou não, de sua cultura. Lá estavam as moças vestidas de modo bem tradicional, com um chapéu que chega a ser engraçadinho, conquistando turistas para uma foto.

Olha eu aí com elas. Deu para comprovar que, na média, as bolivianas são baixinhas mesmo, já que eu não me destaco por ser alta!

Carminha Beltrão
Janeiro de 2024








Bom dia, Carminho
Muito obrigado pelo preciso e muito bem ilustrado texto. A manta é maravilhosa!!!
Bom dia, Carminha
Muito obrigado pelo texto. Você está muito bem na foto. Merece um quadro!!!
Saudações
Adorei o texto e a sua foto muito bonita. Abraços
querida Beatriz, obrigada pela leitura. Eu estava rindo no momento da foto, um pouco porque tem um quê de ridículo, mas dois minutos depois, adorei.