Bolívia e Peru 16

Fonte: https://depositphotos.com/br/vectors/lugares.html

Cusco não vive só no passado, como pode parecer no último post que fiz, cheio de imagens de igrejas e museus. Há os lugares do presente, que apoiam a vida do turismo que, hoje, é a base econômica da cidade.

Entre os lugares que conhecemos aqui, também faço minha seleção, para falar da Cusco contemporânea.

Adorei o Restaurante Morena, que exigia antecedência e reservas para sentar-se em uma de suas mesas, mas valia a pena.

É o tipo de restaurante do qual gosto. Bem decorado, agradável, com boa comida, sem ser metido a besta, ou seja, sem grandes formalidades. A primeira refeição foi tão boa que voltamos no dia seguinte, sempre conseguindo sentarmo-nos à janelinha tão especial que possibilita ver o espaço público da Plaza de las Armas.

Os bancos do bar, logo na entrada, eu achei super bonitos. Vou tentar copiar com a habilidade do marceneiro Luiz Carlos de Anhumas.

Gostamos tanto que fomos duas vezes a este restaurante. Eu sempre escolho os pratos mais exóticos, como a carne de alpaca e o cuy (uma espécie de preá do altiplano andino). Eliseu gosta de reafirmar sua auto visão de ser um “homem das massas” e escolheu nhoque.

Já está com água na boca? Tem mais.

O cuy é saboroso, mas só recomendo para quem tem paciência de retirar fiapos de carne entre os ossinhos. O gosto da carne não é nem de porco, nem de galinha. Acho que ficaria mais próximo do pato. As batatinhas assadas à esquerda e o milho à direita estavam ótimos.

As flores que acompanham os pratos são comestíveis e gostosas.

A sobremesa foi tão deliciosa como linda, pois o bolo de chocolate com sorvete na casca de cacau ficou muito especial.

A limonada não poderia ser servida de modo mais charmoso que este, não é mesmo?

Outro lugar especial em Cusco foi o Hotel Boutique Tambo del Arriero.  Nas duas primeiras noites ficamos no Hotel Hacienda, que não recomendo por causa do excesso de grupos de turismo que dominam a recepção, dificultando a nosotros obtermos alguma informação ou sermos atendidos.

Como resolvemos passar mais um dia em Cusco, deixamos o Hacienda e encontramos lugar na mesma rua, no Tambo. Alojado num antigo casarão de dois pisos com dois pátios internos, compõem um ambiente extremamente agradável. Sintetiza uma boa mistura de elementos da arquitetura colonial cusquenha que tem influência hispânica, com objetos e mantas da cultura inca ou de outras nações indígenas.

Ficamos no amplo apartamento 102.

A recepção sempre com flores naturais e compondo um ambiente fresquinho era um oásis quando chegávamos da rua onde, apesar das temperaturas relativamente baixas no começo e no final do dia, quando a altitude é 3400 metros, o sol torna-se implacável.

Os pátios internos eram convidativos para a permanência e os vasos em barro, verdadeiros potes com plantas nativas compunham um conjunto muito agradável.

O café da manhã era ótimo e todos da recepção aos serviços de alimentação e limpeza eram super agradáveis.

O que um hóspede quer? Segundo um grande amigo que já se foi, ele quer carinho. Pois é, no Tambo você tem carinho.

Os lugares de compras em Cusco também são convidativos, embora seja necessário pensar duas vezes. O que é muito barato, via de regra, é já totalmente industrializado e, muitas vezes, não têm qualidade. O que tem qualidade não custa nada barato.

É grande o número de lojas de roupas de lã de alpaca pertencentes a redes que também estão em Lima e outras cidades. Adorei, na loja em que estivemos para comprar algumas peças, ver a foto das alpacas. Fiquei com remorso de ter degustado a carne de uma no dia anterior.

Até aqui escrevi sobre a Cusco dos turistas, mas ela é muito mais que isso e como professora de Geografia Urbana, também gosto das outras Cuscos.

 Trata-se de uma cidade de quase 430 mil habitantes, segundo a contagem feita em 2017.

Como já escrevi, foi capital do Império Inca. Atualmente é o nome dado a uma das 25 regiões do Peru e é composta de 13 províncias.

A cidade tem seu lado B, como tudo na vida. Ele é constituído de uma extensiva área residencial destinada sobretudo aos mais pobres, embora haja bairros ocupados por classes média e alta.

Os bairros mais populares têm o mesmo padrão construtivo que vimos em La Paz: imóveis sempre inacabados e prontos para continuar a subir. Todos eles deixam os ferros que estão nas colunas de concreto prontos para receber mais um ou vários pavimentos.

Alguns chegam a alcançar até a 8 andares sem elevador. Isso é bom, porque ninguém terá flacidez ou celulite. [risos]

Logo na entrada da cidade está a estátua de Tupac Amaru. Espero que eu não esteja fazendo confusão, mas deve ser o Túpac Amaru II que, de acordo com a Wikipédia, era mestiço, viveu entre 1738 e 1781. Nascido José Gabriel Condorcanqui Noguera, tinha origem nobre, mas assumiu sua ascendência indígena e conduziu uma rebelião anticolonial.

Os morros apertam o vale, por onde se estende a cidade e até o final dela.

Carminha Beltrão

Janeiro de 2024

5 comentários em “Bolívia e Peru 16

  1. Olá Carminha

    Muito obrigado pelo texto. Sigo “viajando” com vocês.

    saudações

    mmdospassos

  2. As fotos e descrições das refeições dão realmente água na boca!! A jarra da limonada é hiper linda! É a primeira vez nessa viagem que vcs tiram fotos e destacam a beleza das comidas! Excepcional!
    Carminha – decoradora: o hotel Tambo é hiper charmoso!

    1. Pois é Suzana, quem sabe após a aposentadoria me dedico a essa função de decorar, fora dos padrões dos decoradores (risos) com bastante presença de objetos que expressam uma cultura. É minha vontade, mas isso precisa de dinheiro para investir e torcer para haver quem compre imóveis assim decorados, pois nem todos curtem esse tipo de ambiente.

      1. Sobre você decoradora: pode ter certeza de que vou contratá-la um dia! Mas ainda não neste apto que estou morando na Aclimação, pois está meio difícil de me encaixar nele…E continuo pensando naquele casa (comunidade) de repouso que vc vai fazer para nós “boíssimas”! Cada casinha poderia ser um país ou vários e inspiradas nos países onde a longevidade é maior! Ex. Grécia, Sardenha, Japão…

      2. oi Suzana eu sou de fazer planos demais – uma parte eu não realizo, mas a vantagem que é sendo muitos, mesmo que só faça um porção pequena deles já me sinto satisfeita. A casa comunidade seria um grande projeto, mas ele tem que ter parceiros firmes. Penso que no nosso grupo poucos adeririam à proposta, talvez, porque ainda não tenham claro como será esse futuro próximo. No entanto, seria maravilhoso – morar perto de gente com quem temos identidades e amizade e não sobrecarregar demais filhos ou pior não ficarmos na solidão dos cuidadores.

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