Bolívia e Peru 20

Salar de Uyuni

Cheguei ao capítulo 20 deste diário de viagem “Expedição à Bolívia e Peru”. Resolvi procurar pelo significado deste número e encontrei o seguinte:

Na numerologia, o número 20 é considerado um número de dualidade e equilíbrio. Ele representa a cooperação, a diplomacia, a harmonia e a parceria. Também está associado à intuição e à sensibilidade.

Fonte: https://loja.ibrath.com/blogs/o-que-significa-o-numero-20/o-que-significa -o-numero-20

Não que eu seja supersticiosa, mas achei a descrição uma boa metáfora para designar o Salar de Uyuni, ponto do nosso roteiro de viagem, que mais amei até agora. É provável que, no decorrer deste capítulo (e talvez seja necessário mais um), eu não consiga demonstrar por que este maravilhoso ambiente tem as mesmas características do número 20, mas vou me esforçar.

Imagine você, que está lendo esse blog agora, que durante o processo de formação da Cordilheira dos Andes, por meio do dobramento de placas tectônicas que se encontraram, uma parte da água do Pacífico, subiu junto com as elevações que se erguiam. Inicialmente, formou-se um imenso lago, mas com temperaturas altas e pouca chuva, ele secou e deu origem a este salar.

Pelo que li na web, em mais de um site, trata-se do mais alto deserto de sal do mundo, com 10 mil e tantos quilômetros quadrados, e está a mais de 3.600 metros acima do nível do mar. O brilho que ele tem e a lisura de sua camada externa serviram de orientação para os astronautas da Apollo 11, em 1969.

Não bastasse toda essa imensidão de sal e a beleza da camada fina de água que, em parte dele se acumula, formando um verdadeiro espelho, essa área contém cerca de 60% das reservas de lítio de mundo.

Dois dias depois de estarmos lá, vejo uma reportagem na Folha de São Paulo, informando que este salar foi eleito símbolo do turismo na Bolívia. Não é para menos. Se quiser conhecer mais sobre esse encanto da natureza, veja https://www1.folha.uol.com.br/folha/turismo/noticias/ult338u4783.shtml .

Pusemos a nos perguntar, meu marido e eu, que lugares do mundo tínhamos visitado cujo impacto da natureza nos deixou de queixo caído e lembramos de alguns: Perito Moreno, na Argentina; Deserto de Atacama, no Chile; Cataratas do Iguaçu, na fronteira entre o Brasil e a Argentina; o Grande Canyon nos Estados Unidos… e agora o Salar de Uyuni na Bolívia. Lembramos, então, que todos ficam na América.

É claro que já viajamos mais por este continente que pelos outros, mas acho que mesmo descontando esse aspecto, podemos afirmar que, na Europa, encantamo-nos com as maravilhas feitas pelos homens, mas na América, a Natureza caprichou muito.

Que fique claro que eu estou puxando a sardinha para o nosso lado e que não há qualquer imparcialidade na minha opinião, mas para não parecer demais, lembro que também adorei a graciosidade da Baía de Halong no Vietnã, considero que pouca coisa se compara às pradarias cheias de animais na África do Sul ou ao maravilhoso deserto que conhecemos a leste do Marrocos, ou, ainda, aos fiordes na Noruega…. E ainda falta tanto para conhecer.

Acho que a visita ao Salar de Uyuni também impressionou, porque ali é o encontro de duas situações naturais muito peculiares – o salar e o deserto – o que podemos associar à “dualidade e equilíbrio” para fazer referência ao número 20.

O mesmo acontece com o seu vizinho, o Atacama, mas o salar chileno tem 1/3 do tamanho de Uyuni.

Quando comecei a escrever este capítulo, há alguns minutos, pensei: “Carminha, seja econômica, não escreva muito, pois as fotos do salar falam por si”, mas como sou uma escrevinhadora, já preenchi duas laudas, incomodando você leitor, ao invés de ir logo ao ponto. Vamos a ele.

Assim, que entramos de veículo 4 x 4, no salar, a homogeneidade da superfície já impressiona demais.

No entanto, aos poucos vamos vendo que, no salar, não há apenas o sal que restou da evaporação da água do Pacífico, mas também camadas de pó que o vento desértico joga sobre essa superfície. Essa sobreposição de camadas vai solidificando o material que está ali depositado e que, depois, pode ser recortado compondo verdadeiros blocos que funcionam como tijolos.

É assim, por exemplo, que foi construído o hotel Palácio do Sal, onde nos hospedamos.

E é, com este material, que os moradores do povoado Colchani (procurem no mapa anterior, à direita da área do salar), também construíram uma série de esculturas que são visitadas pelos turistas logo na entrada do salar.

Aliás, por meio delas, vê-se de modo mais claro as listinhas que correspondem à alternância entre o sal puro e o sal misturado com a poeira do deserto.

Segundo nosso guia, Elliot (não me pergunte por que um boliviano se chama Elliot, porque eu perguntei a ele, que me respondeu que não faz a menor ideia), a Coreia é um dos países, do qual vêm mais turistas para conhecer o salar. No comportamento, no que se refere a fazer registros fotográficos, eles são iguais aos vizinhos japoneses: adoram poses e se esquecem que têm outros na fila para fazer suas fotos. Eram os únicos com sombrinha e faziam muito bem porque o sol era efetivamente de deserto.

Apesar de, ao longe, oferecer uma impressão de superfície completamente lisa, o salar é composto de hexágonos de sal, como eles chamam as células que são desenhadas com sobressalências, por onde evapora a água que continua a existir sob a camada de sal, que se petrificou a ponto de suportar a circulação de, pelos menos, cinquenta veículos (se bem observei o número de veículos que levavam turistas).

O salar é tão imenso, que a cordilheira ao fundo fica pequena, quando a observamos a partir dele.

A brancura do salar também ajuda a gente a prestar mais atenção nos desenhos das nuvens, possibilitando paralelo com a cooperação e a parceria associadas ao número 20.

Apenas numa pequena área do salar, a água brota do subsolo, como se estivesse borbulhando, embora cinco cm ao lado das bordas das pequenas crateras, o piso continue firme o suficiente para suportar o peso de um adulto.

Vou voltar ao salar, no próximo capítulo deste diário, porque as fotos da parte mais bonita ainda estão por vir. Agora quero incluir, algumas imagens do hotel Palácio de Sal, porque acho que a hospedagem nele vale a pena, pelo conforto e pela peculiaridade da construção ser feita de sal.

E este é o teto do nosso apartamento. A foto foi tirada da cama.

Por meio da foto da fachada, é possível ver as abóbadas que compõem os apartamentos e que, por dentro, estão alicerçadas nos blocos de sal.

Fonte: https://www.lanacion.com.ar/revista-lugares/uyuni-como-nacio-el-primer-hotel-de-sal-del-mundo-con-5-estrellas-nid10082022/

Fonte: https://www.es.kayak.com/Uyuni-Hoteles-Hotel-Palacio-De-Sal.389256.ksp

São ou não são ambientes que estimulam nossa intuição e sensibilidade?

Carminha Beltrão

Janeiro de 2024

4 comentários em “Bolívia e Peru 20

  1. Carminha

    O Solar de Uyuni é uma referência maiúscula!!!! E muito divulgado mundialmente! Vocês tiveram o direito e o privilégio de constatar em locus. Parabéns, por estarem aí e, claro, pelo texto e fotos. Sigo viajando com vocês. Muito obrigado

    1. oi Messias, recomendo fortemente que vocês venham conhecer o salar – é uma viagem maravilhosa. Ficamos tristes de não ter os netos conosco aqui porque eles iriam adorar.
      Obrigada pela leitura.

  2. Carminha! Que lindas fotos do salar e ótima e inspirada comparação com a numerologia do do número 20! ( vou jogar mais esse número na loteria!).
    Adorei a foto de vcs dois abaixo do cão de sal. E também gostei muito do hotel. A cúpula de sal no quarto é surpreendente!

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