Bolívia e Peru 21

Ainda o maravilhoso Salar de Uyuni

Volto a relatar a experiência de conhecer o Salar de Uyuni. No capítulo anterior deste diário da “expedição” à Bolívia e Peru, talvez eu não tenha ajudado você, leitor, a imaginar a imensidão deste ambiente. Veja o tamanho que tem o salar, na imagem de satélite em que se representa o território boliviano, que não é pequeno, pois se trata do 5º maior país da América do Sul. Além do mais, o ambiente ocupado por ele está inserido na imensa área desértica que se situa nesta porção dos Andes.

Não apenas é o maior salar do mundo, como fica muito acima dos subsequentes neste ranking: 1º. Salar de Uyuni na Bolívia, com 10.582 km2; 2º. Salinas Grandes, na Argentina, com 6.000 km2; Chott el Jeridd, na Tunísia, com 5.000 km2.

Para uma comparação até boba, a 10ª Região Administrativa do Estado de São Paulo, cuja capital é Presidente Prudente, onde moro, tem um pouquinho mais que 11 mil km2, ou seja, o salar equipara-se, mais ou menos, ao total de mais de 50 municípios desta região. É grande demais.

Se fosse uma paisagem feia, a extensão incomodaria, mas é absolutamente lindo este salar, por isso é maravilhoso que ele seja grande e que eu possa conhecê-lo.

Há um trecho do salar que é chamado Playa Blanca, onde há o que restou de um antigo hotel também feito em sal que teve que ser fechado, por causa de problemas sanitários que provocavam poluição no salar. Ficou sendo uma parada para descanso e ida ao banheiro. Na frente, há inúmeras bandeiras de países fincadas. Olha eu aí com a do Brasil.

Fiquei em dúvida de postar essa foto, porque hoje se associa a nossa bandeira, que é de todos os brasileiros, apenas ao grupo que é partidário do ex-presidente do Brasil, no último mandato, mas penso que temos que desconstruir essa associação.

Dá para notar pela foto que a bandeira está incompleta? Várias delas estão assim pela ação do vento que não é brincadeira no deserto.

A porção mais linda do salar é, sem dúvida, aquela em que, acima da camada de sal, está depositada uma fina lâmina de água, fazendo a vez de um espelho. As fotos falam por si.

Muitas vezes, é difícil ver onde termina o salar e começa o céu.

Nosso guia Elliot gostava de fazer fotos de “ilusão”, pois a brancura do salar favorecia e ele fazia questão de vários registros. Alias, ele e todos os guias que estavam por ali com grupos menores (um casal como era o nosso caso) ou maiores (famílias numerosas, grupos de estrangeiros sob a batuta de uma agência, jovens que viajam ao estilo mochileiros).

Ele fez muitas fotos, as mais brincalhonas foram as com o dinossauro.

Veja, a seguir, a ginástica que Elliot fazia, deitado ao chão, com um pequerrucho dinossauro de plástico, orientando a posição que devíamos ficar para obter o efeito esperado.

Da foto seguinte, eu gostei demais. Equilibrando-me na vida e na mão do meu companheiro de tantos anos.

O número de carros com turistas no salar é grande – vejam os risquinhos que correspondem a pessoas andando para lá e para cá, curtindo a beleza deste espaço, como nós estávamos.

Por meio das próximas fotos, registrei um redemoinho de vento que estava se formando nas bordas do salar. É este tipo de fenômeno que leva a poeira para cima da grande superfície branca, formando, com o passar do tempo, as listinhas que constituem os blocos de sal.

Este é o carro da Hidalgo Tours, com o qual fizemos o passeio de cinco horas e meia no salar. Era alto, confortável e cheio de adesivo filme para cortar a insolação, que é altíssima.

Começamos às 14h e terminamos 19h30, mas, por volta das 18h30, o que parecia ser um enorme temporal começou a se formar no horizonte. Caíram uns pingos de água, corremos para o carro e, em 15 minutos, tudo passou.

Elliot disse que há, também, os tours de madrugada para se verem as estrelas, mas, normalmente, eles são opção, principalmente, dos coreanos.

As temperaturas, mesmo no verão do hemisfério sul, ficam abaixo de zero pela madrugada, por isso acho que prefiro a experiência diurna mesmo.

Quando o sol começa a pensar em ir embora, os carros vão se retirando do salar, mas foi possível ainda ver um lindo arco-íris.

Antes da volta para o hotel, a agência propicia em vinho com alguns petiscos para dizer tchau ao salar. Ou seria adeus?

A essa altura, já estávamos com a calça jeans completamente respingada de sal, apesar das botas de borracha que o hotel oferece, estávamos também descabelados pelo vento, mas extasiados de “beber” tanta beleza.

A agência capricha, leva mesinha, bancos, toalha e oferece uma garrafa do tinto Campos de Solana, que os bolivianos se orgulham de ser o melhor produzido no país. É caracterizado por ser um vinho de altitude, cuja produção é da região de Tarija, ao sudeste do país. Nós gostamos. Tim Tim!

Fecho o capítulo, com a última foto que fiz, já da janela do carro, quando voltávamos para o hotel.

Carminha Beltrão

Janeiro de 2024

4 comentários em “Bolívia e Peru 21

  1. Querida. As fotos são de tirarvo fôlego. Imagino o que foi ver e sentir tudo ao vivo. Só este local já valeu por toda a viagem. Sensacional! Bjos

  2. Carminha

    Além dos ótimos textos, és uma qualificada fotógrafa. Idem ao Eliseu.
    Sigo “viajando” com vocês.

    Curtam, cuidem-se!!!!!!!!!!

  3. Carminha, quanta beleza!! Fiquei abismada com o tamanho do salar! Concordo com o comentário do Messias: você é uma excelente fotógrafa! As fotos do salar se juntando com o céu e o reflexo das nuvens estão maravilhosas! Gostei muito da brincadeira com as fotos de perspectiva: Eliseu chutando o dinossauro e, depois, você mostrando o truque! Ficou ótimo!

Deixar mensagem para LEILA MARIA VASQUEZ BELTRAO Cancelar resposta