Bolívia e Peru 22

Os percursos entre o Oruro e o Salar de Uyuni (sentido norte para o sul) e, depois, entre o Salar e Potosi (sentido sul para nordeste) foram muito agradáveis nesta “expedição”. Primeiramente, cruzamos 380 km e, na segunda parte, foram mais 226 km. Mudamos pouco de altitude. Fomos de 3.735 m (Oruro) para 3600 m (Salar de Uyuni) e, depois, para 4.090 m (Potosi).

Mantivemo-nos, sempre, próximos da mesma altitude, em patamares elevados topograficamente, ainda que relativamente planos, na linha em que se assenta a rodovia.

Saímos da situação de viajar ensanduichados pelas montanhas e, agora, havia certa planura e avistávamos sempre, a 500 ou 2000 metros, os contrafortes dos Andes. A aridez da paisagem mostrava que ainda estávamos em domínios desérticos e semidesérticos.

Andamos quilômetros, sem ver uma árvore ou arbusto, no máximo, havia vegetações rasteiras que dificilmente alcançam o verde.

À medida que avançávamos pela estrada, mesmo estando sempre acima dos 3 500 metros de altitude, havia cursos d’água extensos e largos que se desenhavam no relevo, frequentemente, ladeando a rodovia. Estavam sempre secos ou com pequenos fios de água.

Fiquei me perguntando se são rios intermitentes e que, portanto, em período de chuvas, chegam a ser caudalosos ou se a ação humana e as mudanças trazidas pelo El Niño e La Niña ajudariam a explicar a secura recente destes cursos e ela é praticamente definitiva (até segundo aviso pelo menos).

Como em todos os países, sejam grandes ou pequenos, no transcorrer de algumas dezenas de quilômetros, observamos mudanças significativas, seja na paisagem natural, seja naquela que resulta da ação humana.

Nos dois trechos relativos a esse capítulo, a primeira surpresa decorreu da presença grande de lhamas ou seus congêneres: alpacas, guanacos e vicunhas. Eu me esforcei para fazer a distinção, mas nas estradas, elas nunca se parecem com as fotos que encontramos na web. Se quiser tentar, veja o site – https://www.peritoanimal.com.br/diferencas-entre-alpaca-e-lhama-23183.html.

Elas pastoreavam tanto nas áreas planas de deposição, perto do sopé das elevações dos Andes, como vinham até as margens da rodovia e nela entravam.

Além da lã que propiciam, do apelo turístico que representam, elas são criadas também por causa do valor da carne, parte da cultura andina e, aliás, provei tanto a carne de alpaca como de lhama e são muito saborosas.

Os pequenos rebanhos estavam sempre acompanhados de pastores. As mulheres são as mais presentes neste trabalho e, muitas vezes, estão acompanhadas pelos filhos.

Chama atenção que há as de pelo totalmente branco (com a poeira da secura dos Andes ficam bege), as de lã marrom e as que são preta e branco ou marrom e branco.

Durante todo o tempo da viagem, havia placas rodoviárias indicando para tomarmos cuidado e era mesmo necessário.

Logo depois de passar por essa madame da foto aí de cima, tivemos que brecar bruscamente para não atropelar outra, a marrom. Do nada, atravessou a rodovia.

A segunda surpresa foram as formas do relevo tão peculiares que encontramos e convidaram aos registros fotográficos, que nem sempre são fáceis de fazer, porque não é com frequência que a estrada tem acostamentos. 

Os dobramentos continuaram a aparecer deixando desenhos magníficos nas elevações. São tão impressionantes que parecem que foram feitos por computadores.

Quem foi o engenheiro que desenhou a linha de torres de energia elétrica bem aí para macular essa paisagem?

A terceira surpresa foram os cactos, que são a vegetação dominante, sobretudo entre Uyuni e Potosi (aparecem em outros trechos também). Eles são de alturas impressionantes e a camada de espinhos dá a ilusão, à distância, de um verde acinzentado, muito bonito.

Fonte: https://rove.me/pt/to/bolivia/blooming-cacti?gallery

Chegando a Potosi, cansados, o que encontramos? O hotel Colonial Potosi todo adornado com cactos. Um muito lindo estava na porta do nosso apartamento. Um muito lindo estava na porta do nosso apartamento. Dá para ver ele atrás da cadeira de ferro da esquerda?

Fonte: https://www.hostalcolonialpotosi.com.bo/el-hostal/

No próximo capítulo, a atenção será para Potosi.

Carminha Beltrão

Janeiro de 2024

Um comentário em “Bolívia e Peru 22

  1. Carminha

    Os teus textos continuam com a qualidade – objetividade/subjetividade – de sempre. Gostei do texto, mas, confesso, gostei mais das fotos!!!

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