A Grécia não é um país

Fonte: https://pt.greecemap360.com/mapa-tur%C3%ADstico-da-gr%C3%A9cia

Não é muito adequado escrever meias verdades num blog, mas pode ficar sossegado, leitor, que não é fake news. Apenas queria, com este título, destacar que a Grécia não é apenas um país: É uma civilização!

Há muito tempo que eu queria conhecê-la, mas parece que este é parte daquele conjunto de sonhos que demoram para virar realidade, o que só aumenta a água na boca da gente. Primeiro, foi em 2003, quando imaginava que seria possível comemorar o aniversário de casamento por aqui – seria romântico não? Sim, mas a grana estava meio curta, os filhos ainda estavam cursando universidade e era preciso priorizar a educação deles. Depois foi em 2017, viagem planejada, passagens compradas e roteiros desenhados, mas apareceu um compromisso de trabalho daqueles para os quais não era possível dizer não…Novamente, desejo não satisfeito. Agora, aqui estamos meu marido, um casal de amigos e eu, e nem sei por onde começar para registrar esta experiência.

Vamos começar pelo básico: a Grécia não é um país demograficamente importante. Com pouco mais de 10 milhões de habitantes, a sua população é menor do que a do município de São Paulo. Também não é extenso. Passa um pouquinho dos 130 mil km2, o que significa que ganha de Portugal, mas perde longe da Itália. Comparar com o Brasil, nem pensar.

No entanto, a Grécia pode ser muito bem explicada pelas configuração e posição geográficas. Seu território é meio peninsular, meio insular e banhado pelos mares Egeu, Mediterrâneo e Jônico. O país não é grande, mas como o litoral é todo recortado ele mede mais de 11 mil km, o que é muita coisa, porque o brasileiro não chega aos 8 mil km. Como a Grécia tem mais de 1400 ilhas, é litoral para caramba. Muitas destas ilhas não estão habitadas – apenas umas 250 têm gente vivendo nelas – e isso faz deste país, um território cheio de reservas naturais. A vista aérea é um mosaico de áreas rochosas, áreas cobertas por vegetação e outras áreas urbanizadas, sobretudo no litoral. Esta configuração compõe um mosaico de ocre, verde e azul, entre a terra e a água que, desde a janelinha do avião, foi bonito de ver.

Do ponto de vista da posição geográfica, a Grécia se encontra na Europa, próxima da Ásia e da África. É como se estivesse no meio do mundo, afinal, fica bem ali: entre o Ocidente e o Oriente, ou melhor entre o Norte Global e o Sul Global para lembrar conceitos mais em voga para explicar as diferenças nos dias de hoje.

Eu sei muito bem que o mapa é, antes de tudo, um instrumento geopolítico e que podemos olhar para ele com outros países ocupando o centro da tela, mas quando faço isso com o Brasil, o Chile ou a Austrália, não aparece essa centralidade intercontinental que a Grécia tem.

Eu precisaria de capítulos e capítulos deste blog para sintetizar a história da Ελλάδα (ah, sim, ia esquecendo de informar que é assim que se escreve Grécia em grego). No entanto, não é este o espaço para isso, nem eu tenho competência para tal. Então, vamos ficar com um resuminho bem simples – um pouco de coisas que eu lembro de aulas que preparei no passado, e muito que li aqui e ali, nos últimos dias, na web.

O que se pode reconhecer como povo grego tem suas origens nos Minóicos (na ilha de Creta) e nos Micênicos (no continente). Este últimos venceram os primeiros, mas depois foram dominados pelos dóricos. Este período foi, mais ou menos, de 2000 a 800 a. C.

O auge desta civilização desenvolveu-se, na sequência, entre 800 e 338 a.C., quando se estruturaram cidades-estados, que foram se multiplicando pelo Mediterrâneo, difundindo a arte e a cultura gregas, seu alfabeto, a prática de esportes, a ideia de democracia e as bases da Filosofia.

Nos cem anos subsequentes, o declínio teve início, com o domínio macedônico e, por fim, a Grécia se tornou apenas um protetorado romano.

Esta civilização foi muito importante no processo de urbanização na Antiguidade, como o mapa seguinte mostra, porque sempre que uma cidade chegava a determinado tamanho demográfico, de modo a não prejudicar a democracia, pelo grande número de pessoas, parte de sua população deslocava-se para fundar uma nova cidade, daí a oposição entre Metrópolis – cidades mãe – e Neópolis – cidades novas. Desse modo, os gregos “colonizaram”, com suas cidades, o Mediterrâneo e difundiram sua civilização.

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Gr%C3%A9cia_Antiga#/media/Ficheiro:Greek_Colonization_Archaic_Period-es.svg

Maria Beatriz Borba Florenzano[1] oferece pistas para se ter uma dimensão mais adequada do papel dos gregos no processo de urbanização. A autora informa que o tema das fronteiras nas cidades antigas era sempre tratado a partir da ideia de que era preciso avaliar até onde se podia ir, qual a extensão da área que uma cidade podia comandar, como medir um território sob domínio e proteção dela. Disso decorre que não havia separações rígidas entre os territórios de uma cidade-estado e outra, não se tratava de domínio como os romanos realizaram, mas de influência, sempre avaliando como difundir uma civilização, como convencer outrem sobre os princípios que defendiam.

Hoje os gregos não têm mais o mesmo papel e seu território é bem menor do que aquele da Grécia Clássica. As crises vividas por este país no século passado e começo do atual explica como houve uma diáspora grega. Embora pouco mais de 10 milhões de gregos vivam na Grécia, há 1,5 milhão nos Estados Unidos, 700 mil em Chipre, quase 400 mil na Austrália e número parecido na Alemanha… até mesmo no Brasil, havia, no começo do milênio, 50 mil gregos.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Gregos

Carminha Beltrão

Junho de 2024


[1] Florenzano, Maria Beatriz Borba. A cidade grega antiga em imagens: um glossário ilustrado. São Paulo: Laboratório de Estudos sobre a Cidade Antiga (Labeca), Museu de Arqueologia e Etnologia, Universidade de São Paulo: FAPESP, 2015.

3 comentários em “A Grécia não é um país

  1. Carminha, amei conhecer um pouco sobre a Grécia com vc! Desfrute o máximo que puder. Um beijo para vc e Elizeu. 🥰

  2. Oi querida.

    Estou torcendo para que vcs possam curtir essa natureza estonteante e toda cultura e história do berço da civiluzação ocidental. Continue nos presenteando com suas aventuras. Bjo.

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