Fonte: https://sportsjob.com.br/olimpiadas-2021-falta-menos-de-1-mes/
As Olimpíadas, o grande certame internacional dos esportes, que ocorre, no período moderno, a quatro anos, não tem esse nome por acaso. Teve origem na cidade grega Olímpia (em grego: Ολυμπία) e ali se realizaram na Antiguidade até serem suspensas em 394 pelo imperador romano Teodósio I.
Não tinha em minha memória referências sobre ele e imaginei que teria sido pouco importante. Verifiquei, depois, que foi o último a governar o império romano unificado, o qual, após sua morte, cindiu-se em dois – o do Ocidente e o do Oriente – ficando o território que, antes compunha a Grécia, sob o domínio da porção oriental do império, cuja capital estava em Constantinopla, hoje Istambul, na Turquia.
Falando sobre o Teodósio I, acabei fugindo do tema central – o sítio arqueológico de Olímpia – que visitamos em 20 de junho de 2024. Das edificações que compuseram esse espaço durante a Grécia Antiga, muita coisa não está mais de pé.
Era simultaneamente um santuário e um espaço destinado à prática de competições esportivas. Como santuário recebia centenas de peregrinos ao ano, os quais tendo sido atendidos pelos deuses do Olimpo, voltavam para deixar oferendas em honra a eles. Como praça de desportos também recebia muita gente, porque era usado não apenas durante os Jogos Olímpicos. Em 1989, este sítio arqueológico foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco.
Por meio da planta do sítio, podemos ter uma ideia sobre a disposição das edificações e espaços que eram muitos e de diferentes naturezas. A listinha com os nomes que correspondem aos números estão destacadas e, ao se clicar nelas, é possível acessar informações adicionais, se você leitor estiver animado para conhecer mais sobre esse sítio arqueológico.
1: Propileo noreste
2: Pritaneo
3: Filipeo
4: Hereo
5: Pelopio
7: Metroo
8: Zanes
9: Cripta (sendero con arcos, hacia el estadio).
10: Estadio
11: Pórtico del Eco
12: Edificio de Ptolomeo II y Arsinoe
13: Estoa de Hestia
14: Edificio helenístico
15: Templo de Zeus
16: Altar de Zeus
17: Exvoto de los aqueos
18: Exvoto de Micito
19: Niké de Peonio
20: Gimnasio
21: Palestra
22: Teecoleón
23: Heroon
24: Taller de Fidias (descubierto en excavaciones arqueológicas) y basílica paleocristiana
25: Baños del Cládeo
26: Baños griegos
27: Hostal
28: Hostal
29: Leonideo
30: Baños del sur
31: Buleuterio
32: Estoa Sur
33: Villa de Nerón
Como santuário, abrigava o templo destinado a Zeus. Nele, havia uma gigantesca estátua de ouro e marfim. Assentava-se sobre uma base de ébano e marfim. Arqueólogos que trabalharam neste sítio encontraram ferramentas de esculpir que teriam pertencidos a Fidias, o grande escultor grego que eles comparam a Leonardo da Vinci. A estátua tinha entre 13 e 15 metros e se perdeu durante o século V. Tal era sua beleza que foi classificada como uma das sete maravilhas do Mundo Antigo. Tudo que se tem sobre ela são descrições e imagens cunhadas em moedas, portanto, o desenho que se segue é uma pintura feita em 1815, que tenta reconstituir o que terá sido a magnífica escultura.

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Est%C3%A1tua_de_Zeus_em_Ol%C3%ADmpia
Sobre muitas coisa aqui na Grécia, há uma lenda, que via de regra exalta seus deuses. Sobre Zeus e sua famosa escultura, segundo relatou nossa guia turística, também há, como não podia deixar de ser.
Segundo ela, Calígula, o grande imperador romano, teria dado ordens de deslocar para Roma todos as grandes esculturas, cujo valor artístico era notável. Desejava que fossem removidas as cabeças dessas obras de arte para colocar a sua no lugar. Antes que isso acontecesse, Calígula foi assassinado. Os gregos, então escravizados pelo s romanos, interpretaram que a sua morte, de modo inesperado, teria sido predita pela estátua de Zeus, que sabendo do ocorrido teria dado uma grande risada, que fez com que caíssem os operários que trabalham em andaimes em volta dela. O que me pareceu interessante é que para várias das passagens históricas que a guia explicava detalhadamente, com base em estudos arqueológicos e históricos, ela acrescentava, na sequência, uma lenda, mostrando que entre realidade e imaginação, os gregos vão explicando seu mundo.
Para abrigar uma estátua tão grande o templo era majestoso. Vejam um desenho de como terá sido essa edificação. As esculturas que enfeitam o sobre-portal triangular desta construção ainda existem parcialmente e são de tamanhos impressionantes. Estão no museu muito bem estruturado que está anexo ao sítio arqueológico. Vale a visita.
Fonte: https://es.wikipedia.org/wiki/Olimpia
Olhar para as imensas rochas que compunham colunas e paredes de templos, hoje deitadas ao chão, ajudou a imaginar a grandiosidade que caracterizava no passado este espaço. A coluna foi erguida para dar a possibilidade aos visitantes de ver como eram no passado. As grandes rochas talhadas para compor as colunas, hoje caídas, indicam que eram sobrepostas e esculpidas com encaixes, porque não havia indícios arqueológicos de alguma forma de cimentação entre elas.
À medida em que se passeava pelo sítio, íamos percebendo a delimitação de várias das construções e, neste caso, tratando-se de uma edificação menos portentosa, as colunas ainda estão em pé.
Li que, em 426, outro Teodósio, o II, ordenou a destruição do santuário, visto que os romanos queriam apagar do imaginário os deuses gregos. Em algumas situações trocaram seus nomes, adotando nomenclatura em latim, em outras situações destruíram templos e obras de arte. Por cima de tudo, no caso de Olímpia, terremotos ocorridos em 522 e 551 destruíram as construções que restavam e especialmente o Templo de Zeus ficou soterrado, sob fragmentos de rochas que sobre ele caíram.
Um detalhe que me chamou atenção foi que, ao contrário, de outros monumentos gregos, geralmente construídos com mármore, a maior parte dos que se encontram neste sítio foi edificada com rochas da região, cuja formação geológica correspondia a um período, em que aquele território estava coberto pelo mar, por isso em algumas situações, a decomposição teve início e é possível ver conchas e pedaços de esqueletos de peixes que compõem o material da construção.
Uma parte interessante da visita foi conhecer o chamado estádio de Olímpia, que hoje se assemelha a um longo campo de futebol. Para se aceder a ele, passa-se por um portal de pedra que é o original. Por mais que desejasse e tivesse paciência de esperar, não pude fotografá-lo sem turistas indo e vindo, o que mostra o quanto o sítio é visitado durante o verão.
A parte da arquibancada que resta como testemunho arqueológico leva à impressão de que não eram tantos os que assistiam as provas.
Nas Olimpíadas de 2004 realizadas na Grécia foi, neste estádio, que ocorreram várias provas de levantamento de peso. A cada quatro anos, a chama olímpica continua a ser acesa neste sítio arqueológico e, mediante um jogo de reflexo das luzes solares, por meio de espelhos, a tocha é “transportada” para a cidade sede dos jogos daquele ano e depois segue carregada por esportistas de todo o mundo passando por várias cidades em vários continentes, antes da cerimônia de inauguração dos jogos.
Também foi a guia que nos explicou que os atletas competiam nus e descalços. Passavam azeite no corpo, misturado a um dado tipo de areia para se protegerem do sol. Fariam muito sucesso, na Grécia Clássica, os protetores solares de hoje, assim como uns pares de tênis Nike que evitassem que seus pés se machucassem em terreno tão pedregoso. Aliás, a guia também explicou que Nike é uma palavra de origem grega que quer dizer vitória! Ela gosta de sempre nos informar a origem das palavras e de frisar que é enorme o número das que têm origem grega.
Olha ela aí, a nossa guia, caprichando nas explicações sob o sol escaldante. Ela é muito boa, do ponto de vista profissional. Não há o que reparar. Talvez fosse mais agradável, se ela fosse um pouco mais simpática, mas a vida é assim: ninguém é perfeito!
Depois da visita ao Museu Arqueológico de Olímpia, nosso ônibus seguiu em direção a Delfos, passando pela ponte entre Rios e Antírios, que tem o nome do estadista que a idealizou – Charilaos Trikoupis. Atravessando o Golfo de Corinto, perto da cidade de Patras, esta ponte une Peloponeso à Grécia Continental.
É classificada como a segundo maior ponte estaiada do mundo e custou 630 milhões de euros, financiados pelo governo grego e pela União Europeia. O pedágio que nela se paga é destinado diretamente à França que, pelo que entendi, foi a principal financiadora deste projeto.
Fonte: https://pt.linkedin.com/pulse/ponte-rion-antirion-grega-feita-para-resistir-westphal-junior
De fato, é uma ponte bonita e me levou a pensar no papel das pontes, estas estaiadas ou de qualquer material, mas também as pontes que podemos, mental e afetivamente, edificar por meio das ideias que somos capazes de divulgar, cada um em seu campo profissional; por intermédio das amizades e amores que nos ligam a outrem e que revelam que é possível ceder, quando seria mais fácil ficar cada um na sua; via experiências plurais que nos dispomos a viver e nos ensinam sobre a diferença; bem como através das viagens que fazemos, as quais são modos de costurar, com alinhavos ou bordados bem feitos, histórias, geografias e culturas diferentes.
Viva as pontes que somos capazes de construir na vida!
Carminha Beltrão
Junho de 2024















Estou adorando tanta história! Devem estar curtindo demais! Aproveitem. Bjos
Querida Leila, é uma viagem muito legal mesmo. Espero que você conheça este país qualquer dia
Carminha
Ótimo!!!
Obrigada Messias pela leitura assídua do meu blog
Carminha querida, que delícia de textos que nos fazem viajar juntos com vocês e por isso sou muito grata.
Adorei a mensagem das pontes reais, profissionais e afetivas que você, tão lindamente reforça compartilhando as suas impressões em viagens ótimas.
Então, agradeço ainda mais porque tenho ampliado as suas pontes compartilhando com as minhas irmãs os seus textos.
Todas gostaram e pediram para eu enviar a você os parabéns e agradecimentos.
Beijos!
Querida Teca, obrigada pelos comentários e por difundir meus posts com suas irmãs. Quando comecei este blog há mais de 10 anos, meu interesse era registrar para não esquecer experiências e fatos que acho tão interessantes. No entanto, é claro, todos que escrevem gostam de ter leitores e de receber comentários carinhosos. Beijão.