
Depois de visitarmos o sítio arqueológico do Palácio de Cnossos, bem perto da capital Heraklyon, lá fomos nós fazer um percurso pela ilha de Creta.
Fonte: https://dicadagrecia.com.br/creta/o-que-fazer-em-creta-na-grecia/
Após uns 12 dias na Grécia, ficamos mais liberados da programação da agência, porque tanto em Creta como em Rodes, nossa próxima parada, a agenda era livre! Optamos pelo aluguel de um carro – um Polo vermelho da VW (como fui me esquecer de tirar uma fotografia dele?). Fizemos um bom percurso pela parte central da ilha, compreendendo o litoral do norte e do sul.
Faltou muita coisa (compare o mapa anterior com o próximo), pois não acedemos suas porções leste e oeste, onde tem muita coisa para ser vista, como depois constatei no site https://dicadagrecia.com.br/creta/o-que-fazer-em-creta-na-grecia/. Ficou, então, a sensação de querer voltar um dia. Vai ser difícil, se o euro e o dólar continuarem tão caro em relação ao real, mas sonhar não faz mal.
Era domingo, à medida em que saíamos da capital, observávamos os bairros onde vivem os cretenses, havendo, na avenida principal, palmeiras como as que dominam a paisagem do Marrocos. Nesta via de saída, predominavam os estabelecimentos voltados à construção e à decoração. Olhando as vitrines, é fácil observar que as estéticas se globalizaram – tudo muito parecido com o que temos no Brasil!
O percurso na porção norte da ilha, assim que saímos de Heraklyon foi adorável. O sol estava brilhando, a estrada ora passava entre maciços rochosos, ora serpenteava a beira mar.
A grande surpresa foi Retimno. Fomos até lá, em função da indicação de um restaurante, mas ao chegar encontramos muito mais: a boa combinação entre um balneário moderno e um centro urbano antigo.
A cidade teve origem ainda no período minóico e chegou a ter alguma importância, uma vez que foram encontradas moedas próprias do que terá sido uma Cidade-Estado, as quais foram ali cunhadas. Hoje, o sentido deste espaço é todo outro, voltado às funções turísticas.
A avenida beira mar está ocupada por edifícios, alguns de apartamentos, outros pela hotelaria, os quais, num rápido olhar, pareceram destinados a esta enorme quantidade de turistas, que agora, no verão do hemisfério norte, saem desesperados atrás de sol e mar. Uma vista da praia dá ideia da organização espacial voltada a este nicho: a areia está integralmente tomada por guarda-sóis os quais, quando deixamos a cidade, por volta de 15h, estavam totalmente ocupados.

Fonte: https://www.google.com/search?q=Retmino+gr%C3%A9cia&client=

O charme mesmo, caso você deseje conhecer Retimno, está no núcleo original, a old town, como está indicado no mapa, ou palia póli, para fazer juz aos gregos. A foto abaixo oferece uma visão de conjunto da pequena baía, tendo ao fundo um forte ou cidadela e, ao seu sopé, a cidade que se espraiou deste núcleo e que hoje é vivamente frequentada.
Esta parte antiga de Retimno foi edificada no período de domínio veneziano sobre a ilha de Creta, embora haja prédios otomanos e outros mais aristocráticos do século XVI para cá.

Fonte: https://www.google.com/search?q=Retmino+gr%C3%A9cia&client=
Foi muito gostoso passear pelas ruas estreitas, cheias de gente e de locais charmosos. A graciosa fonte logo me chamou atenção. Agora pesquisando aqui e acolá, fico sabendo seu nome – Fonte de Rimondi – e que ela é do século XVII.
Para mim, toda a graça desta fonte decorreu do menininho que, cuidadosamente, tentava limpar o rosto e as sandálias que sujaram com um sorvete que ele tinha acabado de degustar. Quantas dezenas de pessoas beberam nesta fonte e aproveitaram de sua água para mil funções diferentes? Quem sabe, houve gente que lavou roupa nela, em algumas manhãs; em tardes de domingos, pode ser que mocinhas casadoiras tenham esperado pelo amado bem neste pátio; nas madrugadas, uns e outros talvez tenham curado seus pileques bebendo desta água.

As ruas estreitas, sombreadas pelos toldos das lojas, convidavam para um caminhar sem compromissos. Toca-se um objeto em exposição numa delas, pergunta-se o preço de alguma bugiganga em outra e, assim, exercitamos o maravilhoso esporte do turista que é o de flanar sem compromisso com uma agenda pré-estabelecida. Isso foi maravilhoso, porque estávamos cansados de cumprir os horários do nosso programa.
Observem que graça o carrinho com os vasos de flores nas laterais e manjericão em cima. As cestas com flores secas não ficavam atrás, no que se refere a este modo simples e charmoso de decorar os estabelecimentos e, ao mesmo tempo, fazer a ligação com o mundo da rua. E a janela do pequeno restaurante cuja decoração são os legumes – não é demais de bonitinho?
Do que eu mais gostei em Ritimno? Do Restaurante Avli, indicado no site https://umabrasileiranagrecia.com/2023/07/dicas-de-restaurantes-em-creta.html.
As salas internas eram maravilhosas com suas paredes de pedra, mostrando a idade da edificação. O teto em madeira também testemunhava que esse ambiente viu muita coisa na vida. Reparem no lustre, que me lembrou as joias desenhadas por Salvador Dali, expostas no museu em sua homenagem na pequena cidade de Figueres na Espanha.
Apesar da maravilha das salas do restaurante, optamos por almoçar no jardim interno, onde o microclima estava agradável e o silêncio atenuava o burburinho que tínhamos experimentado nas ruas. Um dos charmes deste espaço eram os guarda sóis de crochê.
De Ritimno atravessamos a ilha de norte a sul. Nesta parte central, há vários maciços bem elevados e a aridez se evidencia, embora, em termos de Grécia, Creta seja até um território relativamente úmido.
Contar para você, leitor, que estava um sol ardente não é suficiente. Como o clima na Grécia, durante o verão, é seco, a sensação de que vamos tostar ao sol parece que nos incendeia os miolos, no meio da tarde. Como minha pressão é, no geral, baixa, muitas vezes não conseguia acompanhar a programação, mas neste dia, a proposta foi adequada para a gente se refrescar. Paramos em Preveli para umas fotos e para um sorvete.
Voltamos à capital de Creta, onde estávamos hospedados, cruzando novamente a ilha e paramos para ver um longo vale, cujo rio secou… O vento cortava, o que ajudava a amenizar o calor.
Para compensar, nas cidades, as primaveras, que provavelmente são sempre regadas, estavam floridas por todo lugar, como esta última foto e a que abre este capítulo.
Carminha Beltrão
Julho de 2024


























