Descobrindo Palos de la Frontera: um charme andaluz

Feita a visita ao Museo de lo Descobrimiento e ao parque que o abriga, avaliamos que ainda havia tempo para esticar um pouco o passeio.

Não tínhamos grandes expectativas, mas optamos por aproveitar a oportunidade, já que, no dia seguinte, começaríamos o trajeto de retorno ao Brasil. Dificilmente voltaríamos àquela porção da Andaluzia, assim fomos conhecer o povoado ao qual se vinculava o porto de onde Colombo partiu para “descobrir” a América.

Chama-se Palos de la Frontera. Ainda bem que fizemos aproveitamos a chance, porque o pueblo é um charme!

Não foi fácil encontrar um cantinho para estacionar, mas assim que conseguimos, saímos a esmo fotografando as fachadas, as ruelas e os espaços públicos.

Alguns aspectos chamaram atenção.

O primeiro deles foi a presença de muçulmanas com a cabeça coberta. A proximidade com a África do Norte me fez supor que muita gente imigra do Magreb em busca de oportunidades de trabalho. No entanto, perguntei-me: por que para esta cidade tão pequena? Eu não tinha reparado nas ruas de Huelva mulheres trajadas à moda mulçumana, mas deve haver também. Fiquei, de todo modo, sem ter uma explicação.

Um terceiro aspecto que nos sensibilizou foi a limpeza das fachadas, todas pintadinhas, bem como os beirais de portas e janelas, a maioria de márbore branco, reluzindo.

Fiquei com a impressão que tanto capricho poderia ser resultado de algum incentivo do poder público. Entramos no imóvel onde funciona o escritório de turismo e perguntamos à funcionária, que lá estava, se havia alguma política deste tipo na cidade e ela respondeu algo como: “Ah, aquí en Palos tenemos una mujer como alcaldesa. Ella cuida mucho de la ciudad, pero la limpieza viene de ser así: nos gusta vivir aquí y tener una ciudad bonita.”

Se a informação dada é correta, é surpreendente tal espírico de comunidade e pertencimento ao pueblo.

O número de idosos foi outro ponto que chamou atenção. Eles andavam pelas ruas e aproveitavam o sol. que estava brilhando. Alguns sozinhos, outros com cuidadores. Aliás, essa não é uma peculiaridade de Palos, pois este foi um ponto também de destaque em outras cidades visitadas, afinal a Europa está envelhecida. No entanto, fiquei achando que em Palos de la Frontera eles são, ainda, mais numerosos.
 

Deparamo-nos com uma edificação muito peculiar, com apliques de louça em sobre relevo na fachada. Talvez um pouco enfeitado demais para o meu gosto, mas, sem dúvida, super caprichado e marcado pelas suas singularidades.

Entramos e uma jovem simpática foi informando que era o prédio do Ayuntamiento e que podia ser visitado. Havia uma pequena exposição de fotos, sempre duas a duas, mostrando a Palos fotografada por um estrangeiro na década de 1950 e a atual. Nas fotos do passado, muitas crianças, nas ruas de hoje não vi nenhuma.

A construção é a mesma de algumas décadas, mas passou por uma reforma que lhe adicionou toda uma ornamentação de ladrilhos coloridos. Nada que se escolheria para fazer na casa da gente, mas o conjunto alegre acaba compondo um ambiente agradável para se observar numa cidade pequena. Vai saber o que pensou o arquiteto ao propor essa reforma na edificação.

No pátio interno, onde está a escadaria que dá acesso aos gabinetes de trabalho, um enorme painel sobre o descobrimento da América.

Como no restante da cidade, tudo predominantemente branco e muito limpo.

Palos de la Frontera vangloria-se de ser a terra de Martin Alonso Pinzón, que ali nasceu em 1441 que acompanhou Colombo na viagem da descoberta da América, sendo o capitão da caravela Pinta. Ademais, teve influência enorme sobre a rainha Isabel na sua decisão de apoiar a empreitada ousada do navegador genovês. Olhem a casa dela abaixo.

Tudo está caprichado nesta cidadezinha. Cada escada, cada cantinho, cada praça.

A Plaza de España parece ser o coração do espaço público de Palos de la Frontera.

Ao final da rua principal, já se aproximando da área de onde, no passado, saíram as três embarcações famosas – Santa Maria, Pinta e Niña – está a igreja principal que não conhecemos por dentro (como sempre as visitas estão restritas a horários muito específicos).

E o que mais encontramos? Elas, as cegonhas.

Por fim, fica o registro que o povo de Palos de la Frontera tem do que se orgulhar, mas digamos que um pouco de modéstia não faria mal a eles.

Fevereiro de 2025

Carminha Beltrão

2 comentários em “Descobrindo Palos de la Frontera: um charme andaluz

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