Certos vales da Califórnia

Fonte da imagem: https://www.foodandwine.com/top-wines-of-2024-8761014

Nossos primeiros cinco dias nos EUA foram em São Francisco, mas não houve tempo, nesse interregno, para escrever sobre essa cidade charmosa. Talvez, faça isso ao final da viagem…

Hoje, quero escrever um pouco sobre a principal área vinícola do país – a que se desenvolveu em Sodoma Valley e Napa Valley. Para conhecer esta região, tomamos a rodovia no sentido norte e fizemos este passeio por meio de uma agência de viagem. Se íamos beber vinho, não havia como ir dirigindo.

Uma boa surpresa do passeio foi o motorista-guia que nos conduziu. Já demonstrou que era brincalhão desde a nossa entrada no ônibus. Gostamos, de cara, do seu inglês límpido e sem contrações em demasia. Foi fácil entender a razão, quando ele nos contou que nasceu na França, morou na Argentina e veio depois para os EUA. Seu nome? Jorge. Que figura! Alto, cabelos fartos e totalmente brancos, dirigia calmamente, enquanto ia nos explicando tudo que se via no percurso, desde o centro de São Francisco até chegarmos nas vinícolas. Volta e meia uma tirada para ninguém reclamar de monotonia.

Foi boa a sensação de novamente passar pela Golden Gate. Depois de mais de vinte anos, que tinha vindo a São Francisco, havia me esquecido do quanto ela é bonita e extensa. Na ida, a névoa encobria suas porções mais elevadas.

O trânsito no contrafluxo – das cidades da aglomeração urbana para o centro de São Francisco – estava intenso e ele explicou que o motivo principal eram os preços elevados dos imóveis nesta cidade, o que empurrava muita gente para a vida nos subúrbios distantes ou nas pequenas cidades de seu entorno.

A Golden Gate Bridge foi construída para ligar um lado ao outro da entrada da baía de São Francisco, por isso ela se chamar “Ponte do Portão Dourado”, já que efetivamente ela possibilita a transposição deste “portão”.

 Foi inaugurada em 1937 e representa, em grande medida, o apogeu econômico que a cidade vivia. Foi durante muito tempo a mais extensa (2700 metros) e mais alta do mundo (pouco mais de 220 metros acima do mar), mas mesmo tendo perdido esta posição no pódio mundial continua muito visitada e fotografada.

Além das vias por onde circulam os carros, ela tem duas passarelas – uma de cada lado – para servir aos pedestres. Apesar do seu comprimento e da cerração, havia muita gente atravessando a pé.

As duas fotos que se seguem extraídas da Wikipédia, dão uma visão melhor dessa graça de ponte – num dia de sol e num de nevoeiro.

São Francisco é uma cidade em que o vento é muito forte todo o tempo. Há parques bonitos como o Yerba Buena, por exemplo, mas, no geral, ela não me pareceu muito arborizada, por isso, quando tomamos a rodovia, a paisagem verde já começou a encantar, ainda que inicialmente se mesclasse com o ocre das rasteiras.

Logo chegamos ao verde mais pleno e, na sequência, às videiras.

O plantio de uvas nesta região remonta ao século XIX, favorecido pelo clima mediterrâneo e pela presença de água, numa grande região da América do Norte em que os climas semi-áridos e desérticos predominam.

Do ponto de vista comercial, a produção passou a ter mais destaque em meados dos anos de 1970, quando os vinhos aí produzidos ficaram melhor posicionados em certames de degustação às cegas que vinhos franceses.

Nossa primeira visita foi à Roche Winery, cujas plantações de uva e os canteiros floridos embelezam tanto quanto as oliveiras.

Foi pena que os cachinhos de uvas mal tinham deixado de ser flor.

E lá fomos nós para as explicações sobre o processo de produção do vinho.

Como ninguém é de ferro, íamos aproveitando para degustar, um por um: Branco Seco, Prosecco, passando pelo Rosé, para chegar ao Pinot Noir e, depois, ao Merlot.

Você, leitor, já assistiu ao filme Sideways? Não? Então, assista, porque é muito bom.

Por causa dessa película, filmada justamente neste vale tão especial, o Pinot Noir passou a ter muito prestígio, porque ele é motivo central dos elogios de um dos personagens.

Li, na internet, que um estudo da Universidade de Sonoma mostrou que as vendas do Merlot caíram 2% por ano, logo depois do lançamento do filme, em favor do Pinot. Os produtores de vinho da região chamam este movimento de “efeito Sideways”.

Adorei o espaço desta vinícola, especialmente a mesa em torno da oliveira.

Visitamos mais duas vinícolas e entre elas almoçamos num agradável restaurante mexicano na cidade de Sonoma, mas não vou detalhar tudo isso…

Com tanta degustação e paisagens tão especiais, chegamos saciados de volta a São Francisco, no final da tarde. Por sorte, novamente, o congestionamento estava no contrafluxo: os que foram trabalhar voltavam para suas casas.

Olha ela aí de novo, agora sem cerração encobrindo seu cume. Logo, na sequência, o skyline de São Francisco e um de seus famosos bondes, com meu pedido de desculpas pelas manchas das fotos, afinal o vidro do ônibus não estava muito limpo.

Carminha Beltrão

Maio de 2025

2 comentários em “Certos vales da Califórnia

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