Deixamos Utah para trás e com ele o que poderíamos chamar de “deserto hard” e a “rodovia mais solitária dos Estados Unidos”, seguindo, agora, pela US 70, autopista que já havíamos tomado, no dia anterior, antes de chegar a Green River.
Para viajar somos, em grande parte, orientados por expectativas, que são criadas de mil modos diferentes: um documentário que assistimos, um livro que lemos, um papo com um amigo, um blog visitado na web…No entanto, somo também guiados por limites práticos: quanto podemos gastar, quantos dias dispomos para realizar a viagem, para que dia está marcado nosso voo de volta, com quem estamos viajando, se estamos com dores na perna de tanto caminhar ou fomos acometidos por um resfriado… Com tantas variáveis, as escolhas são feitas como resultado dessa miscelânea de aspectos que incidem sobre a balança, com base na qual tomamos decisões.
Por circunstâncias práticas e não por falta de expectativas, não visitamos o Arches National Park e nem fomos até Moab, uma cidadela que foi uma comunidade mórmon, depois ficou conhecida pela exploração de urânio em seus arredores e hoje vive do turismo por causa do parque e das filmagens de John Wayne e Indiana Jones que foram parcialmente sediadas ali. Li sobre esses dois lugares e eles estavam, em princípio, como hipóteses de passeio. No entanto, não fomos até lá. Por que estou, então, escrevendo isso? Acho que faço como registro do que não foi feito e o estímulo a eventuais leitores para incluir o Arches e Moab nos seus sonhos de viagem. Dizem que sempre temos que deixar lugares sem serem vistos e experiências sem serem vividas para termos boas desculpas para voltar. Entretanto, não é este o meu caso. Com os custos das viagens e a idade em que estou, Colorado never more!
De todo modo, ele vale muito a pena. Aqui se situam as maiores elevações registradas nos EUA, algo acima de 4.000 metros, o que favorece a prática do esqui em algumas de suas regiões, sendo Aspen o endereço mais conhecido internacionalmente para este “esporte”.
No mapa que se segue está o nosso trajeto com a indicação de Grand Junction, primeira parada, depois de três ou quatro dias atravessando Nevada e Utah, depois de termos deixado a Califórnia, em que nos sentimos em lugares melhor equipados de comércio e serviços.
A primeira coisa que fizemos, em Grand Junction, foi parar num centro comercial, cujo supermercado tinha prateleiras e prateleiras de remédios e pudemos encontrar, tanto Vitamina C como pastilhas para a garganta. De comida e bebida, havia de tudo e já nos abastecemos para o lanche na rodovia.
No entanto, o melhor de Grand Junction não é o seu supermercado, mas sua proximidade do Colorado National Monument, outro parque entre os muitos que há no Oeste estadunidense.
Ele abriga formações geológicas que foram trabalhadas nos últimos 225 milhões de anos, pelo vento e pela água. Tem mais de oito mil hectares e está super bem preparado para receber visitantes.
Num domingo de sol, percebemos que grande parte dos visitantes era das proximidades ou, ao menos, do próprio estado de Colorado, pelas placas dos carros. Havia muitos amantes de bike, corajosamente pedalando pela excelente via asfaltada, que tem 35 km e possibilita que se visite uma parte considerável do parque, relativamente em pouco tempo. Há trilhas que demandariam um dia para serem feitas e muita energia esportiva para suportar os aclives.
Adorei a visita ao parque e é fácil compreender, porque no século XIX, os espanhóis batizaram esse território de Colorado. Tem tudo a ver com os tons ocre avermelhados de suas formações geológicas. Vamos lembrar que os EUA tomaram essa região do México que, por sua vez, foi colonizado por espanhóis que, por sua vez, tomaram as terras das nações indígenas que aí estavam há séculos. Viviam ali, quando chegaram os europeus por essas bandas, arapahos, cheyennes, comanches, kiowas, pawnees e utes. Li em algum lugar que foram os espanhóis que fizeram o batismo, mas é provável que alguma entre essas nações indígenas, em suas línguas, tenha dado a este território nomenclatura que também fizesse referência a essas paisagens tão marcantes.












Quando descemos do carro e observamos as formações mais de perto, vimos que a vegetação, que se encontra no parque, nasce nas fissuras das rochas, em solo arenoso que deve ter sido depositado pelo vento. Em outras palavras, o solo que dá vida às plantas não é resultado da decomposição da rocha que está ali, mas sim da areia que é transportada pelos ventos (apesar de geógrafa, pouco sei de Geomorfologia, por isso posso estar totalmente enganada).


Quando se chega às porções mais elevadas do parque e se tem uma visão de conjunto e do tamanho do cânion, chega-se à conclusão que nós, humanos, somos nada ou quase nada, quando estamos olhando as coisas do ponto de vista do tempo geológico e das extensões que têm esses monumentos naturais.





Várias casas de padrão médio para alto estão situadas nos arrabaldes de Grand Junction, todas elas com projetos arquitetônicos que propiciam a vista do parque.

Antes de pegar a estrada para Denver, um lanche para repor as energias.
À medida em que nos afastávamos de Grand Junction e nos aproximávamos de Denver, transitávamos das áreas secas para as mais úmidas. O céu começava a ficar mais nublado, o relevo mais coberto por vegetação e a rodovia corria ao lado do Rio Colorado.

Ele é caudaloso, suas águas descem com velocidade e havia muita gente praticando rafting no final da tarde de domingo. Pena que não consegui fazer uma foto dos esportistas do dia.
A rodovia corre pelo cânion desenhado pelo rio que, em alguns trechos, é tão estreito que uma pista da estrada está elevada acima da outra, sob a forma de viaduto.
Em alguns trechos, apesar do final da primavera no hemisfério norte, as montanhas ainda cobertas de neve clareavam a paisagem.

Carminha Beltrão
Junho de 2025






Que paisagens magníficas!!!! Fica o desafio para buscarmos mais sobre a geologia do lugar!
É verdade Leila, você e Leo adorariam conhecer lugares como estes, muito afeitos aos esportes e caminhadas.
Olá!Fico muito grato pela partilha, obrigado. Cumprimentos, Carlos MaiaLisboa, Portugal
Obrigada Carlos. Como você chegou ao meu blog?
Carminha
Muito obrigado pelo texto. E, duas vezes muito obrigado pelas fotos….
Curtam!!!!!!!!!