Embora os espanhóis, no século XVI, tivessem procurado outro no território que compreende, hoje, o estado de Colorado e nada tenham encontrado, no século XIX, o metal precioso foi achado e levas de mineiros acorreram em busca de riqueza. Assim, uma parte dos Estados Unidos que era praticamente despovoada tornou-se demograficamente importante.
Denver foi fundada em 1858, na junção de dois rios: Platte e Cherry. O clima agradável, ainda que no sopé das Rochosas, e a situação geográfica favorável, porque a presença de cursos d’água facilitava a circulação de pessoas e mercadorias, tornaram Denver um importante entreposto comercial, que fazia possibilitava o abastecimento de um grande território em crescimento econômico e rápido povoamento.
Em 1876. tornou-se capital do estado, mas nem tudo foram flores, como a descrição trazida na Wikipédia denota:
A região do atual Colorado era escassamente povoada até a década de 1850. Em 1858, porém, minas de ouro foram encontradas na região. Em apenas um ano cerca de 50.000 pessoas, entre imigrantes e habitantes do leste norte-americano, haviam migrado para a região. O súbito crescimento populacional da região causou problemas entre os mineiros e os nativos que viviam na região, que reivindicavam a posse da região. Os mineiros instituíram um território, que foi chamado de Território de Jefferson. O governo norte-americano não reconheceu o território, e, no lugar, criou o Território de Colorado, em 1861.
Diversos conflitos entre brancos e nativos ocorreram no Colorado, nas décadas de 1860 e 1870. Em 1864, por exemplo, uma milícia branca mataria, no que ficou conhecido como o Massacre de Sand Creek, 150 cheyennes e arapahos, a maioria mulheres, crianças e idosos. Em 1868, 50 soldados do exército foram emboscados por nativos. Estes soldados lutaram por diversos dias, até serem salvos por tropas norte-americanas. A última batalha entre brancos e nativos no Colorado ocorreria em 1879, no Massacre de Meeker.
A Denver que vejo agora (pelo olhar de uma turista que não é suficiente para apreender os conteúdos mais profundos) deixou para trás os massacres que marcam sua origem. É bem provável que estigmas de diferentes tipos ainda atravessem as relações com os descendentes de “nativos”. Por outro lado, são louváveis as boas iniciativas de museus que guardam a história da cidade e seus personagens, bem como a manutenção de parte do seu patrimônio arquitetônico, como as construções vitorianas do século XIX.
No conjunto, é uma cidade extremamente moderna, com pouco mais de 700 mil habitantes, entre os quais os mexicanos são bem numerosos e isso é notório porque eles estã0 trabalhando nos serviços de atendimento e limpeza de todo tipo, então nós turistas a todo momento estamos nos relacionando com eles.
O perfil moderno da cidade aparece em alguns edifícios destacam-se na paisagem.
Adorei a visita ao Dever Art Museum, cujo painel de entrada ilustra o começo deste texto. O prédio é icônico e no site indicado a seguir vocês encontram fotos mais bonitas que a minha e informações sobre a equipe que é responsável por esta linda edificação
(https://www.archdaily.com/80309/denver-art-museum-daniel-libeskind).

Este prédio da foto compõe um complexo cultural, com mais duas edificações com obras de arte e uma outra, mais antiga, que abriga a principal biblioteca de Denver. Esse complexo está na área central, muito perto do capitólio (vou escrever alguma coisinha sobre ele logo mais) e da área onde estão as principais instituições associadas ao poder Judiciário no estado do Colorado. Para ligar duas dentre estas edificações, há uma galeria de vidro que passa por cima da rua e na qual duas esculturas apreciam a vida, uma olhando para a cidade e a outra para nós que passávamos de um ambiente ao outro do museu.
Observem o que a escultura vê da janela.
É justamente o fato de o museu estar integrado ao espaço público que me fez dar nome a este capítulo de meu diário de viagem. É adorável ir andando pela rua e ver que o museu vai além dos edifícios e está presente no espaço público também, com esculturas que estão dispostas em frente ao lindo prédio e logo adiante na praça-parque que o integra a outras edificações, algumas públicas e uma delas de apartamentos de classe média.
Nada mais designativo da arte contemporânea do que a escultura que está bem diante do museu. A foto não é boa, do ponto de vista de que não deixei nada para referência e, por isso, não é possível imaginar como essa vassoura e pá de lixo são grandes.
Outras obras estão lá entremeando os prédios do complexo cultural.
O museu embora seja denominado de arte moderna, tem obras de vários movimentos e diferentes países. Entre as exposições temporárias, por exemplo, chamou atenção uma denominada “Fases Lunares” que é composta de grandes potes brancos que eram usados pela elite coreana nos séculos XVII e XVIII. À primeira vista parecia monótona aquela sala, mas lendo os painéis, sabendo que esses potes eram usados para várias finalidades e que o nome da exposição faz referência ao fato de que, embora aparentemente iguais, os potes, como a lua, nunca são idênticos, porque argilas e queimas diferentes tornam o esmalte dos vasos distintos entre si, relativamente ao formato e aos tons do branco ao que se chama hoje de nude.
Passeamos pelas salas com obras do século XVIII e XIX, de pintores ingleses e holandês; do século XIX e principalmente XX, com pintores estadunidenses; pela pequena galeria de quadros dos impressionistas. O que mais chamava o olhar dos que passavam era o de Van Gogh apesar de ser um dos menores da sala, porque brilhava de longe.
O que mais gostei foi das obras de arte das coleções da África e da América, todas mostrando a cultura de seus povos ancestrais. Até vaso marajoara havia por lá. Deixo o registro de algumas delas.
Adorei os pentes africanos.


O colar de prata e turquesa pertence à nação navaja e a pesquisa indica que deve ter sido feito no decorrer do século XIX. O artista é anônimo.
Também adorei as várias obras que são de artistas contemporâneos que buscam recuperar a arte de seus ancestrais, adotando técnicas e/ou materiais e/ou cores e/ou formas que eram utilizados por eles. Esta vestimenta, por exemplo, foi usada recentemente numa apresentação de balé e foi confeccionada por uma artista, recuperando a arte das roupas usadas em cerimônias e festas na África.
A maravilhosa instalação que se segue é feita por guirlandas de flores de tecido. No cantinho esquerdo da foto, objetos feitos por mulheres das Ilhas Bikini. A bolsinha ficou conhecida no mundo inteiro, segundo a informação contida no museu, porque Jackie Kennedy, quando lá esteve, foi presenteada com uma dessas e passou a usá-la em várias cerimônias oficiais para dar visibilidade a esta tessitura de palha tão fina, delicada e perfeita, que parece ter sido feita por máquinas.
Numa das salas estavam expostas obras de arte feita com crochê e tricô, fazendo uma mistura interessante entre essas técnicas longevas de tecer e os personagens representados aludindo-se, pelo que eu senti, a bonecos de desenhos animados ou ilustrações atuais.
O traje completo de um indígena que vivia no Colorado chamou atenção pelos detalhes coloridos sobrepostos à vestimenta e aos sapatos de couro.
Por fim, a obra que mais gostei no museu, tanto pelo efeito cênico que ela provoca, como pela técnica que lhe dá origem. Trata-se de um painel, cujo tamanho deve ser 5 x 6 metros. Acho que a foto não é suficiente para causar o impacto que ele me causou.
Adorei a mescla entre o cinza prateado, o vermelho queimado e o marrom, bem como as dobras que o tecido faz.
Fiquei mais impressionada ainda ao chegar perto e verificar que ele é feito de tirinhas costuradas em tecido (as vermelhas à direita na foto), entremeadas por tirinhas de alumínio de embalagens de bebidas (as prateadas e com inscrições de marcas que estão à esquerda no detalhe que se segue).
No térreo do prédio principal do museu, há uma lojinha, como é corrente no mundo todo hoje em dia. Havia réplicas maravilhosas de vasos, xícaras, mantas, esculturas, pôsteres de quadros etc. Tudo absolutamente caro. Se a intenção era popularizar a arte, não cumpre o objetivo.
Deixamos o museu com a alma lavada, como diriam os antigos, porque a beleza faz muito bem para o espírito.
Logo adiante nos deparamos com o Colorado State Capitol que está edificado numa pequena colina que o posiciona acima do nível topográfico médio da área central. Acho que gostei mais do capitólio de Sacramento pela sua brancura, mas este é, sem dúvida, mais portentoso. Segue a foto que fiz e a do seu site oficial.

Fonte: https://capitol.colorado.gov/
Tínhamos vontade de conhecer tanta coisa em Denver que não fizemos a visita ao prédio, mas gostamos de estar em seus arredores e ver os jardins que serviam de “casa” para alguns homeless que estavam aproveitando o sol da manhã. O jardim é grande, eles eram poucos e não quis que ficassem identificados, por isso só a vegetação aparece na foto e, na seguinte, o esquilo que também mora nesta praça.
Dali seguimos para a 16th Street, a principal rua comercial do centro de Denver. Ao longo dela, estão galerias e pequenos malls com lojas, cafés, restaurantes de fast food principalmente. Trata-se de uma rua, em grande trecho, preparada para os pedestres, mas não apenas para eles passarem e comprarem, mas sobretudo para eles estarem. Havia bancos e mesas ao longo de todo percurso e ali se via gente de todas idades, gêneros, raças e condições socioeconômicas. O horário do almoço não favorecia permanecer ao sol, mas alguns ali estavam às 13h e outros transitavam de bicicleta ou patinete.
Também nesta rua, está a torre que se segue. Pelo mapa seria da Union Station, mas estou em dúvidas, porque já cansados, após 6 ou 7 horas em que fizemos a pé mais de 7 km, não encontramos a fachada desta estação de trens que seria um point a ser visitado.
Almoçamos num restaurante situado na 16th street, cuja comida não tinha nada de especial, como aliás é o mais comum nos EUA.
Tudo isso faz parte do que é chamado de LoDo (Lower Downtown, ou seja, centro baixo).
Por fim, conhecemos a Larimer Square, com suas construções em estilo vitoriano, a maior parte delas com tijolos aparentes. As boutiques pequenas tinham vitrines caprichadas e, na maior parte dos casos, preços proibitivos para uma brasileira, que paga quase seis reais por um dólar.
A parte mais bonita da rua não passa de uma quadra, mas ali também o espaço público é muito valorizado.
Sempre há o que fica sem ser visto, como a Union Station e o Cherry Creek North, que é descrito como um paraíso do consumo, pois são 16 quarteirões com lojas, galerias e restaurantes, apenas as de griffe são 160.
Para terminar o capítulo com arte, deixo registros de outras obras que estão pela cidade.
Carminha Beltrão
Junho de 2025





























Olá Carminha
É muita arte, cultura, beleza…
Muito obrigado por mais este “texto-foto”.
Saudações
mmdospassos