Terminando o diário de uma viagem, que já acabou há várias semanas
Nas vezes anteriores que estivemos na capital da Áustria, nosso foco foram as visitas associadas ao patrimônio e ao legado do Império Austro-Húngaro, como é comum entre os turistas que vem a essa cidade.
Esse império foi constituído entre 1867 e 1918. Compreendia-se como uma monarquia dual, como o nome denota, em que tanto havia relativos graus de autonomia entre os dois impérios, como poderes compartilhados entre eles. Cobria boa parte da Europa Central e do Leste e se estendia total ou parcialmente sobre as terras dos seguintes países atuais: República Tcheca, Eslováquia, Eslovênia, Croácia, Bósnia e Herzegovina, Polônia, Ucrânia, Romênia, Itália, Sérvia, Romênia e Montenegro. O mapa etnolinguístico do império dá uma visão do mosaico de origens nacionais e línguas que o compuseram.
Territórios extensos, poder geopolítico, cobrança de impostos, casamentos que propiciavam fortunas que se adicionavam e tudo que foi típico de sociedades que viveram a passagem do poder da aristocracia para a burguesia compõem, provavelmente, os fios da trama que explica a Áustria atual.
A figura central do período da monarquia dual foi o Imperador Francisco José, cujo reinado durou 68 anos (1848 a 1916). Nasceu em 1830, portanto, aos 18 anos assumiu o trono e nele ficou até sua morte. Considerando-se a longevidade de seu tempo, ele viveu muito e intensamente.
Fonte: mikroman6 / Getty Images
Descrevem-no como: – hábil politicamente, pois teve capacidade de manter relativas estabilidade e unidade neste compósito multicultural, cujas diferenças geravam constantemente tensões, – austero, no sentido que se considerava o primeiro funcionário público do império e mantinha uma rotina de trabalho rígida, inclusive com horários demarcados de trabalho; – moderno, na medida em que promoveu mudanças importantes em Viena, ao derrubar as antigas muralhas medievais e implantar a Ringstraße, uma avenida circundada por palácios, museus e edifícios públicos, entre eles o prédio principal da Universidade de Viena.
Sua vida foi marcada por tragédias familiares. Primeiramente, seu único filho homem, que seria herdeiro do trono, cometeu suicídio em 1889; depois enfrentou a morte da Imperatriz Sissi, com quem havia se casado em 1854; por fim, seu sobrinho que seria o herdeiro do trono, Francisco Fernando, foi assassinado em Saravejo, o que o levou a declarar guerra contra a Sérvia, decisão que contribuiu para dar início à 2ª Guerra Mundial e depois à dissolução do império.
Sissi teve um papel importante na composição das representações positivas sobre o império e daria para escrever muita coisa sobre ela ou levantar a bibliografia que deve existir sobre essa personagem tão especial.
Fonte: https://ensinarhistoria.com.br/linha-do-tempo/assassinato-de-sissi-imperatriz-da-austria/
Buscando na internet a filmografia que sobre ele existe, encontrei muitas películas:
- A Trilogia Sissi (1955–1957): Dirigida por Ernst Marischka e estrelada pela lendária Romy Schneider, esta trilogia austríaca (Sissi, Sissi: A Jovem Imperatriz e Sissi e seu Destino) eternizou a imagem idealizada e romântica da imperatriz na cultura popular europeia.
- Ludwig (1972): Dirigido pelo mestre italiano Luchino Visconti. Aqui, Romy Schneider reprisa o papel de Elisabeth anos mais velha, mas em um tom dramático e realista, mostrando sua relação complexa com o rei Luís II da Baviera.Corsage (2022): Protagonizado por Vicky Krieps, o filme foca em Elisabeth ao completar 40 anos. É uma desconstrução moderna e melancólica do mito de Sissi, abordando sua obsessão por beleza, o envelhecimento e o sufocamento da vida na corte.
- Sisi & I / Sisi & Ich (2023): Longa austro-germânico focado no período final da vida de Sissi, narrado a partir da perspectiva de sua última dama de companhia, Irma Sztáray.
- A Imperatriz (Die Kaiserin, Netflix): Lançada em 2022 e estrelada por Devrim Lingnau e Philip Froissant. A série foca na chegada de Sissi à rígida corte de Viena, mesclando o romance com as intensas conspirações políticas do império.
- Sisi (RTL / Globoplay): Série alemã em várias temporadas lançada em 2021 (estrelada por Dominique Devenport e Jannik Schümann), que traz uma abordagem visualmente requintada e mais madura da relação entre Sissi e o imperador Francisco José.
Eu assisti ao filme mais notabilizado e à série recente, mas estou me prometendo neste segundo semestre de 2026, assistir aos demais. Se você, leitor, não conhece nada sobre ela, sugiro que comece pelo filme estrelado por Romy Schneider.
Tanto é difícil compreender como tanto poder se concentrou num império, como explicar seu declínio rápido. Apesar da sua dissolução, o patrimônio constituído pelos austríacos permaneceu em paisagens urbanas e rurais, que parecem ter sido desenhadas; em edificações monumentais que permanecem como testemunho dos tempos áureos; em pinturas, dentre as quais o legado de Klint se destaca; mas, sobretudo, na música, muita música, afinal este império foi o berço e o ambiente de vida de Mozart, Beethoven, Haydn, Schubert, Strauss, Liszt entre outros.
Como frisei, nas viagens anteriores a Viena, segui o mesmo programa da maior parte dos turistas. Visitamos o Palácio Hofburg moradia principal dos monarcas da Casa de Habsburgo (que reinaram entre 1279 e 1918), entre os quais se destacaram, além de Francisco José, a Imperatriz Maria Tereza (1717-1780) e seu filho o Imperador José II (1741 – 1790). Foi neste palácio que nasceu Maria Leopoldina, primeira esposa de Dom Pedro I e primeira imperatriz do Brasil.
Fonte: https://conheciecurti.com.br/hofburg/
Hoje, o palácio abriga a presidência da república, o Museu Sissi, com visitação aos seus aposentos imperiais (visita que recomendo), a Biblioteca Nacional (Österreichische Nationalbibliothek) e outras instituições.
Também visitamos, nas outras viagens, o Palácio de Schönbrunn, que era a residência de verão dos monarcas, conhecido como a Versailles de Viena, cujos jardins me impressionaram muito pela extensão e beleza.
Fonte: https://turismo.eurodicas.com.br/palacio-de-schonbrunn/
Fonte: https://www.hellotickets.com.br/austria/viena/visita-guiada-palacio-schonbrunn/a/pa-7719
Nesta terceira vinda a esta cidade com tanta história, fizemos outras escolhas. Na latitude em que se encontra Viena, durante o verão, o dia se estica até pouco depois das 21h, de modo que tínhamos tempo, mesmo após as atividades do congresso, de passear pela cidade.
Tudo foi facilitado pela aquisição de um passe semanal para o transporte público, oferecido pela empresa ÓBB: foi um bom modo de vivenciar Viena como um vienense. Não que não houvesse também turistas nos transportes públicos, mas predominavam os moradores da cidade. É uma maravilha, porque a cidade é toda servida por metrô, bondes elétricos, ônibus, além de contar com uma rede de ciclovias que abrange grande parte do espaço urbano, razão pela qual este é um modal muito usado por seus moradores.
Fomos três vezes ao centro principal da cidade, por razões diferentes. Primeiramente, para conhecer a igreja de São Estevão, que fica na praça Stephansplatz, à qual se tem acesso pela estação de metrô de mesmo nome. É considerada o centro espiritual do catolicismo na Áustria. Seus telhados em ladrilhos coloridos, registrados na foto que abre este capítulo, destacam-se na paisagem urbana desta área que funciona como o coração atual da cidade.
Havia hordas de visitantes dentro e fora da catedral magnífica. Ela convida à contemplação, porque é cercada por calçadões largos, o que propicia a distância necessária para apreciar seu conjunto, para se impressionar com sua altura, para refletir sobre o poder da igreja e do catolicismo.

Hoje, segundo a Wikipédia, mais da metade dos austríacos ainda se declaram católicos romanos, seguem os ateus e agnósticos que correspondem a 22%, os islamitas a 8% e os cristãos ortodoxos a 5% aproximadamente, além de outras religiões ou crenças com percentuais menores.
Meu marido, na terceira vez em que fomos ao centro, subiu na torre da igreja e de lá fez fotos muito lindas.


Em volta desta edificação, símbolo da importância do catolicismo na Áustria, mas também de legado arquitetônico que os tempos áureas deixaram, turistas param para as fotos; carruagens puxadas por cavalos esperam pelos fregueses, que desejem sentir um gostinho da Viena Imperial; muita gente, mas muita gente mesmo passa apressada, parecendo apenas ir ou voltar do trabalho ou das compras.
Não muito distante da catedral, está o chamado Triângulo do Ouro, caracterizado pelo comércio elegante no centro histórico de Viena, composto pelo amplo Calçadão da Graben, pela Kärntner Straße e pela Kohlmarkt.
Ali, situam-se as lojas das principais grifes internacionais – Chanel, Gucci, Dior, Louis Vuitton, Cartier, Tiffany, Rolex, Hermès etc. – com preços nas vitrines que não são para qualquer um. O consolo parcial de ver tanta coisa bonita e não comprar nada, é que muitos modelitos são um pouco exagerados e eu não teria mesmo nenhum lugar para ir com eles.
Também neste coração da vida comercial vienense, havia uma das muitas farmácias que observamos por onde andamos, que são dedicadas à comercialização de cannabis, a popular maconha. Fiquei me perguntando, se a venda ocorria apenas para fins terapêuticos e procurando uma fonte para me informar, encontrei o artigo do link que se segue e, então, compreendi que a resposta é cheia de detalhes: https://www.donaulife.com/pt/legaliza%C3%A7%C3%A3o-da-cannabis-na-%C3%81ustria

Os restaurantes e cafés espalham-se com suas mesas, ocupando parte do largo Calçadão que há nesta área central. Como nós brasileiros, temos sol quase o ano todo, vivemos procurando uma sombra, mas os europeus preferem as mesas ao sol, mesmo nos horários em que as temperaturas passavam um pouco dos 27 graus centígrados. Eles suavam e pareciam curtir demais essa intimidade com o astro rei.

Imagino que o verão em Viena não se prolongue por mais de 60 ou 70 dias, e eles gostam de se vestir para tal: as mulheres com roupas mais coloridas, com predomínio dos rosas e azuis, usam bolsas de verão, algumas vezes de palha; os homens com calças caqui ou brancas, acompanhadas de jaquetas ou blazers de gabardine, quase todos com camisas de linho ou polo; muita gente de tênis de cores claras e óculos escuros, alguns com bonés, outros com chapéus. Assim, era a “fauna” que, ao sol das 17h (horário de pico das temperaturas em Viena), tomava sua taça de vinho branco ou seu café com uma fatia de torta doce numa das mesas dispostas na rua.
Parecia haver gente de todas as nacionalidades, mas à medida em que passávamos, chamavam atenção as falas de italianos, espanhóis, franceses, alguns brasileiros. Pelos biotipos, víamos que também havia muitos indianos, chineses e oriundos do Oriente Médio, os quais reconhecíamos pelos trajes das mulheres (os homens estão completamente ocidentalizados nas vestimentas e elas continuam com o corpo, a cabeça e, algumas vezes, o rosto encoberto).
Durante os dias que passamos em Helsinque, gostamos de escutá-los falar finlandês, língua que, por incrível que pareça, tem uma sonoplastia parecida com a do japonês. Agora em Viena, escutando o alemão, mais uma vez constatamos que há línguas que são duras, enquanto outras são suaves (o alemão fica no primeiro grupo), mas também há diferenças entre os sotaques, afinal quando escutamos nossos colonizadores, ficamos assustados de perceber o quanto eles falam menos macio que nós. Penso que os brasileiros não falam o português, mas o cantam, cada um no seu ritmo – o mineirês, o baianês, o carioquês…
Pois é, apesar da dureza da língua falada na Áustria, fiquei sem formar uma opinião sobre a personalidade da nação austríaca, até porque parece que entramos em contato com eles poucas vezes. No hotel em que nos hospedamos, por exemplo, havia atendentes asiáticos e de outras nacionalidades. Aquelas com quem mais conversamos foram uma mexicana e uma portuguesa (nascida no Brasil, ainda que, antes, tenha se apresentado como portuguesa, do que deduzi que na União Europeia vale mais a pena se identificar como lusitana do que como sul-americana).
Continuando nosso périplo pelo centro, observamos que, como em Baden, Viena também tem sua Coluna da Peste.

Já no primeiro dia, entramos numa igreja menor para também conhecê-la por dentro, a igreja de São Pedro.

Mal colocamos o pé para dentro, um senhor nos ofereceu entradas para um concerto que ocorreria ali no dia seguinte. Eu já tinha olhado as opções de concertos de música clássica para fazer um programa deste tipo e, portanto, já essa possibilidade já estava no horizonte. Foi fácil ele nos vender dois ingressos, tanto porque já queríamos mesmo assistir a um concerto, como porque ele era bom de conversa para vender seu “produto”. Só, ao final, que deduzimos pelo colarinho da camisa e pela postura que ele era um padre.
A igreja de São Pedro é pequena, aconchegante e maravilhosamente adornada.


Em nosso segundo dia de passeio em Viena, fomos novamente ao centro principal, passamos pela praça que dá acesso aos aposentos de Sissi, vimos mais algumas vitrines e entramos por volta de 20h e pouco, na Igreja de São Pedro. O concerto começou às 20h30 em ponto e saímos dali uma hora e pouco mais tarde, quando a noite já tinha caído. Estávamos leves pela beleza que os quatro músicos nos propiciaram – três violinos e um violoncelo. A boa escolha das músicas, passando por Mozart, Beethoven, Bach; a acústica da igreja; a iluminação dourada; o silêncio – tudo foi muito especial e adequado a uma pausa que propicia introspecção. A sensação é que saímos maiores e, paradoxalmente, mais leves. Esses músicos do Império Húngaro-Austríaco eram geniais!

O pitoresco foi daí a alguns minutos, ao entrarmos na grande estação Stephansplatz, a central do metrô U1, vimos a loira magrinha que foi a principal concertista da noite, indo para casa (esta que está à esquerda na foto). Já tinha deixado o vestido preto e longo com o qual ela aparece na foto. Vestia, então, uma bermuda justinha, estava de tênis e carregava sua bike. Deduzimos que iria de metrô até uma dada estação e completaria seu percurso pedalando, como tantos austríacos fazem. Se tivesse apenas cruzado com ela na estação vestida como estava, não suporia que era a musicista tão especial que tive a oportunidade de apreciar.
Outra grande edificação situada no centro principal e testemunho do período imperial é a que abriga a Viena State Opera.

Como a foto que registrei não faz jus à grandiosidade do prédio, inclui duas de melhor qualidade extraídas da web.


Fonte das duas fotos: https://arsecultur.com/blog/visitar-la-opera-de-viena
Nestes dias em Viena, também gostamos de percursos que fizemos fora do centro da cidade. Por exemplo, a ida do nosso hotel para a estação ferroviária onde embarcamos para Melk foi feita por bonde (eu gosto mais do que de metrô, geralmente encapsulado em túneis, porque podemos verdadeiramente degustar a paisagem urbana).
Também utilizamos o bonde para irmos a um bairro mais distante, onde se situava uma loja especializada em tintas artísticas (um verdadeiro supermercado com tudo que vocês podem imaginar para artistas).
Esses trajetos serviram para conhecer um pouco dos bairros de Viena e observar que não há grandes diferenças socioeconômicas expressas na paisagem. No geral, os prédios são de padrão médio; pelas fachadas é possível deduzir os tamanhos médios dos apartamentos e verificar que as distinções socioespaciais não são tão significativas.
Quando tomamos o trem regional (Melk e Baden) e nos afastamos da área urbana mais densa, encontramos casas, algumas mais parecidas com pequenos palacetes, que deduzo pertenceram a famílias ricas no século XIX, mas a maioria relativamente singelas.
Conversando com a recepcionista do hotel brasileira/portuguesa (ela se chamava Eduarda), perguntamos por quais razões deixou Portugal (a mãe e a irmã ainda moram lá no Algarve) para trabalhar em Viena, e a resposta foi direta: “Ganho mais que o dobro e os aluguéis não são tão caros. Em Lisboa, eu compartilhava uma moradia alugada com duas amigas e aqui tenho meu canto sozinha, consigo viajar todos os anos para o Brasil (onde moram avós, tios e primos) e ainda guardo dinheiro”. Foi fácil deduzir que o padrão salarial é bom na Áustria e isso, é claro, reflete-se nesta fisionomia urbana pouco marcada por diferenciação socioespacial.
Chamou demais minha atenção, como havia ocorrido, em 2022, em Copenhagen e nesta mesma viagem em Helsinque, o grande número de pessoas que se locomovem de bicicleta. Tem de todo tipo, para toda idade, com carrinho atrelado para bebê, com suporte para crianças um pouco maiores, com armação e capa para os dias de chuva, com cestinha para levar as compras etc. Enfim, as pessoas pedalam e pedalam e pedalam, mas em ótimas condições: carros têm que parar diante das faixas de pedestres e das ciclovias; elas são largas, bem-sinalizadas e pavimentadas sem qualquer pequeno obstáculo que possa vir a causar uma queda para os que andam sobre duas rodas. Aliás, para terem uma ideia da importância das bikes, coloco aqui uma foto que deveria ter incluído no capítulo sobre Baden, mas me esqueci – é do bicicletário que fica em frente à estação ferroviária – havia umas 60 bicicletas ali guardadas que deviam estar esperando seus proprietários que foram trabalhar ou estudar ou fazer compras em outro endereço da metrópole.
Vendo a importância da locomoção por bicicleta, lembrei-me do meu então orientando João Pedro que estudou, para seu trabalho final de graduação, a ciclovia do bairro Ana Jacinta em Presidente Prudente, cuja implantação custou milhões do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento dos governos Lula e Dilma). Esta ciclovia começa no bairro e acaba no nada, sem chegar, efetivamente, a propiciar a ligação de seus moradores a outras áreas de trabalho na cidade. Está com a pavimentação estragada, não tem sinalização, em alguns trechos os galhos das árvores já tomaram a ciclovia… Então, é fatal que eu pergunte: Por que, em relação a alguns aspectos, estamos fadados a sermos pior que mais ou menos?
Nosso último dia em Viena, foi um sábado. Voltamos ao centro, porque queríamos comprar uns presentinhos para a família. A animação era a mesma das duas vezes anteriores, mas agora com a diferença que havia muitas crianças. Como o mês principalmente dedicado aos passeios e viagens no verão europeu é agosto, as famílias estavam justamente com aquele espírito de começo das férias – energia total – a molecada reinando e o vozerio ecoando.
Para fechar nossa estadia nesta cidade tão especial, almoçamos num restaurante italiano, cujo dono e os garçons eram, de fato, oriundos da bota e, portanto, conversavam com Eliseu nesta língua herdada do latim, como a nossa. A comida estava boa, a mesinha na calçada bem-posicionada oferecia uma vista especial de uma parte da catedral.
Desistimos de revisitar a Galeria Belvedere que já conhecíamos das viagens anteriores, porque o espírito da volta tomou conta de nós – era preciso arrumar malas, separar papeis, fazer check-in digitalmente etc.
Perdemos, assim, a oportunidade de rever ao vivo algumas das grandes obras de Klimt. Foi pena, porque O Beijo já tinha nos impressionado demais quando o vimos, pelo tamanho e pelo brilho que emana. Fico com essa imagem retirada da web, não é a mesma coisa, mas serve para nos sensibilizar a imaginação.
Fonte: https://guiadoestudante.abril.com.br/dica-cultural/o-beijo-analise-da-obra-de-gustav-klimt/
É assim mesmo, sempre há o que não foi visto. Dizem os chineses (não me lembro quem me contou sobre isso ou onde li sobre tal), que deixamos de ver algo, para termos motivo para voltar. Em que pese esta crença chinesa ou este desejo, retornamos para o hotel, imaginando que dificilmente voltaremos a Viena. A relação euro x real não está nada favorável e como a idade avança é necessário escolher muito bem as viagens que ainda teremos tempo e dinheiro para fazer na vida. No entanto, nunca se sabe...
Como esse texto, leitores (Hum…. isso ficou demodê, o in hoje é dizer seguidores e eu já devo ter uns 7 ou 8. Risos), termino meu diário de viagem à Helsinque, Viena e arredores. Viajar é bom demais, o difícil é que, na volta, há tanta coisa acumulada por fazer, que ou deixo de redigir as últimas seções do meu diário de viagem ou ocorre, como desta vez, faço isso um bom tempo depois do retorno.
Carminha Beltrão
Agosto de 2026




















