Grécia 15 – Novamente a ilha de Rodes

A Ordem de Malta ou Cavaleiros Hospitalários (oficialmente Ordem Soberana e Militar Hospitalária de São João de Jerusalém, de Rodes e de Malta) é uma organização internacional católica que começou como uma ordem beneditina fundada no século XI na Palestina, durante as Cruzadas, mas que rapidamente se tornaria numa ordem militar cristã, numa congregação de regra própria, encarregada de assistir e proteger os peregrinos àquela terra e de exercer a caridade. Tem como Santo Padroeiro São João Batista.  Atualmente, a Ordem de Malta é uma organização humanitária reconhecida como entidade de direito internacional privado. A ordem dirige hospitais e centros de reabilitação. Possui 13 500 membros, 80 000 voluntários permanentes e 42 000 profissionais da saúde associados, incluindo médicos, enfermeiros, auxiliares e paramédicos.

Carminha Beltrão

Julho de 2024

Grécia 14 – Rodes

Fonte das informações e da imagem: https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2015/11/novo-colosso-de-rodes-quer-ser-o-marco-megalomaniaco-da-grecia-pos-crise.html

Carminha Beltrão

Julho de 2024

Grécia 13 – Ainda a ilha de Creta

Depois de visitarmos o sítio arqueológico do Palácio de Cnossos, bem perto da capital Heraklyon, lá fomos nós fazer um percurso pela ilha de Creta.

Fonte: https://dicadagrecia.com.br/creta/o-que-fazer-em-creta-na-grecia/

Após uns 12 dias na Grécia, ficamos mais liberados da programação da agência, porque tanto em Creta como em Rodes, nossa próxima parada, a agenda era livre! Optamos pelo aluguel de um carro – um Polo vermelho da VW (como fui me esquecer de tirar uma fotografia dele?). Fizemos um bom percurso pela parte central da ilha, compreendendo o litoral do norte e do sul.

Faltou muita coisa (compare o mapa anterior com o próximo), pois não acedemos suas porções leste e oeste, onde tem muita coisa para ser vista, como depois constatei no site https://dicadagrecia.com.br/creta/o-que-fazer-em-creta-na-grecia/. Ficou, então, a sensação de querer voltar um dia. Vai ser difícil, se o euro e o dólar continuarem tão caro em relação ao real, mas sonhar não faz mal.

Era domingo, à medida em que saíamos da capital, observávamos os bairros onde vivem os cretenses, havendo, na avenida principal, palmeiras como as que dominam a paisagem do Marrocos. Nesta via de saída, predominavam os estabelecimentos voltados à construção e à decoração. Olhando as vitrines, é fácil observar que as estéticas se globalizaram – tudo muito parecido com o que temos no Brasil!

O percurso na porção norte da ilha, assim que saímos de Heraklyon foi adorável. O sol estava brilhando, a estrada ora passava entre maciços rochosos, ora serpenteava a beira mar.

A grande surpresa foi Retimno. Fomos até lá, em função da indicação de um restaurante, mas ao chegar encontramos muito mais: a boa combinação entre um balneário moderno e um centro urbano antigo.

A cidade teve origem ainda no período minóico e chegou a ter alguma importância, uma vez que foram encontradas moedas próprias do que terá sido uma Cidade-Estado, as quais foram ali cunhadas. Hoje, o sentido deste espaço é todo outro, voltado às funções turísticas.

A avenida beira mar está ocupada por edifícios, alguns de apartamentos, outros pela hotelaria, os quais, num rápido olhar, pareceram destinados a esta enorme quantidade de turistas, que agora, no verão do hemisfério norte, saem desesperados atrás de sol e mar. Uma vista da praia dá ideia da organização espacial voltada a este nicho: a areia está integralmente tomada por guarda-sóis os quais, quando deixamos a cidade, por volta de 15h, estavam totalmente ocupados.

Fonte: https://www.google.com/search?q=Retmino+gr%C3%A9cia&client=

Fonte: https://www.tripadvisor.com.br/Attraction_Review-g189421-d8336890-Reviews-Rethymno_Beach-Rethymnon_Rethymnon_Prefecture_Crete.html

O charme mesmo, caso você deseje conhecer Retimno, está no núcleo original, a old town, como está indicado no mapa, ou palia póli, para fazer juz aos gregos. A foto abaixo oferece uma visão de conjunto da pequena baía, tendo ao fundo um forte ou cidadela e, ao seu sopé, a cidade que se espraiou deste núcleo e que hoje é vivamente frequentada.

Esta parte antiga de Retimno foi edificada no período de domínio veneziano sobre a ilha de Creta, embora haja prédios otomanos e outros mais aristocráticos do século XVI para cá.

Fonte: https://www.google.com/search?q=Retmino+gr%C3%A9cia&client=

Foi muito gostoso passear pelas ruas estreitas, cheias de gente e de locais charmosos. A graciosa fonte logo me chamou atenção. Agora pesquisando aqui e acolá, fico sabendo seu nome – Fonte de Rimondi – e que ela é do século XVII.

Para mim, toda a graça desta fonte decorreu do menininho que, cuidadosamente, tentava limpar o rosto e as sandálias que sujaram com um sorvete que ele tinha acabado de degustar. Quantas dezenas de pessoas beberam nesta fonte e aproveitaram de sua água para mil funções diferentes? Quem sabe, houve gente que lavou roupa nela, em algumas manhãs; em tardes de domingos, pode ser que mocinhas casadoiras tenham esperado pelo amado bem neste pátio; nas madrugadas, uns e outros talvez tenham curado seus pileques bebendo desta água.

As ruas estreitas, sombreadas pelos toldos das lojas, convidavam para um caminhar sem compromissos. Toca-se um objeto em exposição numa delas, pergunta-se o preço de alguma bugiganga em outra e, assim, exercitamos o maravilhoso esporte do turista que é o de flanar sem compromisso com uma agenda pré-estabelecida. Isso foi maravilhoso, porque estávamos cansados de cumprir os horários do nosso programa.

Observem que graça o carrinho com os vasos de flores nas laterais e manjericão em cima. As cestas com flores secas não ficavam atrás, no que se refere a este modo simples e charmoso de decorar os estabelecimentos e, ao mesmo tempo, fazer a ligação com o mundo da rua. E a janela do pequeno restaurante cuja decoração são os legumes – não é demais de bonitinho?

Do que eu mais gostei em Ritimno? Do Restaurante Avli, indicado no site https://umabrasileiranagrecia.com/2023/07/dicas-de-restaurantes-em-creta.html.

As salas internas eram maravilhosas com suas paredes de pedra, mostrando a idade da edificação. O teto em madeira também testemunhava que esse ambiente viu muita coisa na vida. Reparem no lustre, que me lembrou as joias desenhadas por Salvador Dali, expostas no museu em sua homenagem na pequena cidade de Figueres na Espanha.

Apesar da maravilha das salas do restaurante, optamos por almoçar no jardim interno, onde o microclima estava agradável e o silêncio atenuava o burburinho que tínhamos experimentado nas ruas. Um dos charmes deste espaço eram os guarda sóis de crochê.

De Ritimno atravessamos a ilha de norte a sul. Nesta parte central, há vários maciços bem elevados e a aridez se evidencia, embora, em termos de Grécia, Creta seja até um território relativamente úmido.

Contar para você, leitor, que estava um sol ardente não é suficiente. Como o clima na Grécia, durante o verão, é seco, a sensação de que vamos tostar ao sol parece que nos incendeia os miolos, no meio da tarde. Como minha pressão é, no geral, baixa, muitas vezes não conseguia acompanhar a programação, mas neste dia, a proposta foi adequada para a gente se refrescar. Paramos em Preveli  para umas fotos e para um sorvete.

Voltamos à capital de Creta, onde estávamos hospedados, cruzando novamente a ilha e paramos para ver um longo vale, cujo rio secou… O vento cortava, o que ajudava a amenizar o calor.

Para compensar, nas cidades, as primaveras, que provavelmente são sempre regadas, estavam floridas por todo lugar, como esta última foto e a que abre este capítulo.

Carminha Beltrão

Julho de 2024

Grécia 12 – Creta, um labirinto e muita história

A situação geográfica de Creta é muito especial. Ocupa posição central no Mar Egeu, tendo a noroeste a Grécia continental e a nordeste a Turquia, como o mapa anterior mostra. Mudando a escala da observação, nota-se ainda melhor o privilégio de sua localização: ela está estrategicamente situada entre a Europa e África, a meio caminho do Oriente.

É uma ilha grande com seus 8.336 m2, mas voltando à comparação com a de Marajó que tem 49 mil, k2, ela não é tão grande assim. Tudo é relativo, está claro, porque a Grécia também é menos extensa que o Brasil.

De todo modo, é uma ilha bonita e com muita história. Atualmente, tem mais de 600 mil habitantes. Sua capital é Heraklion, com cerca de 170 mil habitantes, que sedia o porto onde atracou o navio que nos levou à ilha.

A van que nos aguardava, com um motorista para lá de educado, andou algumas centenas de metros pela avenida beira mar e já chegamos. O vento não deixava as palmeiras em paz.

Mal nos instalamos no hotel, seguimos a pé para o centro da cidade e ficamos muito impressionados com o movimento de gente nas ruas – havia turistas (a gente reconhece de longe), mas também moradores da própria cidade que, pelas práticas, denotavam viver seus cotidianos. As lojas na rua central de pedestres ainda estavam abertas, os bares e restaurantes lotados (inclusive o que escolhemos para jantar), casais com os filhos passeando na praça. Achamos Heraklion superanimada.

Jantamos no ótimo Restaurante Pastarella. Os italianos e sua culinária estão por todo lado. Neste dia, saímos duplamente da linha: – a comida estava maravilhosa e ainda comemos uma pequena sobremesa; – tomamos duas garrafas de vinho, pela primeira vez, não que a gente não tivesse tido vontade em outras noites, mas em euros os preços são, por vezes, proibitivos.

O melhor de tudo foi observar, quando a conta chegou, que apenas uma garrafa foi cobrada. Tivemos 30 segundos de crise ética, mas logo lembramos que a segunda garrafa foi trazida por um garçom, que a pegou na adega ao lado de nossa mesa e, na hora, não fez o registro daquele pedido no celular por onde enviam os pedidos para a cozinha e as despesas para o caixa. Concluímos que não haveria perigo de ele ser cobrado.

Voltamos para o hotel mais leves, pelo vinho, e com a sensação (boa, é claro) de ter feito alguma coisinha errada. Todos gostamos de transgredir!

Ao cair da noite (no geral, o sol se punha às 21h), ainda foi possível apreciar algumas edificações bonitas que estão nesta área central.

Sendo a maior ilha da Grécia, que tem mais de um milhar delas, Creta caracteriza-se por ter traços culturais muito próprios, em função de já ser sido ocupada pelos minoicos, desde o século III a.C., bem antes do florescimento da Civilização Grega, que a dominou, como depois ter estado sob influência de outras sociedades e culturas.

Em micênico, era chamada de Keresijo (que significa cretense); teve um nome árabe Iqrīṭiš (اقريطش); em grego, chamou-se Kerete (Creta), que no alfabeto deles foi Κρήτη e depois Κρῆτες. Esses muitos nomes não são uma peculiaridade qualquer, porque revelam as múltiplas influências que este território e seus povos, no plural, receberam.

Segundo a interpretação dada pela mitologia grega, foi ali que cresceu Zeus e viveu o Minotauro, sobre o qual volto a escrever alguma coisinha adiante.

Lendo um pouco sobre a história de Creta, eu mesma resolvi dividi-la em fases. Não fiz isso com qualquer critério de natureza científica, mas apenas para resumir as informações, o que é sempre um risco se algum especialista for ler este blog (risos).

Uma primeira, que terá se iniciado há 130 mil anos, foi marcada pela ocupação de assentamentos humanos que praticavam a criação de animais e algum cultivo. O maior desses assentamentos foi Céfala que depois seria Cnossos. A bem da verdade, por serem assentamentos de vida agrícola e ainda não haver propriamente uma sociedade de classes, essa primeira fase seria mais bem conceituada como a pré-história de Creta.

A segunda fase corresponde à da Civilização Minoica, situada nos primeiros séculos do 3º. Milênio a.C. Pelo que li foi, talvez, a mais importante para a ilha, dado o papel que ela exercia para toda a Europa, pois Creta chegou a ser o centro cultural e comercial mais importante do Mediterrâneo Oriental. Com esse destaque, esta civilização depois se irradiou para o continente. Manteve relações com o território vizinho, mas também fez circular suas mercadorias – vinho, azeite, cerâmica, tecidos e joalheria – até a Sicília e o Egito. Eles desenvolveram uma escrita que ainda não foi decifrada, mas muitas das suas lendas foram transmitidas oralmente e depois difundidas por Homero.

A terceira fase tem início com o domínio dos minoicos pela Civilização Micênica que ocupava o território continental, hoje parte da Grécia. Com esta ocupação. Desestruturou-se no final do sécul XV a.C a Civilização Minóica, para o que também terá contribuído a erupção do vulcão Thera e os tsunamis causados por este evento natural.

A existência de cidades-estados independentes marca o começo do quarto período, cujo eventos principais foram o ataque romano à ilha no ano de 71 a.C. iniciando a anexação de Creta ao famoso império e, posteriormente, com a divisão dele, a ilha passou ao Império Bizantino, que correspondia à porção oriental do romano.

As influências não param por aí, porque entre os anos 823 e 961, a ilha foi ocupada pelos árabes, depois retomada pelos bizantinos, sendo que mais tarde passou às mãos da República de Veneza compondo o que considero uma quinta fase, marcada por muitos eventos e pouca estabilidade.

Em 1645, tem início a sexta fase, a partir da ocupação dos turcos, que introduziram o Islamismo Sunita, embora na ilha se praticasse o Cristianismo Ortodoxo Grego.

Por fim, em 1898 tornou-se um estado independente para, na sequência ser anexada ao Reino da Grécia em 1908, compondo uma sétima fase.

Ufa! Quanta luta política, quantos poderes, quanta riqueza de influências. Uma miscelânea. Disso, resulta que a população atual de Creta é um pouco turca, um pouco grega, com umas pitadinhas romanas e árabes. Tudo junto e misturado.

No dia seguinte, começamos nosso passeio pela visita ao Palácio de Cnossos, que fica nos arrabaldes de Heraklyon. Depois de vários dias andando com guias, lá fomos nós quatro conhecer o sítio arqueológico e tentar decifrar nos folhetos e nos painéis explicativos o significado de cada achado sobre a civilização minóica.

Mal chegamos, havia um personagem inusitado nos esperando calmamente. Acho que não percebeu nossa ilustre visita, porque nem olhou para nós, nem decidiu nos saudar com a abertura da cauda.

O palácio representa a força que os minoicos chegaram a ter. Terá tido, pelas escavações feitas e achados realizados, 20 mil m2, muitas salas e andares, adornados por esculturas e pinturas. Em torno dele, viveram entre 25 mil e 50 mil pessoas, mostrando a pujança deste reinado, que era teocrático, porque o rei era chefe político e religioso.

Destacou-se o Rei Minos e a lenda do Minotauro, que ele teria mantido aprisionado. Essa lenda foi depois apropriada pela Mitologia Grega, para a qual esse monstro era parte humana, parte touro, porque nasceu de uma relação sexual entre Pasífae, esposa do rei, e um touro dado por Poseidon. Consta que era um touro lindo. Não que sua imagem me remeta à beleza, mas sabemos que os padrões mudam com o tempo.

Fonte: https://www.infoescola.com/mitologia-grega/minotauro/#google_vignette

Como o Minotauro alimentava-se de seres humanos, o rei decidiu pelo seu aprisionamento em um labirinto no subsolo do palácio, construído pelo arquiteto Dédalo.

Quando Minos derrotou Atena, deusa das artes e da sabedoria, e matou um de seus filhos, ela resolveu se vingar e enviou muitos homens e mulheres atenienses com o objetivo de matar o Minotauro. Depois de insucessos e muitas mortes, o escolhido para tarefa tão difícil foi Teseu, que se apaixonou pela filha de Minos, Ariadne, e foi, por ela, ajudado com um novelo de lã e uma espada mágica.

Com a espada matou o monstro, com o novelo de lã marcou o caminho no labirinto e conseguiu sair dele depois. Puxa vida, quanta interpretação esta lenda possibilitaria – os psicanalistas que o digam, mas nem me atrevo a tal.

Na Galeria de Arte Moderna de Bolonha, tem uma pintura de Pelágio Palagi, que retrata o momento em que Ariadne entregou o novelo de lá para Teseu.

Fonte: https://www.nationalgeographic.pt/historia/minotauro-o-monstro-do-labirinto_3339

Tem muitos desenhos e ilustrações diferentes sobre esse labirinto na internet. Resolvi reproduzir três representações dele para vocês, leitores, verem se conseguem chegar ao Minotauro. A primeira está cunhada numa uma moeda do século V a.C., hoje no Museu Nacional Romano, em Roma. A segunda corresponde a um mosaico encontrado em Loigersfelder, na Áustria, e que hoje está no Museu de História da Arte em Viena (fonte: https://www.nationalgeographic.pt/historia/minotauro-o-monstro-do-labirinto_3339). A terceira, a que abre este capítulo do meu diário de viagem, não conheço a fonte, porque ao clicar na opção “gerar com Inteligência artificial” ela apareceu. Até agora não sei se foi produzida a partir da mescla de muitas imagens, ou se ela realmente existe como uma pintura, em algum museu do mundo.

As escavações e recuperações arqueológicas ainda estão curso neste grande sítio arqueológico, mas há muita coisa para ser feita em termos de pesquisa por lá. Valeu a visita. Se quiserem mais informações, há mais fotos do que as que posto aqui e um bom resuminho no site https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/almanaque/palacio-de-cnossos-gloria-de-uma-civilizacao-perdida.

A observação da sala do trono do rei mostra pelas dimensões que, embora o reinado fosse poderoso, o conforto não deveria ser muito grande. Um volta do fogo, alguns bancos. Chama atenção os afrescos que, depois de alguns milênios, sem ainda tintas de base química, ele permanece bem legível.

Hoje a área do entorno do palácio é bem utilizada pela agricultura. Entre vinhedos, oliveiras e verduras, fiquei me perguntando o que esses moradores devem pensar sobre Minos e seu Minotauro.

Carminha Beltrão

Julho de 2024

Grécia 11 – Santorini e um sapatinho de cristal 

Carminha Beltrão

Julho de 2024

Grécia 10 – A Ilha de Delos

 Grécia 9 – Milkonos, a ilha

Fonte: https://dicadagrecia.com.br/mykonos/o-que-fazer-em-mykonos

Fonte: https://pt.textstudio.com/city-logos/mykonos-11392

Carminha Beltrão

Junho de 2024

Grécia 8 – Zarpando em direção a Mikonos

Fonte: https://minionupucmg.wordpress.com/2017/07/18/a-evolucao-dos-tipos-de-navios/

E aí está Mikonos, essa pequena e maravilhosa ilha que faz parte do Arquipélago de Cíclades, no Mar Egeu e tem apenas 86 km2. Para o leitor ter uma ideia dessa extensão, a Ilha do Marajó tem 40 mil km2. Sua população é pequena – 6200 habitantes – mas recebe milhares de turistas ao ano, porque hoje é um ponto de encontro do jet set internacional.

Sua formação rochosa em granito e o fato de que sua elevação máxima alcança os 360 metros faz dessa paisagem uma lindeza: relevo movimentado, tons múltiplos de cinza ao ocre, todas as edificações pintadas de branco e, em volta, um mar azul de morrer de tão lindo.

No começo do século XI a.C., já havia aí habitantes da civilização jônica, que precedeu os gregos. Na mitologia, a ilha é conhecida como o local da luta entre Zeus e os gigantes. O nome dado a ela é o do filho de Apolo (aquele cujo santuário visitamos em Delfos).

Carminha Beltrão

Junho de 2024

Grécia 7 – Metéora e o cristianismo ortodoxo

Fonte: https://www.google.com/search?client=firefox-b-d&q=kalabaka

Em nossa última noite do percurso pela chamada Grécia Continental, pernoitamos em Kalabáka, que também vi grafada como Kalambaka. A cidade onde moram pouco mais de 10 mil habitantes não é propriamente bonita, mas dá apoio à visita a Metéora.

Vindo de Delfos, pulamos séculos para falar de Metéora, que não tem nada a ver com os Deuses do Olimpo, mas sim com o Cristianismo Oriental, que nós, no Ocidente, chamamos de Ortodoxo.

É provável que os primeiros eremitas tenham se estabelecido nessa região, no século XI, isso significa, segundo a contagem que fazemos no Ocidente, que era Idade Média: nada mais de domínio político dos gregos.

Metéora, em grego, significa “meio do céu”. Outras interpretações sobre o significado etimológico desta palavra referem-se a “suspensos no ar”. Por quê? Ali estão mosteiros erguidos sobre pilares de rocha granítica que, hoje, compõem uma atração turística “enigmática”, como li em algum lugar.

Estão situados na Grécia Central, próximos da planície de Tessália e do Rio Peneu.  O maior pico tem quase 550 metros e o menor tem pouco mais de 300 metros. O vale agricultado que avistamos de Metéora é espetacular, depois de alguns dias passando por paisagens predominantemente ocres.

Chegaram a ser 20 mosteiros e hoje são seis: Megálos Metéoros (Grande Meteoro ou Mosteiro da Transfiguração), Varlaam, Ágios Stéphanos (Santo Estevão), Ágia Tríada (Santíssima Trindade), São Nicolau Anapausas e Roussanou.  Cinco dentre estes são masculinos e apenas um feminino.

Visitamos dois deles: o de Santos Estevão e o outro cujo nome não memorizei (como sempre falo aos meus alunos, anotar é importante).

Por que os monges ergueram seus mosteiros nestes picos? Fugiam da ocupação otomana e queriam ficar num sítio inacessível aos invasores. Pelo que explicou a guia e vimos em algumas ilustrações que lá estavam, no início, tanto o material para fazer as construções, como as pessoas, eram erguidas por guindastes (não destes controlados por computador que vemos hoje nos portos, mas aqueles antigos com roldanas e cordas puxadas por força humana). Depois foram esculpidas escadas nas rochas. Hoje já há teleférico para um deles e pontes para outros.

Numa das visitas, lá estava uma freira varrendo o pequeno pátio em frente à capela. Imaginei a vida neste isolamento e pensei que não quereria viver neste lugar.

Dentro das construções seculares não se podia fazer fotos, o que era uma pena, porque paredes e tetos eram adornados por pinturas muito bonitas, algumas delas acabadas com ouro, mas pude fazer um registro de um quadro na varanda de acesso a uma das capelas.

A visita me fez lembrar muito as edificações e pinturas que vimos em Suzdal, que foi o centro da vida religiosa cristã ortodoxa, na Rússia, antes da Revolução Bolchevique, que passou a “desaconselhar” as práticas religiosas, mas o patrimônio permaneceu e esta cidade tem igrejas lindas.

Nos templos cristãos ortodoxos não é permitido representações das santidades em três dimensões, ou seja, não há nem estátuas, nem sobre relevos. Para compensar, a vivacidade das cores e o folheado a outro iluminam as obras de arte e as deixam mais vivas do que as madonas, os Pedros e os Paulos que vemos representados nas igrejas cristãs do Ocidente, onde os azuis muito pálidos, os acinzentados e tons de ocre geralmente predominam.

Zapeando pela WEB encontrei fotos bonitas, mas em sites pagos. Reproduzo algumas que devem ter sido registros feitos sem autorização porque a iluminação não está grande coisa e, como os ambientes eram escuros, o flash era imprescindível.

Os Metéoros são, desde 1988, Patrimônio Mundial pela Unesco e não apenas as construções religiosas, mas os montes e vales cobertos de florestas, onde ainda vivem lobos.

Essas três hastes que encontrei na saída de uma das visitas representam para mim, a articulação entre a construção de Estados-nações modernos e a Igreja.

Não terei capacidade de contar a vocês como estava o azul do céu neste dia, porque para descrever os tons de uma cor, nem mesmo a paleta da Suvinil é suficiente, mas deixo aqui uma foto em que vocês poderão apreciar essa belezura de firmamento.

Terminada a visita a Metéora, partimos para Atenas concluindo o trajeto continental da nossa viagem à Grécia. Foi cansativo – quatro noites em quatro cidades diferentes, vários sítios arqueológicos, museus, mosteiros etc. – mas valeu demais. Voltamos ao passado e compreendemos um pouco melhor, de algum modo, o significado de valores e representações que orientam o mundo em que vivemos.

Carminha Beltrão

Junho de 2024

Grécia 6 – Delfos e seu museu

Fonte: https://pt.vecteezy.com/bundle/4288116-modern-canvas-style-presentation-mockup-bundle

Fonte: https://umabrasileiranagrecia.com/2015/07/museu-arqueologico-de-delfos.html

….eram dois jovens heróis, gémeos, filhos de Cídipe, que se sacrificaram pela deusa Hera. No primeiro livro de Histórias de Heródoto (1.31) reporta o conto de Sólon ao rei Creso relativo à história mítica de Cleobis e Bitão em que a sua história foi divulgada como um exemplo da moral, da vida virtuosa e plena, apesar da sua morte prematura, não foi, contudo, encarada como um facto negativo, mas como o maior presente que os deuses poderiam conceder. Heródoto conta que “os argivos teriam erguido as suas estátuas e as teriam consagrado em Delfos, como é feito com os homens realmente distintos. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Cleobis_e_Bit%C3%A3o

Carminha Beltrão

Junho de 2024